"O Brasil está se desenvolvendo": as perspectivas de um russo sobre o ensino no IF

Por Andrea Wirkus

Publicado em 26/08/2015

 
Aleksei Shishmarev é natural de Selenginsk, uma cidade com pouco mais de 15.000 habitantes situada na Sibéria, região setentrional do território russo. Com 23 anos, ele se formou em Radiofísica pela Irkutsk State University, com especialização em "Radiofísica e Eletrônica", e agora faz Doutorado aqui no Instituto de Física da USP. 
"Quando cheguei em São Paulo, a única frase que eu conhecia em português era 'desculpe, eu não falo português'. Eu estava muito preocupado com a minha educação aqui, mas foi tudo muito mais fácil do que eu imaginei, principalmente por causa das pessoas que conheci - sobretudo os colegas do grupo de estudos e professores -, que me ajudaram muito com a língua e com os estudos". Há 2 anos no Brasil, ele já domina a língua portuguesa, mas, quando possível, ainda prefere se comunicar em inglês. 
Quando questionado a respeito do que o trouxe para o Brasil, Aleksei disse que foi ideia do Prof. Dmitri Maximovitch Guitman, seu atual orientador. Especializado em Física Teórica, com ênfase em Teoria Geral de Partículas e Campos, Guitman é Doutor pela Universidade de Tomsk (Rússia) e atua como professor no IFUSP desde 1992. "O Prof. Guitman é muito famoso e respeitado na Física, muitas pessoas conhecem o trabalho dele. Ele me convenceu a vir, porque aqui ele tinha bastante campo para desenvolver o seu projeto". 
Aleksei sempre teve interesse em estudar no exterior e, apesar de ter considerado programas europeus, afirma que ingressar em universidades europeias não é fácil: a concorrência é muito maior. "Além disso", complementa, "se você deseja realizar um trabalho científico, você precisa conhecer alguém dentro da universidade e ter muita familiaridade com a pesquisa, com o trabalho dessa pessoa. Aqui, eu tinha o Guitman para me ajudar a trabalhar com um tema novo". Graduado em Radiofísica, Aleksei agora trabalha com dinâmicas de partículas e campos; ele elogia a infraestrutura do IFUSP: "comparada à russa, eu gosto mais daqui. É muito melhor. Há muitas oportunidades para pessoas que não sabem exatamente quais serão suas áreas de estudo. Acho que a maior diferença é que aqui eu tenho perspectiva profissional. Aqui, especialmente em física elétrica, eu vejo alguns cargos que eu poderia ocupar. Na Rússia, é complicado; a situação da educação russa está bem ruim no geral... Não há dinheiro, o governo não investe em educação. Então há poucos lugares onde você pode trabalhar e apenas algumas oportunidades para pessoas que desejam investir na carreira científica/acadêmica. Aqui, eu percebo que, mesmo com a crise e outros fatores, o país está se desenvolvendo e o número de possibilidades tem aumentado". 
Aleksei pretende ingressar no pós-doutorado também no IFUSP. Além disso, ele disse que adora o clima brasileiro.
 
Na foto: Aleksei Shishmarev, doutorando do IFUSP