Em 1925 o jovem Ernst Ising publicou um pequeno texto, baseado em ideias desenvolvidas na sua tese de doutoramento, com o objetivo de explicar o fenômeno do ferromagnetismo, que despertava muito interesse naquela época. De acordo com sugestão de Wilhelm Lenz, seu orientador, Ising considerou uma coleção de momentos magnéticos microscópicos, cada um com dois estados apenas, a favor ou contra a direção de um campo magnético externo, localizados nos sítios de uma rede cristalina, mas com a inclusão de interações entre momentos vizinhos mais próximos. O cálculo da magnetização termodinâmica foi então efetuado, para uma rede unidimensional, através da aplicação do “método de Boltzmann”. Embora o resultado fosse decepcionante, pois nesse arranjo unidimensional, na ausência de campo magnético aplicado, não tenha sido possível encontrar nenhum tipo de ordenamento, o “modelo de Ising” foi redescoberto por pesquisadores ingleses, que introduziram aproximações relevantes e provaram a existência de ordenamento ferromagnético em duas (ou três) dimensões. Aos poucos o modelo de Ising, com dois estados apenas e um tanto distante das sutilezas da nova mecânica quântica, foi se transformando num “modelo básico” para os fenômenos cooperativos em diversas áreas (física, química, metalurgia, sistemas complexos, ... incluindo modelos sociais e conexões com aprendizagem de máquina). Apesar de super simplificado, o modelo de Ising é capaz de captar os aspectos essenciais das transições de fase e fenômenos críticos, contribuindo para o esclarecimento de conceitos relevantes da física contemporânea: universalidade dos fenômenos críticos, comportamento de escala, grupo de renormalização, quebra espontânea de simetria ....
Confira em: https://www.youtube.com/@dfmaifusp/streams