IFUSP na Mídia

Roda Viva com o cientista Paulo Artaxo

O programa Roda Viva da TV Cultura recebeu o Prof. Paulo Artaxo (IFUSP), um dos principais cientistas climáticos do Brasil, para uma entrevista sobre mudanças climáticas e seus impactos.
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Artigo | 10B direct and transfer-induced (9,11B) breakup from exclusive two- and three-fragment coincidences

Dos autores J. Gómez, A. Arazi, M.A.G. Alvarez, M.A. Cardona, L.C. Chamon, J. Figari, L. Garrido-Gómez, L.R. Gasques, T. Giudice, D. Hojman, R.M. Id Betan, N. Mecklenburger, B. Paes, B. Pinheiro e V. Scarduelli.
Publicado em Physics Letters B. 
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Resumo (traduzido do artigo):

Apresentamos a identificação de canais de quebra direta e induzida por transferência no sistema 10B+197Au em energias próximas à barreira, com base na detecção exclusiva de coincidências de fragmentos. A reconstrução cinemática de dois fragmentos, 6Li+α ou 7Li+α, permite a identificação dos estados excitados a partir dos quais o 10B ou o ejetor de captura de um nêutron 11B se quebra. Além disso, a análise de coincidências triplas α+α+p revela os estados excitados com estrutura de cluster através dos quais ocorre a quebra do ejetor de remoção de um nêutron não ligado 9B: 8Be+p ou α+5Li. As seções de choque de quebra corrigidas pela eficiência, obtidas individualmente para cada estado, mostram que este último é o principal mecanismo de quebra neste regime de energia. Essas medidas exclusivas destacam a interação entre a estrutura nuclear e a dinâmica da reação.

-> O artigo completo pode ser acessado AQUI.

 

Estudantes do IFUSP são premiados no EOSBF 2026

Dois estudantes do Instituto de Física da Universidade de São Paulo (IFUSP) foram reconhecidos com o prêmio de melhor pôster em suas respectivas sessões durante o Encontro de Outono da Sociedade Brasileira de Física (EOSBF 2026), realizado entre os dias 17 e 21 de maio de 2026, em Cuiabá (MT).

O evento, organizado pela Sociedade Brasileira de Física desde 1987, é um dos mais importantes congressos de física da América Latina, reunindo aproximadamente mil participantes — entre pesquisadores sênior, jovens cientistas e estudantes de graduação e pós-graduação.
 
Melhor Pôster em Física Médica: o estudante Davi Vasconcelos Pacheco do Amaral, orientado pelo Prof. Paulo Costa, foi premiado na sessão de Física Médica pelo trabalho "Anthropomorphic Task-Based Assessment of Low-Contrast Lung Nodule Detectability in Low-Dose CT: PCCT vs EICT".
 
A pesquisa aborda o uso de observadores-modelo para a avaliação da qualidade de imagem em tomografia computadorizada de baixa dose, tema ainda pouco explorado no Brasil. Em suas palavras: "O conceito de detectabilidade e o uso de observadores-modelo vêm sendo cada vez mais discutidos como ferramentas para a avaliação da qualidade de imagem no contexto das imagens médicas, por permitirem relacionar características físicas da imagem a propriedades do observador durante o processo de avaliação. No Brasil, a utilização desse formalismo ainda é relativamente restrita, de modo que ter o trabalho premiado na EOSBF foi muito gratificante. Espero que esse resultado possa despertar o interesse de outros grupos de pesquisa pelo tema." O estudante também agradeceu aos colegas e ao orientador pelo apoio e pelas contribuições ao longo do desenvolvimento da pesquisa.
 
Davi Amaral com certificado do prêmio e o anúncio da premiação da sessão 08.
 
Melhor Pôster em Física de Materiais: a estudante Emanuelle F. Almeida, orientada pelo Prof. Rafael de Sá, foi premiada na sessão de Física de Materiais pelo trabalho "Effects of rare-earth doping on the magnetic properties of the pyrochlore Er₂₋ₓTbₓSn₂O".
 
 
A estudante Emanuelle ao lado do pôster premiado, no anúncio da premiação da sessão 07 e com o certificado em mãos.
 
 

“No meio ambiente, tudo está interligado”

Luciana Rizzzo capa site1Confira a entrevista da professora Luciana Rizzo (IFUSP) para a revista Ciência & Cultura (SBPC). Além da pesquisa em Física Atmosférica, a conversa traz temas como os desafios de comunicar a urgência de processos atmosféricos invisíveis, conexões entre floresta e cidade, as desigualdades associadas à poluição e as barreiras de gênero ainda presentes na ciência.
Por Ciência & Cultura. Acesse AQUI.

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A física da atmosfera pode parecer abstrata, mas seus efeitos são profundamente concretos - e, muitas vezes, devastadores. É nesse campo, onde fenômenos invisíveis determinam a qualidade do ar e o equilíbrio climático, que atua a física Luciana Varanda Rizzo. Docente do Instituto de Física da Universidade de São Paulo (USP) e integrante do Laboratório de Física Atmosférica (LFA), ela construiu uma trajetória marcada pela investigação da poluição do ar em grandes centros urbanos e das complexas interações entre biosfera e atmosfera na Amazônia. Saiba mais...

Artigo | Doping-dependent orbital magnetism in Chromium pnictides

Dos autores Henri G. Mendonça, George B. Martins e Lauro B. Braz. 
Publicado em Journal of Magnetism and Magnetic Materials.
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Resumo (traduzido do artigo):

Apresentamos resultados para o diagrama de fases do composto original LaCrAsO sob dopagem eletrônica usando a aproximação de fase aleatória matricial. Em baixos níveis de dopagem, o sistema estabiliza um estado antiferromagnético no qual diferentes sub-redes de Cr carregam spins opostos, consistente com observações experimentais. À medida que a concentração de dopagem aumenta, uma fase antiferromagnética do tipo listrada torna-se favorecida. Em níveis de dopagem ainda mais altos, o sistema repete os dois estados magnéticos anteriores, mas com vetores de ordenação magnética incomensuráveis. As fases magnéticas comensuráveis ​​estão associadas a elétrons mais localizados no orbital Cr , enquanto as fases incomensuráveis ​​estão ligadas ao orbital , cuja sobreposição mais forte favorece o magnetismo de elétrons itinerantes.

-> O artigo completo pode ser acessado AQUI.

Cristais de açúcar surgem como opção na busca pela matéria escura

Cristais serão testados para identificar partículas previstas apenas na teoria, que servirão de base para entender a formação do Universo e criar novos materiais.
Por Jornal da USP. Acesse AQUI.

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O estudo da matéria escura, um componente muito pouco conhecido do Universo, é uma pesquisa de ponta na área da Física. Embora vários experimentos em todo o mundo tentem detectá-la, sua existência ainda é sustentada apenas por evidências teóricas. Para criar uma nova forma de identificar a matéria escura, pesquisadores de uma colaboração internacional, com participação brasileira, propõem o uso inusitado de cristais de açúcar, que aumentariam a precisão na procura por essas partículas em laboratório. Saiba mais...

*Matéria do Jornal da USP repercute a pesquisa do Prof. Pedro Guillaumon.

Marcelo Munhoz é indicado como primeiro Coordenador-Geral da RENAFAE

O Prof. Marcelo Munhoz (DFN - IFUSP) foi indicado como Coordenador-Geral da Rede Nacional de Física de Altas Energias (RENAFAE). Criada em 2008, a RENAFAE é uma das mais longevas redes do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, e tem desempenhado papel central na conexão dos grupos brasileiros que atuam em grandes experimentos internacionais de física de altas energias.

Com a publicação de uma nova portaria em 2025, a rede passou a contar com a Coordenadoria-Geral como braço executivo formal, e o Prof. Munhoz foi indicado pelo Comitê Técnico-Científico da rede para ser o primeiro ocupante do cargo. 

A criação dessa área responde a uma lacuna de longa data na estrutura da rede. Como explica o próprio Prof. Munhoz, "um dos problemas da rede é que ela não tinha explicitamente um caráter executivo e, conforme o presidente do CTC do momento, ela empreendia ações mais concretas ou mantinha um caráter mais consultivo do MCTI." A nova portaria busca corrigir essa limitação, conferindo à rede maior capacidade de atuação junto a instituições, grupos de pesquisa e agências de fomento. Entre os objetivos da RENAFAE estão a integração e otimização de recursos entre os grupos brasileiros, a interlocução com órgãos governamentais e a mobilização de empresas nacionais para o desenvolvimento de instrumentação e software voltados às grandes colaborações internacionais.

O Prof. Munhoz se diz honrado pela oportunidade de ocupar o posto e também reconhece que os desafios à frente são significativos. "Precisamos, de certa forma, reestruturar a rede, atraindo novamente o interesse dos grupos para a RENAFAE, pois ela esteve um pouco inativa nos últimos anos", afirma. "Outro grande desafio será propor mecanismos junto às agências de fomento que permitam um financiamento estável e previsível da participação brasileira nesses grandes experimentos internacionais de física de altas energias."

 

Sereias Gravitacionais: A Nova Fronteira para Medir o Cosmos

Por Raul Abramo. Reprodução a partir da Newsletter Polígono. Acesse AQUI.

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Todos nós já passamos pela vexação de tentar estudar algum assunto e não entender nada. Ou pior, às vezes quanto mais investigamos algo, menos entendemos. De um certo modo, é isso que está acontecendo na área da Cosmologia, a área da ciência que estuda a origem e evolução do universo.

A Cosmologia moderna começou quando Edwin Hubble, há 100 anos, descobriu que galáxias distantes estão se afastando de nós e, quanto mais distantes as galáxias, mais rápido elas se afastam. A conclusão lógica dessa observação implica que o universo está em expansão. A razão entre distâncias e velocidades de afastamento chama-se "constante de Hubble" e é o parâmetro cosmológico mais importante na nossa descrição do universo.

Ocorre, entretanto, que na prática essa medida é infernalmente complicada. As velocidades das galáxias, na verdade, são a parte fácil: o efeito Doppler faz com que a luz de qualquer fonte luminosa que se afaste de nós seja avermelhada, assim como o som de uma ambulância que passou por nós se torna mais grave – o efeito conhecido como redshift da luz.

O problema em medir a constante de Hubble está nas medidas de distâncias das galáxias. Note que as galáxias mais próximas de nós estão a alguns milhões de anos-luz de nós, o que torna um pouco difícil estender uma trena até lá. É verdade que não precisamos necessariamente de uma régua ou uma trena: você quase certamente usa a técnica da paralaxe para estimar distâncias usando os seus dois olhos, mas para objetos muito distantes a paralaxe deixa de funcionar – e o mesmo vale para estrelas e galáxias distantes.

De fato, Hubble conseguiu fazer a primeira medida da constante que leva o seu nome usando uma técnica inventada pela astrônoma Henrietta Leavitt no começo do século 20, que consiste em escolher cuidadosamente certos tipos de estrelas cujas luminosidades são (acredita-se) razoavelmente bem conhecidas.

Imagine que em um poste há uma lâmpada de 100W, que você enxerga desde a uma certa distância. Através da luminosidade aparente da lâmpada (aquela que você percebe com os seus olhos), e sabendo que aquela lâmpada tem 100W, você seria capaz de inferir a distância até ela.

A maior parte das medidas de distância desde então, até hoje, foram obtidas por meio desse método, utilizando estrelas conhecidas como Cefeidas, mais próximas de nós, que foram então utilizadas para estender essa técnica para incluir explosões estelares conhecidas como Supernovas. Porém, para essa técnica de medir distâncias funcionar, é fundamental conhecer com precisão as luminosidades intrínsecas dessas fontes de luz, também conhecidas como "velas padrão" – mas infelizmente até hoje não sabemos se essas "velas" são tão "padronizadas" assim. 

Mais recentemente, também pudemos medir a taxa de expansão do universo através de observações de uma natureza totalmente distinta, por meio da luz que foi liberada após o Big Bang e que hoje observamos por meio da Radiação Cósmica de Fundo (RCF). A temperatura da RCF contém sinais da expansão do universo e nos permite também inferir a taxa de expansão – a constante de Hubble.

Então, após mais de 100 anos de pesquisas e uma vasta dinheirama investida em telescópios e detectores, temos duas medidas independentes da taxa de expansão, que podemos mostrar como "troféus" da grande conquista da compreensão do cosmos. Exceto que, para grande surpresa da comunidade científica, essas duas medidas parecem ser irremediavelmente incompatíveis.

As medidas que estendem a observação original de Hubble indicam que a taxa de expansão é de 73 km/s para cada megaparsec (Mpc) de distância, enquanto que as medidas da RCF parecem mostrar que a taxa de expansão é de 67 km/s/Mpc. Como cada medida tem uma "barra de erro" menor do que 1%, a chance delas serem compatíveis é algo como 0.0000025% – ou uma parte em 4 milhões. Essa "tensão" entre as duas medidas é mais do que um embaraço: ela pode estar apontando para algum problema fundamental na nossa descrição do cosmos e da própria Física.

Mas antes de jogar a toalha vamos lembrar que ambas medidas têm problemas: a primeira sofre do pecado original de não sabermos bem quais as luminosidades dessas estrelas Cefeidas e Supernovas. A segunda é prejudicada pelo fato de se basear em observações do universo primordial (a RCF foi formada meros 400.000 anos após o Big Bang) e, portanto, é uma extrapolação para os dias de hoje. Quem sabe uma medida mais confiável não poderia indicar o caminho?

É nesse momento que entra uma categoria completamente nova de medidas da taxa de expansão que só se tornou possível na última década. Ela se baseia nas observações de ondas gravitacionais emitidas por nada menos do que pares de buracos negros que estão em órbita muito próxima e que eventualmente se chocam. Essas ondas, uma previsão de Albert Einstein quando ele superou Isaac Newton com a sua Teoria da Relatividade Geral, têm sido detectadas desde 2015 pelo LIGO (Laser Interferometry Gravitational wave Observatory), nos Estados Unidos, e mais recentemente pelos detectores VIRGO (na Europa) e Kagra (no Japão).

Fusões de buracos negros são eventos fantásticos: se por um lado eles desafiam a nossa imaginação, por outro eles são uma dádiva do cosmos para os físicos. Isso porque o objeto gravitacional mais simples do universo é o buraco negro. E o segundo objeto mais simples é... um par de buracos negros!

Isso faz com que a emissão de ondas gravitacionais dessas fusões de buracos negros sejam conhecidas com grande precisão – em outras palavras, sabemos muito bem a luminosidade dessas "lâmpadas gravitacionais", também conhecidas como "sereias escuras". Isso significa que a técnica inventada por H. Leavitt pode agora ser utilizada num contexto em que ela jamais imaginaria: em vez de luz, ondas gravitacionais; em vez de velas padrão, sereias escuras.

Porém, as coisas nunca são tão fáceis: apesar de podermos inferir as distâncias até essas fusões de buracos negros, não temos como medir a velocidade de afastamento deles – uma medida que depende da observação de uma galáxia e de sua luz, que usamos para medir o redshift.

E por melhor que sejam os detectores de ondas gravitacionais, eles não são capazes de determinar em quais galáxias as fusões de buracos negros estão ocorrendo. No único caso em que um evento de ondas gravitacionais foi associado a uma galáxia, tratou-se de uma fusão de estrelas de nêutrons, cuja emissão de luz foi observada por diversos telescópios. Mas no caso de fusões de buracos negros, essa associação direta não é possível, nem no caso mais otimista. 

Mas então como medir ao mesmo tempo distâncias e redshifts? A resposta é que não precisamos medir ambas simultaneamente. Como mostramos em dois artigos recentes, há uma associação estatística entre as posições das galáxias – no jargão da área, há uma correlação espacial entre elas. Isso significa que, ao medir vários eventos de fusão de buracos negros e suas distâncias por um lado, e milhões de galáxias e seus redshifts por outro, podemos encontrar uma correlação entre as distâncias dos buracos negros e os redshifts das galáxias. Essa correlação é dada justamente pela... constante de Hubble!

No artigo arXiv:2512.15380 (Santiago de Matos et al.) fizemos as primeiras medidas da taxa de expansão por meio dessa técnica. Os erros ainda são grandes, devido ao número ainda reduzido de fusões de buracos negros bem localizadas, mas nos próximos anos iremos detectar um número exponencialmente maior desses eventos, melhorando cada vez mais essas medidas. Nossas estimativas, feitas em outro artigo (arXiv:2412.00202, Ferri et al.), demonstram que em poucos anos as medidas utilizando ondas gravitacionais vão resolver de uma vez por todas o mistério da taxa de expansão do Universo. 100 anos após Hubble e 110 anos após Einstein, está mais do que na hora de resolver esse mistério.

Acadêmicos contemplados com o título de Pesquisador Emérito do CNPq

Portal do CNPq. Acesse AQUI.

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O título tem como objetivo reconhecer cientistas brasileiros ou estrangeiros radicados no Brasil há pelo menos dez anos pelo conjunto de sua obra científico-tecnológica e por seu renome junto à comunidade científica.

O Prof. Sílvio Salinas (FGE - IFUSP) é o agraciado na categoria Ciências Exatas e da Terra, em reconhecimento a suas pesquisas em Física Estatística.

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