IFUSP na Mídia

Artigo | Terahertz and mm-Wave Research in Latin America

Dos autores Enrique Castro-Camus, Daniel Ferrusca, John Carpenter, David Hughes, Naser Qureshi, Raul O. Freitas, Elodie Strupiechonski, Jimy Oblitas, Mariana Alfaro-Gomez, Alma Montserrat Gomez-Sepulveda, Felix G. G. Hernandez, Federico Sanjuan e Monica Ortiz-Martinez.
Publicado no Journal of Infrared, Millimeter, and Terahertz Waves. Acesse AQUI.
Com informações do pesquisador Felix Hernandez.
--

Review de autoria de diversos pesquisadores da América Latina sobre o desenvolvimento da pesquisa em Terahertz na região. Destacamos a participação do Prof. Felix Hernandez, em sua contribuição para a seção 6, sobre pesquisa em materiais, ressaltando as contribuições de universidades brasileiras no início desta área assim como a liderança atual destas instituições em infraestrutura.

Resumo (traduzido do artigo):
Neste artigo de revisão, apresentamos uma visão geral abrangente das diversas atividades relacionadas a terahertz e ondas milimétricas na América Latina. A região abriga dois dos maiores radiotelescópios do mundo, uma linha de luz de síncrotron para terahertz e diversas atividades relacionadas a fontes, detectores e instrumentação. Além disso, descrevemos aplicações da espectroscopia e imageamento em terahertz em inspeção de materiais, biomedicina, indústria, agronomia e patrimônio cultural, entre outras áreas. Embora tenhamos procurado incluir uma gama diversificada de tópicos e grupos de pesquisa, esta revisão não é exaustiva e existem outras atividades que não pudemos incluir.

-> O artigo completo pode ser acessado AQUI.

 

Cristais de açúcar podem se tornar detectores para a busca de matéria escura

 

Com informações do pesquisador Pedro V. Guillaumon.

--

Um projeto coordenado pelo Prof. Pedro V. Guillaumon, do Instituto de Física da Universidade de São Paulo (USP), demonstrou pela primeira vez que cristais de açúcar (sacarose) podem funcionar como detectores criogênicos operados próximos do zero absoluto, a cerca de 15 miliKelvin. O resultado indica que materiais orgânicos comuns podem se tornar uma nova classe de detectores para experimentos de busca direta de matéria escura.

A sacarose possui uma característica particularmente interessante para esse tipo de experimento. Cada molécula contém 22 átomos de hidrogênio (C₁₂H₂₂O₁₁), o que torna o material potencialmente sensível a interações com candidatos de matéria escura de baixa massa, conhecidos como light WIMPs.

Quando uma partícula deposita energia no cristal, ocorre uma variação extremamente pequena de temperatura. Em detectores criogênicos, essas variações podem ser medidas por sensores térmicos altamente sensíveis. No experimento realizado, os sinais foram detectados utilizando sensores do tipo NTD (Neutron Transmutation Doped).

O resultado é especialmente interessante porque cristais orgânicos complexos, como os de açúcar, não eram considerados candidatos naturais para detectores desse tipo. A demonstração de funcionamento desses cristais abre um novo caminho no desenvolvimento de detectores criogênicos.

Embora ainda seja necessário realizar novos testes para compreender melhor a performance e a viabilidade desses detectores na busca direta de matéria escura, o estudo mostra que materiais orgânicos podem desempenhar um papel inesperado nesse tipo de instrumentação. Em uma próxima etapa, pretende-se acoplar esses cristais a sensores quânticos de temperatura do tipo TES (transition-edge sensors).

O projeto foi desenvolvido no Max Planck Institute for Physics, em Munique, com participação direta do Prof. Guillaumon tanto na concepção da ideia quanto nas diferentes fases experimentais, incluindo o crescimento dos cristais utilizados no estudo.

A pesquisa integra as atividades do recém-criado Quantum Sensing and Low-temperature Detectors Group do Instituto de Física da USP, criado e coordenado pelo Prof. Guillaumon, que se dedica ao desenvolvimento e à aplicação de detectores criogênicos operando a aproximadamente 15 millikelvin, em associação com sensores quânticos. Esses sistemas de alta sensibilidade permitem investigar questões fundamentais da física contemporânea, como a natureza dos neutrinos e da matéria escura.

Além das aplicações em física de partículas, o grupo também explora o potencial desses detectores em frentes interdisciplinares, incluindo estudos de processos raros, como o possível decaimento do lutécio-176, ainda não observado experimentalmente, bem como aplicações em metrologia de precisão e monitoramento ambiental. Essas iniciativas são desenvolvidas em colaboração com instituições nacionais, como a UNICAMP, e parceiros industriais, como a Petrobras, contribuindo para a consolidação de novas interfaces entre ciência básica, inovação tecnológica e ciência de dados.

O grupo também atua no desenvolvimento de métodos avançados de análise de dados, com uso de técnicas de machine learning e automação, fundamentais para o tratamento de sinais de alta complexidade gerados por detectores criogênicos e sensores quânticos. Essa integração entre instrumentação experimental e inteligência computacional amplia o alcance científico e tecnológico das pesquisas desenvolvidas.

Parte significativa dessas linhas de pesquisa está sendo estruturada de forma inédita no Brasil, fortalecendo a inserção da USP em áreas estratégicas da física experimental contemporânea.


-> O artigo científico pode ser consultado na íntegra AQUI

Olácio Dietzsch: docente da USP, professor, pesquisador e orientador em física nuclear e de partículas

Texto por José Hirata, Mazé Bechara e Suzana Salem.
--

Há pessoas que marcam a vida das pessoas e das instituições pela sua forma de ser, agir e interagir de maneira que as marcas permanecem, mesmo quando ninguém lembre ou saiba de como elas se fizeram. Olacio Dietzsch foi uma destas pessoas em sua vida de docente e físico nuclear no Instituto de Física da Universidade de São Paulo. Iniciou linhas de pesquisa que permanecem importantes e, sempre ativo e atento aos novos rumos da física nuclear e de partículas, nunca se acomodou.  Nós tivemos a sorte e o privilégio de termos convivido com ele no mundo acadêmico. Ele não conquistava pela sedução instantânea, mas era com quem se aprende e apreende, nunca de forma rasa, em cada vivência e conversa, sobre ética, valores acadêmicos, postura diante do trabalho e na interação interpessoal. 

Ele não se limitava a formar um pesquisador, mas um docente, estimulando que nos iniciássemos desde bolsistas na importante tarefa de dar aulas e ensinar estudantes mais jovens no grupo de pesquisa, com a consciência de estarmos em uma universidade pública brasileira. Olacio nos ensinou a diferença entre um centro de pesquisa e uma universidade de pesquisa, onde o ensino de excelência em todos os níveis e diálogos amplos sobre o conhecimento são aspectos relevantes de seus objetivos mais elevados. 

Olacio participou por décadas, desde muito jovem, das decisões institucionais no âmbito do seu departamento e do Instituto de forma clara, objetiva, eficiente e pelo interesse coletivo, o que motivou a nós, seus estudantes, a sermos pessoas ativas na construção da universidade que acreditamos, mesmo em tempos bicudos para pessoas definidas.

 Ele tinha muito respeito pela história dos que o antecederam, mas não se intimidava diante de poderosos e nem da eventual incompreensão ou discordância de amigos próximos. Era pessoa leal aos amigos, mas sobretudo a si mesmo. Essas características e os caminhos dos poderes na instituição o levaram a um isolamento na vida institucional a partir de um certo momento, o que foi uma grande perda à instituição e ao desenvolvimento da física nuclear no Brasil. No âmbito de seu grupo de pesquisa e em colaborações internacionais, permaneceu ativo e presente. 

Para quem gosta de números, não faltam em sua vida acadêmica e em valores altos, as publicações de pesquisa em revistas de prestígio e com árbitro, a orientação de estudantes de graduação, de pós-graduação, de pós-doutores, o intercâmbio com pesquisadores brasileiros de diversos estados e de importantes instituições no exterior, muitas vezes na liderança dos projetos, e o legado de muitos docentes na instituição que seus ex-alunos ocuparam, por concurso. 

Mas o mais importante foi sua figura singular, seu valor e postura, seu legado em ciência e em valores acadêmicos sobre os estudantes de todos os níveis com quem conviveu, e sua amizade que hoje homenageamos e agradecemos! 

 

 

 

Artigo | Bayesian Optimization for High-Dimensional Coarse-Grained Model Parameterization: A Case Study on Pebax Polymer

Dos autores Carlos A. Martins Jr, Daniela A. Damasceno, Keat Yung Hue, Caetano Rodrigues Miranda, Erich A. Müller e Rodrigo A. Vargas-Hernández.
Destaque de capa no Journal of Chemical Theory and Computation, 2026, 22, 5, 2358-2368. Acesse AQUI.
Com comentário do pesquisador Caetano Miranda.
--

"Nosso trabalho recente, 'Bayesian Optimization for High-Dimensional Coarse-Grained Model Parameterization: A Case Study on Pebax Polymer', apresenta um avanço importante no uso de inteligência artificial para acelerar simulações de materiais complexos. Modelos coarse-grained, que simplificam a descrição molecular para permitir simulações em escalas maiores de tempo e tamanho, dependem de um processo delicado de ajuste de parâmetros. Neste estudo, demonstramos que a otimização Bayesiana, utilizando o método tree-structured Parzen estimator (TPE), pode ser aplicada com sucesso mesmo em modelos de alta dimensionalidade, contendo dezenas de parâmetros. A estratégia mostrou convergência mais rápida e resultados mais consistentes que abordagens tradicionais. Como estudo de caso, parametrizamos um modelo coarse-grained do copolímero Pebax-1657, com interesse para tecnologias de membranas em aplicações ligadas à separação de gases de efeito estufa. Como destaque, a arte científica do trabalho foi selecionada para a capa (front cover) do periódico Journal of Chemical Theory and Computation "

-> O artigo completo pode ser acessado AQUI.

 

Artigo | Nonlinear thermal-origin effect of ferrofluids with different stabilization mechanisms with visible and IR wavelengths

Dos autores F. L. S. Cuppo, A. R. Niño-Santisteban & A. M. Figueiredo Neto.
Publicado em The European Physical Journal Plus.
Acesse AQUI.
--

Resumo (traduzido do artigo):

Utilizando a técnica Z-Scan com resolução temporal nos comprimentos de onda visível (532 nm) e infravermelho próximo (979 nm), este estudo investigou a relação entre a distribuição do tamanho de partículas e o efeito óptico não linear térmico em ferrofluidos aquosos. Foram utilizadas amostras comerciais de ferrofluido Fe3O4 com diferentes mecanismos de estabilização. A distribuição do tamanho de partículas das amostras foi determinada por microscopia eletrônica de transmissão. As medições foram realizadas com dois comprimentos de onda, visto que a luz infravermelha é absorvida pelo fluido carreador do ferrofluido, enquanto a absorção da luz visível por este fluido é desprezível. Para ambos os comprimentos de onda, observou-se que o efeito térmico medido aumentava linearmente com o tamanho médio das partículas, sem evidências de influência do mecanismo de estabilização da solução. Os resultados indicam que a resposta não linear provém principalmente da absorção óptica dos grãos magnéticos, mas que, para a medição realizada com luz infravermelha, a contribuição da água não é desprezível. As amostras apresentaram uma resposta óptica térmica cerca de oito vezes mais sensível à exposição a 532 nm do que a 979 nm. Observou-se também, a partir das medições realizadas com o sistema de infravermelho, que o processo de formação da lente térmica leva mais tempo para saturar do que aqueles realizados com o sistema de luz visível. Esse efeito pode estar relacionado à resposta muito lenta da água, que retarda o processo de saturação da amostra.

-> O artigo completo pode ser acessado AQUI.

 

 

Seleção de estudantes para o Show de Física (AEX)


AEX SHOW DE FÍSICA – IFUSP
Divulgação científica, experimentos e performance
--

Quer apresentar experimentos incríveis para escolas, aprender comunicação científica e participar de um dos projetos mais tradicionais do IFUSP?

O Show de Física da USP está selecionando 20 estudantes extensionistas para participar da equipe em 2026.

O que você vai fazer
* Criar roteiros de divulgação científica
* Aprender técnicas de comunicação e performance
* Apresentar experimentos para estudantes da educação básica
* Atuar em um projeto que integra ciência, educação e teatro

Quem pode participar

Estudantes da USP de qualquer curso interessados em:

. divulgação científica
. educação
. comunicação da ciência
. performance e trabalho em equipe

Período da atividade
Março a Junho de 2026

Inscrições
03 a 16 de março

Acesse AQUI a descrição completa do programa da AEX

Como se inscrever
1️. Acesse o Júpiter Web (Sistema da USP)
2️. Na barra lateral esquerda, clique em AEX
3️. Procure por: Show de Física
4️. Clique no projeto e depois em "Descrição da atividade - Inscrição/remoção"
5️. Leia atentamente todas as informações e faça sua inscrição

Apresentações 
Terça, quarta e quinta
(períodos matutino ou vespertino) 

Reuniões de formação
Segundas ou sextas(2h semanais)

Uma oportunidade única de aprender a comunicar ciência e inspirar novos estudantes.

Instituto de Física - USP
Projeto de Extensão Universitária
 

Pantanal é o bioma brasileiro que mais aqueceu e perdeu chuvas em 40 anos

Temperatura média subiu quase 1,9 ºC e pluviosidade diminui 10 milímetro por década
Por Revista Pesquisa FAPESP. Acesse AQUI o original.

--

"A maior planície alagável do mundo está secando e ficando mais quente a um ritmo acelerado. Em quatro décadas, o Pantanal, o menor bioma brasileiro, foi o que mais aqueceu e teve a maior redução na quantidade de chuvas. Essa dupla tendência, de mais calor e de menos pluviosidade, é visível em todos os ecossistemas nacionais – da Amazônia, no Norte, que engloba quase metade da área do país, ao Pampa, no Rio Grande do Sul, ainda que nesse bioma de forma bem menos perceptível. Mas ela é mais acentuada no Pantanal, que se estende por aproximadamente 150 mil quilômetros quadrados (km²), 1,8% do território nacional.." [Saiba mais...]

*Matéria destaca pesquisa da Profª Luciana Rizzo.

 

Artigo | Uso de Dosímetros por Luminescência Opticamente Estimulada na Avaliação do Software Dose Map na Radiologia Intervencionista

 

Dos autores Eduardo Souza Santos, Denise Yanikian Nersissian e Elisabeth Mateus Yoshimura
Publicado em Brazilian Journal of Radiaton Sciences.
Acesse AQUI.
--

Resumo:

A radiologia intervencionista possui diversas aplicações, no entanto, a complexidade e a duração de certos procedimentos podem resultar em exposição significativa à radiação para os pacientes. Este estudo apresenta uma comparação entre um método comercial de mapa de doses utilizado em radiologia intervencionista, o Dose Map, e dosimetria por luminescência opticamente estimulada, utilizando uma matriz construída com esses dosímetros. O material dosimétrico foi obtido a partir de um rolo de fita Landauer Luxel® e calibrado em um angiógrafo GE® Innova 4100 IQ, utilizando uma câmara de ionização como referência. A calibração resultou em uma relação linear entre o sinal de leitura e o kerma no ar. Foram realizados experimentos com objetos simuladores homogêneos de polimetilmetacrilato, bem como um acompanhamento clínico de pacientes. A máxima diferença entre os valores de kerma medidos pelos dosímetros e os estimados pelo Dose Map foi de 14%. A comparação entre a matriz de dosímetros, o filme radiocrômico e o Dose Map demonstrou boa concordância geométrica, tanto nos estudos com objetos simuladores quanto no acompanhamento de pacientes. Os resultados confirmam a aplicabilidade do Dose Map para o monitoramento da distribuição de doses na pele em tempo real, contribuindo para a segurança dos pacientes na radiologia intervencionista.

-> O artigo completo pode ser acessado AQUI.

 

 

Could a recently reported high-energy neutrino event be explained by an exploding primordial black hole?

Por: Phys.org. Acesse AQUI.
--

"The KM3NeT collaboration is a large research group involved in the operation of a neutrino telescope network in the deep Mediterranean Sea, with the aim of detecting high-energy neutrino events. These are rare and fleeting high-energy interactions between neutrinos, particles with an extremely low mass that are sometimes referred to as "ghost particles." [Mais...]

*Matéria da American Physical Society's (APS) outreach to the press repercute trabalho da pós-graduanda Lua Airoldi (DFMA - IFUSP). Artigo original está vinculado ao grupo de trabalho da pesquisadora Renata Zukanovich Funchal.

 


 

 

 

Páginas

Desenvolvido por IFUSP