Artigos Científicos de destaque do IFUSP

Trabalho científico publicado na revista Nature sobre a estrutura do complexo hemoglobina-haptoglobulina
 
A hemoglobina é o transportador fundamental da molécula de oxigênio no sangue, mas também um componente potencialmente nocivo a tecidos, devido aos seus grupos heme altamente reativos. Durante a hemólise intravascular, comum quando o indivíduo possui malária ou outras hemoglobinopatias, hemoglobina é liberada no sangue sendo então capturada pela proteína haptoglobulina, a qual possui ação de proteção para esta fase aguda. Neste artigo obteve-se, pela primeira vez, a estrutura cristalográfica do complexo hemoglobin-haptoglobulina em nível atômico (resolução de 2.9 Å). A estrutura revelou que o complexo é formado por um homodímero de haptoglobulinas nas quais dois dímeros de hemoglobina se ligam covalentemente. Também foi possível obter como este complexo se liga ao receptor necrófago CD163, o qual possui a função de limpeza e defesa do organismo. Com os resultados deste trabalho, processos fundamentais relacionados à forma de interação entre a hemoglobina e haptoglobulina, bem como sua forma de ligação ao receptor CD163 puderam finalmente ser compreendidos. Este trabalho científico, do Prof. Cristiano Luis Pinto de Oliveira (Depto de Física Experimental) e colaboradores, foi publicado na versão online da revista Nature do dia 26 de agosto e na versão impressa no dia 20 de setembro.

 

 

 

 

 

 

 

 
Figura 1 –Estrutura do Complexo Hemoglobina-Haptoglobulina e sua posterior ligação com o receptor CD163. Acima: estrutura cristalográfica do complexo Hemoglobina(Hb)-Haptoglobulina(Hp). Abaixo: Modelo obtido por modelagem de dados de espalhamento de raios X a baixos ângulos (SAXS) para o complexo Hb-Hp e receptor CD163.
 
 
 

 
Trabalho científico publicado na revista Science discute a detecção de nanopartículas na atmosfera
 
A revista Science de 1 de setembro publicou um novo artigo do Prof. Paulo Artaxo (Depto de Física Aplicada) e colaboradores. Com ampla parceria incluindo IFUSP, Caltech, Universidade de Harvard, Instituto Max Planck, Lawrence Berkeley National Laboratory e outros, o estudo mediu nanopartículas emitidas pelas plantas na Amazônia que contem potássio, e mostrou que estas nanopartículas são chaves nos processos microfísicos de formação de nuvens na Amazonia. Foram utilizadas técnicas analíticas avançadas como scanning transmission x-ray microscopy with near-edge x-ray absorption fine structure analysis (STXM-NEXAFS) e Nano secondary ion mass spectrometry (NanoSIMS) para determinar a microestrutura de partículas orgânicas de aerossóis da Amazônia com tamanhos de 10 nanômetros ou maiores. Os espectros NEXAFS indicaram que todas as nanopartículas de 20 nm contem potássio, sugerindo que elas não são formadas na atmosfera, como se pensava, mas emitidas diretamente pela vegetação através de mecanismos desconhecidos até o momento. O estudo mostrou que estas nanopartículas são essenciais aos mecanismos de formação de nuvens e precipitação na Amazônia. O trabalho foi financiado pela FAPESP.

 

 


 
Trabalho a ser publicado na revista Nature caracterizando a fase “Bose-glass” por medidas a temperaturas de mKelvin
 
O fenômeno da condensação de Bose-Einstein, BEC, de quasi-partículas, também chamadas de magnons, em magnetos quânticos induzido por campos magnéticos foi assunto de várias investigações durante a última década, incluindo o composto NiCl2-4SC(NH2)2. Recentemente este composto foi estudado com adição de desordem, através de dopagem, e foi constatado o surgimento de uma nova fase, adjacente a fase condensada, a “Bose-glass phase”. Nesta fase, que foi teoricamente prevista, a dopagem prejudica a condensação com respeito ao sistema puro pela localização de Anderson (de quasi-partículas). No campo crítico do sistema puro os magnons não mais se condensam em um estado de momento zero, mas se fragmentam em um extenso número de estados localizados, e assim o estado fundamental do sistema perde a coerência global de fase, característica da fase BEC. As experiências foram conduzidas nos laboratórios de magnetismo do IFUSP (magnetização), de altos campos de Los Alamos (calor específico) e de baixas temperaturas de Gainesville (susceptibilidade magnética em temperaturas de mKelvin). A colaboração com outros laboratórios e experimentos complementares aos do IFUSP foi fundamental para o sucesso deste trabalho, inclusive com um suporte teórico na análise dos campos críticos, com um novo e universal expoente de escala, em acordo com resultados numéricos de um modelo teórico. O artigo científico em questão do Prof. Armando Paduan Filho (Depto de Física dos Materiais e Mecânica) em colaboração com o Prof. Nei Fernandes de Oliveira Jr deve ser publicado na edição da revista Nature do dia 20 de setembro.
 

 


 
Trabalho científico a ser publicado na revista Physica A acerca da apneia do sono
 
Um novo método desenvolvido no Instituto de Física (IF) da USP pelos professores Adriano M. Alencar e Andre P. Vieira (Depto de Física Geral) em colaboração com o professor da FMUSP, Geraldo Lorenzi-Filho, simplifica o diagnóstico da apneia do sono, distúrbio que é caracterizado por paradas respiratórias durante o sono. A partir dos sons do paciente captados por um gravador, o sistema calcula o Índice de Intervalos Temporais de Ronco (STII), em que os períodos prolongados sem respiração indicam a apneia. A técnica ainda incorpora a análise de flutuação de Hurst, utilizada em pesquisas nas áreas de Fonoaudiologia e Odontologia. Os resultados obtidos serão publicados na revista científica Physica A mas já foram objeto de destaque na BBC de Londres (http://www.bbc.com/future/story/20120816-can-snoring-reveal-an-illness), agência de noticias Reuters e, mais recentemente, no jornal Folha de São Paulo.