AUN destaca participação de estudantes em olimpíadas


Olímpiadas internacionais de física aguardam participação de brasileiros


Estudantes brasileiros recebem medalha em olimpíadas de física. Foto: Sociedade Brasileira de Física (SBF)

 

Durante três semanas entre junho e julho, 14 dos melhores estudantes de física do ensino médio de todo o País se reúnem no Instituto de Física da USP. O motivo? Foram selecionados entre centenas para representar o Brasil nas olimpíadas internacionais.

“Eles competem com os melhores estudantes das escolas mais desenvolvidas do mundo. O papel da participação nas olimpíadas é mostrar que quando o adolescente brasileiro tem ensino de grande qualidade, o resultado aparece”. Comenta o professor Airton Deppman, um dos responsáveis pelo treinamento.

Os estudantes são separados em grupos para participar de três eventos: Olimpíada Ibero-americana de Física, Olimpíada Europeia de Física e Olimpíada Internacional de Física. Primeiro, eles passam pelas olimpíadas brasileiras (tanto de escolas particulares quanto públicas), os melhores, que receberam medalha de ouro, concorrem em uma etapa seletiva para atuar nas competições internacionais. “São 14 selecionados no total, os cinco melhores vão para a competição internacional, os outros cinco para a europeia e os últimos quatro para a ibero-americana”.

O Brasil participa das olimpíadas há 18 anos, a Sociedade Brasileira de Física começou a se encarregar do treinamento e seleção a partir de 2004 e, desde 2015, a mesma comissão de professores é responsável pelo processo seletivo, pelo treinamento e por acompanhar os estudantes fora do país.

Apesar da separação em grupos, as aulas são as mesmas, porque as três competições têm nível extremamente elevado e programa muito parecido. A disputa tem provas teóricas e experimentais, que costumam ser o ponto fraco dos estudantes brasileiros, o processo seletivo, inclusive, não possui provas experimentais.

Segundo Deppman, “treinar para provas práticas gera um maior custo e exige equipamento mais sofisticado, o que limita a experiência do aluno”. Além disso, nas escolas brasileiras, a parte experimental costuma ser pouco abordada. Para suprir esta perda, durante o treinamento no IF, os estudantes fazem uma série de experiências, assistem palestras, visitam laboratórios e recebem kits científicos.

Os conceitos cobrados nas olimpíadas internacionais de física não são aprendidos no ensino médio regular. Em verdade, eles correspondem ao conteúdo aprendido por um estudante do ensino superior de física da USP ao final do segundo ano. Cálculo integral e diferencial, equações diferenciais, teoria da relatividade, elementos básicos da mecânica quântica, o nível exigido é muito alto, mas, com o treinamento, os jovens trazem grandes resultados.

Neste ano, a 49ª Olimpíada Internacional de Física foi realizada em Lisboa e contou com a participação de mais de 400 alunos. Dos cinco estudantes que participaram, um deles – de São Paulo – recebeu medalha de prata e os outros quatro – do Ceará – receberam medalha de bronze. A SBF é responsável por pagar a participação dos estudantes nas olimpíadas, a passagem e a hospedagem.

A prova das competições é feita em inglês. Os líderes de cada delegação (professores responsáveis pelos estudantes) recebem a prova e a discutem em uma comissão que envolve todos os representantes. Após, a prova é traduzida pelos líderes. Todo o processo dura aproximadamente 24 horas e, a partir deste momento, eles já não tem contato com os estudantes.

Os prêmios oficiais são medalha de ouro, prata, bronze e menção honrosa. Mas, dada a importância e dificuldade dessas olimpíadas, o principal benefício é que as melhores universidades do mundo facilitam a entrada dos competidores. “Os alunos que ganharam medalha de ouro foram estudar no exterior. As melhores universidades do mundo percebem o fator de seleção nas olimpíadas internacionais e estão de portas abertas para os alunos que participam”.

Existe muito questionamento em relação a preparação oferecida pelo IF, uma vez que ela treina alguns estudantes, mas não ajuda a melhorar o ensino no Brasil. Para o professor Deppman, entretanto, a questão não é estender este ensino especializado para todas as escolas do país, isso não seria possível. A real importância das olimpíadas é trazer os jovens para competir com os melhores do mundo e mostrar que, “quando o estudante brasileiro tem ensino de qualidade, o resultado aparece”.

“Nossos estudantes obtêm resultados altíssimos comparado com qualquer outro lugar do mundo. O fato de nosso ensino ser fraco gera um desperdício muito grande de talentos”. Assim, as olimpíadas têm duas principais funções: incentivar os estudantes que tem talento e gostam de física, e alertar para o desperdício de alunos muito talentosos. “Temos estudantes no Brasil que podem ter grandes conquistas e ser profissionais excelentes se tiverem educação de qualidade”.

Alguns profissionais criticam que o treinamento oferecido, por ser muito específico e por, segundo eles, não fazer com que os alunos aprendam de verdade. Mas, para Deppman, a Olimpíada Universitária desmente essa informação. “Organizada pela Universidade de Havana, em Cuba, envolve todos os países da América Latina e já teve duas edições. Em ambas, o primeiro colocado foi um estudante do Instituto de Física da USP que tinha participado das olimpíadas internacionais quando era mais jovem”.

A principal necessidade agora, segundo o professor, é desenvolver técnicas capazes de evidenciar, de forma cada vez mais precoce, os possíveis estudantes promissores de escolas públicas. “Reconhecidos esses talentos, as principais escolas particulares do Brasil estão dispostas a fornecer bolsa integral de estudo e ajuda de custos para moradias e alimentação. Não podemos continuar desperdiçando o potencial de nossos estudantes”.

FONTE DA NOTÍCIA: AUN - Agência Universitária de Notícias 

 

Término: 
14/11/2018