Panorama da produção científica do Brasil (2011-2016)

Acontece

Relatório da Clarivate para a Capes revela panorama da produção científica do Brasil (2011-2016)


O Relatório intitulado Research in Brazil [1], produzido pela equipe de analistas de dados da Clarivate Analytics para a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) apresenta elementos que corroboram significativa melhora de desempenho da pesquisa brasileira de 2011 a 2016 [2]. 

Os dados analisados foram obtidos do InCites, plataforma analítica baseada nos documentos (artigos, trabalhos de eventos, livros, patentes, sites e estruturas químicas, compostos e reações) indexados na base de dados multidisciplinar Web of Science editada pela Clarivate Analytics (anteriormente produzida pela Thomson Reuters). O Relatório procura responder perguntas sobre como a pesquisa brasileira está mudando e como o desempenho foi afetado por mudanças na política e no financiamento. Usando a bibliometria para analisar documentos de pesquisa brasileiros publicados entre 2011 e 2016, foram identificados pontos fortes e oportunidades para a política de pesquisa e ciência brasileira. Além dos dados de desempenho global, o Relatório contém apêndices que apresentam informações metodológicas e perfis dos estados brasileiros mais produtivos.

Esta matéria apresenta um resumo das análises, conclusões e gráficos contidos no Relatório original (tradução livre). As principais conclusões do Relatório foram:

Produtividade
• O Brasil é o 13º maior produtor de publicações de pesquisa (papers) em nível mundial e seus resultados de pesquisa crescem anualmente (Reprodução da Figura 1 original).


[1] Fonte dos dados: InCites – Clarivate Analytics Web of Science (2011-2016)

De acordo com os autores do Relatório, desde 1990, o governo brasileiro estabeleceu objetivos ambiciosos para aumentar as despesas internas brutas em pesquisa e desenvolvimento (em inglês Gross Domestic Expenditure on Research and Development – GERD) com uma porcentagem do Produto Interno Bruto (PIB). O objetivo atual, estabelecido em 2014, é alcançar 2% até 2019, de acordo com a Estratégia Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação (ENCTI) 2016-19, que colocou a inovação no país como uma estratégia central de aumento da produtividade, desenvolvimento econômico e social [3].

Embora esse objetivo não tenha sido cumprido – os dados da GERD mais recentes para 2014 situaram-se em 1,17% do PIB, ante 1,20% no ano anterior – em termos reais de financiamento, a pesquisa continua a crescer.

Qual é o impacto da pesquisa brasileira?

O número de citações que uma publicação de pesquisa (paper) recebe reflete o impacto que teve em pesquisas posteriores. As publicações científicas citam documentos anteriores para validar uma contribuição intelectual. Portanto, pode-se dizer que uma publicação (ou uma coleção de publicações) com uma contagem de citações mais elevada teve um impacto maior no campo de conhecimento ao qual se relacionou. No entanto, as taxas de citação também dependem da área de pesquisa e da idade de uma publicação científica (os documentos mais antigos tiveram mais tempo para obter citações em comparação com os mais recentes). Para explicar esses fatores, a contagem de citações de publicações foi normalizada em relação à média mundial de citações esperada para o campo de conhecimento e o ano de publicação. Neste Relatório, o termo “impacto de citação” é usado para referir-se à contagem média de citações normalizada para uma publicação científica ou grupo de documentos, em vez da contagem média de citações por publicação científica (paper).

• O impacto da citação do Brasil historicamente foi abaixo da média mundial, mas aumentou mais de 15% em relação aos últimos seis anos (Reprodução da Figura 3 original).


[1] Fonte dos dados: InCites – Clarivate Analytics Web of Science (2011-2016)

Ainda de acordo com o Relatório, o impacto do Brasil na produção científica mundial aumentou ano-a-ano de 0,73 em 2011 para 0,86 em 2016, um aumento de 18%. Caso essa tendência atual seja mantida, em 2021, o Brasil atingirá a média global de 1,0. Hoje, o Brasil produz alguns artigos altamente citados e alcançou boas taxas de citações entre os 1% dos artigos mais citados no mundo (aqueles com um impacto médio de citação maior ou igual a 4,0).

Colaboração internacional
Globalmente, a ciência torna-se cada vez mais colaborativa, cada país colaborando com cerca de 200 outros países. O impacto da citação parece correlacionar-se fortemente com as taxas de colaboração internacional. Portanto, os 80.291 documentos produzidos por autores brasileiros em co-autoria internacional alcançaram o impacto médio mundial de 1,31 pontos, ultrapassando o índice nacional de 0,86 (2016), e representam em torno de 32,03% do total de publicações científicas produzidas pelo Brasil no período (Reprodução da Figura 23 original). De acordo com o Relatório, é encorajador ver que, ao comparar os países que compõem o BRICS, o Brasil teve aumentos anuais no número de documentos produzidos em colaboração internacional, com impacto médio maior.

      
[1] Fonte dos dados: InCites – Clarivate Analytics Web of Science (2011-2016)

• Cada vez mais os pesquisadores brasileiros estão ultrapassando as fronteiras do país e mesmo indo além da América Latina. Os documentos resultantes de co-autorias internacionais têm tido um impacto maior do que a pesquisa realizada exclusivamente no Brasil.
• No geral, os co-autores da indústria colaboram com apenas cerca de 1% dos trabalhos de pesquisa brasileiros.
• As grandes empresas farmacêuticas foram os colaboradores industriais mais frequentes e a Petrobras foi a única empresa doméstica a colaborar significativamente com os cientistas brasileiros (Reprodução da Figura 13 original).


[1] Fonte dos dados: InCites – Clarivate Analytics Web of Science (2011-2016)

Comparação com países pares
• O Brasil se compara bem com países vizinhos e economicamente similares, registrando crescimento acima da média em impacto e colaboração internacional.
• O Brasil tem baixas taxas de colaboração industrial e internacional em comum com outros países em rápido desenvolvimento.
• Países economicamente similares (como a Índia) e pares regionais (como a Argentina) fornecem informações sobre diferentes abordagens para apoiar a pesquisa que poderiam ser mais exploradas pelos decisores políticos.

Oportunidades
• A composição da pesquisa brasileira revela atividade e excelência concentradas em campos que receberam investimentos setoriais.
• Os campos de meio ambiente. ecologia, psiquiatria, psicologia e matemática têm um impacto de citação aproximando-se da média mundial e são áreas em que o Brasil poderia emergir como líder.
• O aumento da colaboração inter-setorial entre a indústria nacional e a academia traria benefícios econômicos pelo desenvolvimento da fabricação de alta tecnologia – essa abordagem já é fundamental para a estratégia de política científica do governo.

Áreas onde o Brasil se destaca
Para uma visão geral foram utilizados 22 campos essenciais de indicadores de ciência (ESI). Para fornecer uma imagem mais granular de pontos fortes específicos, foram utilizadas as 252 categorias de assuntos da Web of Science de revistas científicas. Deve-se notar que a metodologia bibliométrica padrão utiliza o objeto da revista como um proxy para o assunto dos documentos constituintes. Essa abordagem é descrita mais detalhadamente no Apêndice 1.

De acordo com os autores do Relatório, uma proporção significativa do financiamento público brasileiro de desenvolvimento e inovação (P&D) é direcionada a setores específicos; 60% das despesas internas brutas em P&D vão diretamente para a pesquisa realizada nas instituições de ensino superior, com mais 10% na pesquisa não orientada e os restantes 30% alocados em setores específicos. Os maiores receptores são os setores agrícola (10%), tecnologia industrial (6%) e saúde (5%). Outra área que recebeu mais de um bilhão de dólares de financiamento direto nas últimas décadas foi a ciência espacial. A análise mostra que essas áreas também são aquelas em que o resultado da pesquisa é mais alto, tanto na visão geral quanto granular (Reprodução da Figura 31 original).


[1] Fonte dos dados: InCites – Clarivate Analytics Web of Science (2011-2016)

Ainda segundo os autores, as prioridades de pesquisa podem ser grandemente afetadas pelas mudanças na estratégia do governo. O meio ambiente é uma área fundamental para o governo brasileiro, pois procura equilibrar as demandas freqüentemente conflitantes de utilizar e preservar os recursos naturais únicos do Brasil. 

Medicina Clínica
Alta produtividade com excelência em especialidades selecionadas

Agricultura
Alto rendimento com baixo impacto internacional

Física e ciências espaciais
Excelência de colaboração internacional e financiamento doméstico de longo prazo

Campos emergentes
Campos que estão perto de perceber níveis internacionais de excelência: meio ambiente / ecologia, psiquiatria / psicologia e matemática.

Desempenho estadual e institucional
Ainda de acordo com o Relatório, a atividade de pesquisa no Brasil está concentrada em alguns estados (particularmente em São Paulo), mas vários estados apresentam um desempenho relativamente bom com base nas métricas de citação (Reprodução da Figura 36 original abaixo). 


[1] Fonte dos dados: InCites – Clarivate Analytics Web of Science (2011-2016)

A Universidade de São Paulo (USP) é a maior produtora de documentos de pesquisa científica do Brasil (mais de 20% da produção nacional). A Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) têm níveis médios de citações de seus artigos, localizando-se no patamar de 1% dos artigos mais citados no mundo. A Reprodução da Figura 39 original abaixo apresenta a lista de Universidades mais destacadas do Brasil. O Apêndice 2 apresenta os perfis de produção científica dos dez estados brasileiros mais produtivos.


[1] Fonte dos dados: InCites – Clarivate Analytics Web of Science (2011-2016)

== REFERÊNCIAS ==

[1] CROSS, Di; THOMSON, Simon; SIBCLAIR, Alexandra. Research in Brazil: A report for CAPES by Clarivate Analytics. Clarivate Analytics, 2018.

[2] CAPES. Documento disponibilizado à CAPES apresenta desempenho e tendências na pesquisa brasileira. Brasília, DF, Notícias Capes, 17 jan. 2018. Disponível em: <http://www.capes.gov.br/sala-de-imprensa/noticias/8726-documento-disponibilizado-a-capes-apresenta-desempenho-e-tendencias-na-pesquisa-brasileira> Acesso em 18 jan. 2018.

[3] OECD Science, Technology and Innovation Outlook 2016. Paris: OECD Publishing, 2016. Disponível em: <http://dx.doi.org/10.1787/sti_in_outlook-2016-en> Acesso em: 18 jan. 2018.



FONTE DA NOTÍCIA:
 
Elisabeth Adriana Dudziak
Divisão de Gestão de Desenvolvimento e Inovação
 

 

Término: 
31/03/2018