Proposta para o bacharelado do grupo de trabalho de 2004

No final de 1999, por iniciativa do Prof. Sílvio R. A. Salinas, então Diretor do Instituto de Física, um grupo de professores foi convidado para discutir objetivos e propostas para uma Reforma Curricular do nosso curso de Física. Esse grupo passou a se reunir com a Comissão de Graduação (CG), constituindo-se no núcleo responsável pelo processo de reforma curricular. O entendimento à época era que tal proposta deveria focalizar o curso de Bacharelado e não a Licenciatura, uma vez que o número de formandos desta última vinha crescendo nos últimos anos, enquanto que a evasão no Bacharelado atingia (e ainda atinge) cifras alarmantes. Após algumas reuniões desse grupo, foram montados Grupos de Trabalhos Temáticos (Mecânica, Eletromagnetismo, Física Moderna, Computação e Optativas), que contaram com a participação de representantes discentes e de outros docentes convidados. Esses novos grupos, de diferentes formas, produziram documentos com maior ou menor detalhamento, que serviram de base às inúmeras discussões posteriores de uma proposta de grade curricular. Infelizmente, por inúmeras contingências, essa proposta não avançou até atingir uma formulação mais concreta. Em 2001, como parte deste processo, o CEFISMA publicou um documento intitulado "Idéias, Considerações e Propostas sobre um Curso de Bacharelado em Física ", fruto principalmente das discussões entre os estudantes. Em outubro de 2002, foi instalada pelo Diretor do IF-USP, Prof. Gil da Costa Marques, a Comissão Coordenadora do Bacharelado em Física (CoC-B), comissão assessora da CG, tendo como uma de suas missões elaborar uma proposta de reforma curricular, que levasse em conta as discussões ocorridas nos últimos anos e os trabalhos anteriores dos outros grupos. O resultado do trabalho realizado pela CoC-B é aqui apresentado na forma de uma proposta de Reforma Curricular, que contempla conteúdos e as grades curriculares para o Curso de Bacharelado em Física, diurno e noturno. Esperamos que o histórico, a ser construído no futuro, contenha contribuições concretas de todo nosso Instituto.



DIRETRIZES DA REFORMA CURRICULAR DO BACHARELADO EM FÍSICA DO IF-USP



A presente proposta tem por objetivo organizar e estabelecer de forma consistente e encadeada os conteúdos a serem aprendidos e as habilidades fundamentais a serem desenvolvidas, necessários à formação de um Bacharel em Física. Na medida do possível, novas metodologias e "posturas" serão propostas nas diferentes disciplinas, de forma a atingir certos objetivos específicos, dentro de um conjunto de objetivos mais gerais.


A presente proposta visa, portanto, estabelecer um conjunto de conteúdos fundamentais, organizados em disciplinas, contidas dentro de uma grade curricular sequencial, que constituirão o chamado "Núcleo" do Bacharelado. A formação mais plena dentro de uma determinada área, ou mais eclética, deverá ser atingida através de um elenco de disciplinas optativas livres, de dentro e/ou de fora do nosso Instituto, propostas pelo corpo docente qualificado e experiente para tal empreendimento. Nesse sentido, uma ampla revisão das disciplinas optativas deverá ser realizada. A utilização de partes dos créditos livres em um trabalho de fim de curso, estágio supervisionado ou mesmo iniciação científica não foi aqui contemplada, mas certamente poderia ser discutida no âmbito do Instituto. Embora alguns anos já se passaram desde o início do processo de Reforma Curricular, várias das diretrizes elaboradas inicialmente ainda são válidas. Desta forma, este documento contem parte do arrazoado elaborado inicialmente, mas procura explicitar melhor as razões da presente proposta.

Como diretrizes gerais entendemos:


a flexibilização da estrutura curricular através da redução do número de créditos necessários à obtenção do grau de Bacharel em Física evitando longos programas de formação específica,
definição de um núcleo de disciplinas comum a todos os graduandos, eliminando-se superposições desnecessárias de conteúdos e o encadeamento dos conceitos em grau crescente de completeza,

revisão de estratégias e abordagens didáticas, buscando promover uma participação mais ativa dos estudantes em seu próprio processo de formação,

criação de mecanismos que garantam o acompanhamento e a implementação da reforma nos próximos anos.

Como ações concretas, para atingirmos os objetivos traçados nas diretrizes acima, propomos:


uniformização da carga horária total em 168 créditos, sendo 128 créditos obrigatórios e 40 optativos livres,

extinção de imposições em cursar um número mínimo de disciplinas optativas pré-fixadas,
aferição da demanda por disciplinas optativas em pré-matrícula,

re-organização das disciplinas teóricas de Física Básica,

criação de uma nova disciplina de primeiro semestre "Tópicos Especiais de Física", com crédito-trabalho, para aproximar o corpo docente dos ingressantes, através de seminários de área atuais e motivadores.
redefinição dos conteúdos das disciplinas-Matemáticas de forma a melhor instrumentalizar os cursos de Física,

redefinição dos pré-requisitos para que a reprovação em disciplinas sequenciais não congele o avanço do estudante na grade curricular,

re-estruturação dos laboratórios didáticos através da definição de um número de objetivos condizente com a carga horária e organizados em grau de complexidade crescente,
definição de metodologias mais motivadoras para os cursos teóricos básicos, que englobem, além de aulas expositivas, experimentos de demonstração e aulas de exercício,

organização de uma bancada de experimentos de demonstração e videoteca catalogadas, acessíveis através de um serviço técnico agendado,

definição, com as equipes de docentes e funcionários responsáveis pelos cursos experimentais, da infra-estrutura necessária para a execução e análise dos experimentos (por exemplo, ampliação do espaço para os laboratórios didáticos, sala de micro-computadores para as atividades experimentais e trabalhos de curso, reposição de equipamentos, adequação das funções técnicas, etc.)
ampliação da infra-estrutura disponível no período noturno,

oferecimento de plantões de monitorias em horário acessível, principalmente aos estudantes do noturno,

definição de uma parceria pedagógica com os estudantes de graduação e pós-graduação, na forma de monitorias, para a execução de atividades didáticas que necessitem de um atendimento mais personalizado dos estudantes de graduação.

Esta proposta atualizada foi encaminhada à Comissão de Graduação do IF-USP para ser em seguida discutida nas diferentes instâncias do Instituto.



 


Antonio D. dos Santos, Bruno R. Lenzi, Deborah M. Raphael, Elisabeth M. Yoshimura, Márcia C.A. Fantini e Oscar J.P. Éboli

São Paulo, 07 de abril de 2004.

 

Página Relacionada:

Proposta para o período diurno - Grupo de Trabalho de 2004