Aumento no número de integrantes no grupo, reforço nos processos de estudo e segundo lugar conquistado pela equipe da USP é resultado de um processo de institucionalização no preparo para o torneio.
Com informações da equipe "The Wronskians".
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A equipe de estudantes do Instituto de Física da USP ficou em segundo lugar no Brazilian Physicists Tournament 2025 (BPT), competição acadêmica que simula, em formato de torneio, o trabalho de investigação científica. A oitava edição do evento reuniu sete universidades brasileiras e foi realizado no Rio de Janeiro, nas instalações do IMPATECH, centro de ensino e pesquisa do IMPA.
O BPT é estruturado em rodadas conhecidas como physics fights, nas quais três equipes participam simultaneamente, assumindo papéis distintos. Em cada rodada, uma equipe atua como apresentadora, responsável por expor a investigação científica desenvolvida sobre um dos problemas propostos pelo torneio; outra equipe assume o papel de opositora, questionando métodos, hipóteses e conclusões apresentadas, enquanto a terceira atua como moderadora, conduzindo o debate e garantindo o cumprimento das regras e do tempo. As equipes são avaliadas em cada um desses papéis por uma banca de jurados.
A escolha dos problemas apresentados não é livre: cabe à equipe opositora definir qual problema será defendido pela equipe apresentadora, o que introduz um forte componente estratégico à competição. Ao longo do torneio, as equipes precisam demonstrar domínio teórico, qualidade experimental, clareza de comunicação e capacidade de argumentação científica.
A competição ocorre ao longo de três dias. Nos dois primeiros, as equipes das universidades se enfrentam em diferentes rodadas, alternando os papéis de apresentação, oposição e moderação. As três equipes melhor colocadas avançam para a etapa final, disputada no terceiro dia: ela tem peso maior na pontuação e pode alterar significativamente a classificação geral.
Nesta rodada decisiva, o time USP teve atuação excepcional, obtendo as maiores notas da final nos três papéis avaliados: apresentação, oposição e moderação — evidenciando domínio completo do formato e das exigências da competição. A pontuação final refletiu o alto nível da disputa: a diferença entre as três equipes finalistas foi de apenas alguns pontos.
O excelente resultado reflete mudanças estruturais importantes implementadas ao longo do último ano. Pela primeira vez, a preparação para o torneio contou com uma disciplina formal, oferecida ao longo do semestre e coordenada pelo professor Germano Penello, com a colaboração do pesquisador associado Rodrigo Benevides. A iniciativa ampliou significativamente o número de estudantes envolvidos e garantiu maior continuidade, organização e profundidade no trabalho desenvolvido.
Outro diferencial foi a presença, no time, de estudantes que já haviam participado de competições científicas semelhantes no ensino médio, o que trouxe experiência estratégica e segurança nas apresentações. A equipe final foi definida por meio de um processo seletivo interno, baseado em apresentações e avaliações conjuntas de estudantes veteranos e docentes.
O desempenho no BPT também evidenciou a importância do apoio institucional. A equipe contou com a colaboração fundamental do Laboratório Didático e do Laboratório de Demonstrações, em especial com o apoio técnico do físico Cláudio Furukawa, que auxiliou no desenvolvimento e aprimoramento dos experimentos ao longo da preparação.
Mais do que uma competição, o BPT reproduz de forma intensa e dinâmica o processo científico real: hipóteses são formuladas, testadas, questionadas, reformuladas e defendidas publicamente. O excelente desempenho do Instituto de Física nesta edição confirma o amadurecimento da equipe e consolida a participação no torneio como uma experiência formativa de alto impacto na graduação.
Equipe
- Artur Libanio de Araujo Yordaky (capitão)
- Ana Beatriz Bandeira Martins
- Gregory Almeida Dias do Rosário
- Lívia Tiemi Bidoia de Freitas
- Lorenzo Ferreira Cicoti
- Ted Martins Paulo da Silva
Prof. Germano, Ted, Ana, Artur, Lorenzo, Lívia, Yasmim e Gregory. Foto: Arquivo pessoal.

