Sobre o artigo: Thermal Induced Changes in Cuticle and Cortex to Chemically Treated Hair
Dos autores C. R. R. C. Lima, A. C. C. Bandeira, T. S. Martins, L. Otubo e C. L. P. Oliveira.
Publicado em Biopolymers em 13/12/25.
Informações dos pesquisadores Cristiano Oliveira e Cibele Lima.
--
Pesquisadores do Instituto de Física da USP (IFUSP), publicaram na revista Biopolymers um estudo que esclarece como a exposição ao calor proveniente de ferramentas térmicas intensifica os danos em cabelos submetidos a tratamentos químicos, como alisamentos ácidos e descolorações. Algumas alterações também ocorrem em cabelos virgens (naturais), mas a pesquisa mostrou que estes danos são mais potentes em cabelos quimicamente tratados, como já era esperado. Porém, o estudo trouxe uma nova abordagem multifatorial de como estes danos ocorrem e quais as micro e nano estruturas mais afetadas.
Utilizando as técnicas de Espalhamento de Raios X (SAXS e WAXS), microscopia eletrônica e espectroscopia na região do infravermelha (FTIR), o estudo investigou como o aumento da temperatura atua sobre fibras capilares naturais e já processadas quimicamente. Os resultados mostram que a combinação de procedimentos de transformação química e calor provoca alterações profundas tanto na cutícula quanto no córtex do fio, comprometendo sua integridade e resistência. As estruturas relacionadas ao complexo de membrana celular (CMC) das mechas de cabelo submetidas ao alisamento ácido também sofrem alterações, o que leva este tipo de cabelo a apresentar um perfil de desidratação diferente daqueles não tratados. Esses resultados somente puderam ser obtidos com os experimentos de aquecimento in situ combinados às técnicas de SAXS e WAXS.
O estudo comprovou que a exposição térmica promove perda de lipídios essenciais e mudanças na organização das proteínas de queratina, levando a danos que se acentuam conforme a temperatura aumenta. Os autores destacam que a combinação frequente de ativos oxidantes com o uso constante de ferramentas térmicas pode causar alterações irreversíveis na fibra capilar.
Os resultados fornecem subsídios científicos para o desenvolvimento de formulações cosméticas mais eficazes e orientações práticas para minimizar danos em cuidados capilares. A pesquisa reforça a importância de abordagens multidisciplinares na compreensão de materiais biológicos e suas respostas a tratamentos comuns na rotina dos cuidados pessoais.
Do ponto de vista prático, dentre os diversos resultados obtidos, o estudo demonstra que os cabelos submetidos ao alisamento ácido apresentaram alterações quando submetidos a temperaturas superiores a 60oC, induzindo a perda das transformações promovidas pelo alisamento. Em outras palavras, cabelos submetidos a tratamentos cosméticos não devem ser secos com ar muito quente.

