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Sereias Gravitacionais: A Nova Fronteira para Medir o Cosmos

Por Raul Abramo. Reprodução a partir da Newsletter Polígono. Acesse AQUI.

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Todos nós já passamos pela vexação de tentar estudar algum assunto e não entender nada. Ou pior, às vezes quanto mais investigamos algo, menos entendemos. De um certo modo, é isso que está acontecendo na área da Cosmologia, a área da ciência que estuda a origem e evolução do universo.

A Cosmologia moderna começou quando Edwin Hubble, há 100 anos, descobriu que galáxias distantes estão se afastando de nós e, quanto mais distantes as galáxias, mais rápido elas se afastam. A conclusão lógica dessa observação implica que o universo está em expansão. A razão entre distâncias e velocidades de afastamento chama-se "constante de Hubble" e é o parâmetro cosmológico mais importante na nossa descrição do universo.

Ocorre, entretanto, que na prática essa medida é infernalmente complicada. As velocidades das galáxias, na verdade, são a parte fácil: o efeito Doppler faz com que a luz de qualquer fonte luminosa que se afaste de nós seja avermelhada, assim como o som de uma ambulância que passou por nós se torna mais grave – o efeito conhecido como redshift da luz.

O problema em medir a constante de Hubble está nas medidas de distâncias das galáxias. Note que as galáxias mais próximas de nós estão a alguns milhões de anos-luz de nós, o que torna um pouco difícil estender uma trena até lá. É verdade que não precisamos necessariamente de uma régua ou uma trena: você quase certamente usa a técnica da paralaxe para estimar distâncias usando os seus dois olhos, mas para objetos muito distantes a paralaxe deixa de funcionar – e o mesmo vale para estrelas e galáxias distantes.

De fato, Hubble conseguiu fazer a primeira medida da constante que leva o seu nome usando uma técnica inventada pela astrônoma Henrietta Leavitt no começo do século 20, que consiste em escolher cuidadosamente certos tipos de estrelas cujas luminosidades são (acredita-se) razoavelmente bem conhecidas.

Imagine que em um poste há uma lâmpada de 100W, que você enxerga desde a uma certa distância. Através da luminosidade aparente da lâmpada (aquela que você percebe com os seus olhos), e sabendo que aquela lâmpada tem 100W, você seria capaz de inferir a distância até ela.

A maior parte das medidas de distância desde então, até hoje, foram obtidas por meio desse método, utilizando estrelas conhecidas como Cefeidas, mais próximas de nós, que foram então utilizadas para estender essa técnica para incluir explosões estelares conhecidas como Supernovas. Porém, para essa técnica de medir distâncias funcionar, é fundamental conhecer com precisão as luminosidades intrínsecas dessas fontes de luz, também conhecidas como "velas padrão" – mas infelizmente até hoje não sabemos se essas "velas" são tão "padronizadas" assim. 

Mais recentemente, também pudemos medir a taxa de expansão do universo através de observações de uma natureza totalmente distinta, por meio da luz que foi liberada após o Big Bang e que hoje observamos por meio da Radiação Cósmica de Fundo (RCF). A temperatura da RCF contém sinais da expansão do universo e nos permite também inferir a taxa de expansão – a constante de Hubble.

Então, após mais de 100 anos de pesquisas e uma vasta dinheirama investida em telescópios e detectores, temos duas medidas independentes da taxa de expansão, que podemos mostrar como "troféus" da grande conquista da compreensão do cosmos. Exceto que, para grande surpresa da comunidade científica, essas duas medidas parecem ser irremediavelmente incompatíveis.

As medidas que estendem a observação original de Hubble indicam que a taxa de expansão é de 73 km/s para cada megaparsec (Mpc) de distância, enquanto que as medidas da RCF parecem mostrar que a taxa de expansão é de 67 km/s/Mpc. Como cada medida tem uma "barra de erro" menor do que 1%, a chance delas serem compatíveis é algo como 0.0000025% – ou uma parte em 4 milhões. Essa "tensão" entre as duas medidas é mais do que um embaraço: ela pode estar apontando para algum problema fundamental na nossa descrição do cosmos e da própria Física.

Mas antes de jogar a toalha vamos lembrar que ambas medidas têm problemas: a primeira sofre do pecado original de não sabermos bem quais as luminosidades dessas estrelas Cefeidas e Supernovas. A segunda é prejudicada pelo fato de se basear em observações do universo primordial (a RCF foi formada meros 400.000 anos após o Big Bang) e, portanto, é uma extrapolação para os dias de hoje. Quem sabe uma medida mais confiável não poderia indicar o caminho?

É nesse momento que entra uma categoria completamente nova de medidas da taxa de expansão que só se tornou possível na última década. Ela se baseia nas observações de ondas gravitacionais emitidas por nada menos do que pares de buracos negros que estão em órbita muito próxima e que eventualmente se chocam. Essas ondas, uma previsão de Albert Einstein quando ele superou Isaac Newton com a sua Teoria da Relatividade Geral, têm sido detectadas desde 2015 pelo LIGO (Laser Interferometry Gravitational wave Observatory), nos Estados Unidos, e mais recentemente pelos detectores VIRGO (na Europa) e Kagra (no Japão).

Fusões de buracos negros são eventos fantásticos: se por um lado eles desafiam a nossa imaginação, por outro eles são uma dádiva do cosmos para os físicos. Isso porque o objeto gravitacional mais simples do universo é o buraco negro. E o segundo objeto mais simples é... um par de buracos negros!

Isso faz com que a emissão de ondas gravitacionais dessas fusões de buracos negros sejam conhecidas com grande precisão – em outras palavras, sabemos muito bem a luminosidade dessas "lâmpadas gravitacionais", também conhecidas como "sereias escuras". Isso significa que a técnica inventada por H. Leavitt pode agora ser utilizada num contexto em que ela jamais imaginaria: em vez de luz, ondas gravitacionais; em vez de velas padrão, sereias escuras.

Porém, as coisas nunca são tão fáceis: apesar de podermos inferir as distâncias até essas fusões de buracos negros, não temos como medir a velocidade de afastamento deles – uma medida que depende da observação de uma galáxia e de sua luz, que usamos para medir o redshift.

E por melhor que sejam os detectores de ondas gravitacionais, eles não são capazes de determinar em quais galáxias as fusões de buracos negros estão ocorrendo. No único caso em que um evento de ondas gravitacionais foi associado a uma galáxia, tratou-se de uma fusão de estrelas de nêutrons, cuja emissão de luz foi observada por diversos telescópios. Mas no caso de fusões de buracos negros, essa associação direta não é possível, nem no caso mais otimista. 

Mas então como medir ao mesmo tempo distâncias e redshifts? A resposta é que não precisamos medir ambas simultaneamente. Como mostramos em dois artigos recentes, há uma associação estatística entre as posições das galáxias – no jargão da área, há uma correlação espacial entre elas. Isso significa que, ao medir vários eventos de fusão de buracos negros e suas distâncias por um lado, e milhões de galáxias e seus redshifts por outro, podemos encontrar uma correlação entre as distâncias dos buracos negros e os redshifts das galáxias. Essa correlação é dada justamente pela... constante de Hubble!

No artigo arXiv:2512.15380 (Santiago de Matos et al.) fizemos as primeiras medidas da taxa de expansão por meio dessa técnica. Os erros ainda são grandes, devido ao número ainda reduzido de fusões de buracos negros bem localizadas, mas nos próximos anos iremos detectar um número exponencialmente maior desses eventos, melhorando cada vez mais essas medidas. Nossas estimativas, feitas em outro artigo (arXiv:2412.00202, Ferri et al.), demonstram que em poucos anos as medidas utilizando ondas gravitacionais vão resolver de uma vez por todas o mistério da taxa de expansão do Universo. 100 anos após Hubble e 110 anos após Einstein, está mais do que na hora de resolver esse mistério.

Novo projeto da Professora Thais Enoki em colaboração com a Universidade Livre de Bruxelas

Com informações da AUCANI e da pesquisadora Thais Enoki.

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A proposta "Hemifusion unveiled: Collective lipid relaxations in asymmetric membranes", projeto bilateral entre a Universidade de São Paulo (USP) e a Université Libre de Bruxelles (ULB), foi contemplada na chamada do Edital AUCANI nº 2196 – Université Libre de Bruxelles (Bélgica) – Call for Proposals for the Development of New Collaborative Projects.

A proposta, vinculada ao Departamento de Física Experimental por meio da Profa. Thais Enoki, versa sobre o estudo da hemi-fusão em bicamadas lipídicas. A pesquisadora já vem utilizando o processo de hemi-fusão para a fabricação de membranas lipídicas assimétricas no IFUSP. De forma independente, a pesquisadora Patrícia Losada-Perez (ULB) reproduziu o método proposto e mediu a barreira de energia para a hemi-fusão ocorrer. Essa barreira de energia depende de propriedades físico-químicas das membranas envolvidas e é diretamente afetada pela interação intra- e entre monocamadas lipídicas.

Nesta proposta conjunta, as pesquisadoras vão unir forças para investigar como diferentes lipídios afetam essa barreira de energia, e em particular o colesterol.

 
 

Acadêmicos contemplados com o título de Pesquisador Emérito do CNPq

Portal do CNPq. Acesse AQUI.

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O título tem como objetivo reconhecer cientistas brasileiros ou estrangeiros radicados no Brasil há pelo menos dez anos pelo conjunto de sua obra científico-tecnológica e por seu renome junto à comunidade científica.

O Prof. Sílvio Salinas (FGE - IFUSP) é o agraciado na categoria Ciências Exatas e da Terra, em reconhecimento a suas pesquisas em Física Estatística.

Artigo | Terahertz and mm-Wave Research in Latin America

Dos autores Enrique Castro-Camus, Daniel Ferrusca, John Carpenter, David Hughes, Naser Qureshi, Raul O. Freitas, Elodie Strupiechonski, Jimy Oblitas, Mariana Alfaro-Gomez, Alma Montserrat Gomez-Sepulveda, Felix G. G. Hernandez, Federico Sanjuan e Monica Ortiz-Martinez.
Publicado no Journal of Infrared, Millimeter, and Terahertz Waves. Acesse AQUI.
Com informações do pesquisador Felix Hernandez.
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Review de autoria de diversos pesquisadores da América Latina sobre o desenvolvimento da pesquisa em Terahertz na região. Destacamos a participação do Prof. Felix Hernandez, em sua contribuição para a seção 6, sobre pesquisa em materiais, ressaltando as contribuições de universidades brasileiras no início desta área assim como a liderança atual destas instituições em infraestrutura.

Resumo (traduzido do artigo):
Neste artigo de revisão, apresentamos uma visão geral abrangente das diversas atividades relacionadas a terahertz e ondas milimétricas na América Latina. A região abriga dois dos maiores radiotelescópios do mundo, uma linha de luz de síncrotron para terahertz e diversas atividades relacionadas a fontes, detectores e instrumentação. Além disso, descrevemos aplicações da espectroscopia e imageamento em terahertz em inspeção de materiais, biomedicina, indústria, agronomia e patrimônio cultural, entre outras áreas. Embora tenhamos procurado incluir uma gama diversificada de tópicos e grupos de pesquisa, esta revisão não é exaustiva e existem outras atividades que não pudemos incluir.

-> O artigo completo pode ser acessado AQUI.

 

Professor Cristiano Oliveira integra grupo estratégico da USP para fortalecer conexão com egressos e mercado

Com informações do Diário Oficial do Estado.  
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O professor Cristiano Luís Pinto de Oliveira, vice-diretor do Instituto de Física, passa a integrar um grupo de trabalho estratégico criado pela Reitoria da USP com a missão de organizar o evento Alumni USP Talks, iniciativa voltada à aproximação entre a universidade e o mercado de trabalho. 

A designação, com duração de dois anos, reúne docentes de diferentes unidades da universidade e tem como objetivo organizar encontros que promovam o diálogo entre ex-alunos de destaque, estudantes, pesquisadores e o público em geral. O foco do Alumni USP Talks será discutir desafios contemporâneos e refletir sobre como essas questões impactam a formação profissional, além de fortalecer a relação entre universidade e setor produtivo.

 

Cristais de açúcar podem se tornar detectores para a busca de matéria escura

 

Com informações do pesquisador Pedro V. Guillaumon.

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Um projeto coordenado pelo Prof. Pedro V. Guillaumon, do Instituto de Física da Universidade de São Paulo (USP), demonstrou pela primeira vez que cristais de açúcar (sacarose) podem funcionar como detectores criogênicos operados próximos do zero absoluto, a cerca de 15 miliKelvin. O resultado indica que materiais orgânicos comuns podem se tornar uma nova classe de detectores para experimentos de busca direta de matéria escura.

A sacarose possui uma característica particularmente interessante para esse tipo de experimento. Cada molécula contém 22 átomos de hidrogênio (C₁₂H₂₂O₁₁), o que torna o material potencialmente sensível a interações com candidatos de matéria escura de baixa massa, conhecidos como light WIMPs.

Quando uma partícula deposita energia no cristal, ocorre uma variação extremamente pequena de temperatura. Em detectores criogênicos, essas variações podem ser medidas por sensores térmicos altamente sensíveis. No experimento realizado, os sinais foram detectados utilizando sensores do tipo NTD (Neutron Transmutation Doped).

O resultado é especialmente interessante porque cristais orgânicos complexos, como os de açúcar, não eram considerados candidatos naturais para detectores desse tipo. A demonstração de funcionamento desses cristais abre um novo caminho no desenvolvimento de detectores criogênicos.

Embora ainda seja necessário realizar novos testes para compreender melhor a performance e a viabilidade desses detectores na busca direta de matéria escura, o estudo mostra que materiais orgânicos podem desempenhar um papel inesperado nesse tipo de instrumentação. Em uma próxima etapa, pretende-se acoplar esses cristais a sensores quânticos de temperatura do tipo TES (transition-edge sensors).

O projeto foi desenvolvido no Max Planck Institute for Physics, em Munique, com participação direta do Prof. Guillaumon tanto na concepção da ideia quanto nas diferentes fases experimentais, incluindo o crescimento dos cristais utilizados no estudo.

A pesquisa integra as atividades do recém-criado Quantum Sensing and Low-temperature Detectors Group do Instituto de Física da USP, criado e coordenado pelo Prof. Guillaumon, que se dedica ao desenvolvimento e à aplicação de detectores criogênicos operando a aproximadamente 15 millikelvin, em associação com sensores quânticos. Esses sistemas de alta sensibilidade permitem investigar questões fundamentais da física contemporânea, como a natureza dos neutrinos e da matéria escura.

Além das aplicações em física de partículas, o grupo também explora o potencial desses detectores em frentes interdisciplinares, incluindo estudos de processos raros, como o possível decaimento do lutécio-176, ainda não observado experimentalmente, bem como aplicações em metrologia de precisão e monitoramento ambiental. Essas iniciativas são desenvolvidas em colaboração com instituições nacionais, como a UNICAMP, e parceiros industriais, como a Petrobras, contribuindo para a consolidação de novas interfaces entre ciência básica, inovação tecnológica e ciência de dados.

O grupo também atua no desenvolvimento de métodos avançados de análise de dados, com uso de técnicas de machine learning e automação, fundamentais para o tratamento de sinais de alta complexidade gerados por detectores criogênicos e sensores quânticos. Essa integração entre instrumentação experimental e inteligência computacional amplia o alcance científico e tecnológico das pesquisas desenvolvidas.

Parte significativa dessas linhas de pesquisa está sendo estruturada de forma inédita no Brasil, fortalecendo a inserção da USP em áreas estratégicas da física experimental contemporânea.


-> O artigo científico pode ser consultado na íntegra AQUI

Mudança na Divisão Acadêmica do IFUSP

Com informações da Divisão Administrativa.
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Comunidade IFUSP,

Anunciamos que, a partir de hoje, 02/04/2026, a Divisão Acadêmica será chefiada pela Ana Lúcia Rodrigues Antonio do Nascimento, experiente servidora do IFUSP já parte da equipe acadêmica.

O Instituto de Física dá as boas-vindas à Ana em seu novo cargo e deseja sucesso no novo ciclo de trabalho.

Neste momento de mudança, a equipe da Divisão expressa seu carinho e gratidão à atuação de Madalena ao longo dos anos chefiando o setor: 

"Após 20 anos à frente da Divisão Acadêmica, a Madalena, ou 'Mada', como carinhosamente é conhecida, foi convidada a assumir novos desafios no IFUSP. Dizer obrigado parece pouco para quem, durante todo esse tempo, pôde demonstrar sua dedicação, seu vasto conhecimento sobre estatuto, regimentos, legislações e sua capacidade de guiar a equipe com sabedoria e serenidade.

Tudo isso foi fundamental para enfrentar os desafios e realizar as diversas atividades desta área, sem deixar de construir e manter um ambiente suave, de parceria e aprendizado contínuo, além de sempre ter uma palavra amiga e um ouvido atento a quem precisa de um alento. Sua trajetória aqui é sinônimo de resiliência e competência.

Sentiremos falta da sua presença diária, mas celebramos esta nova etapa com a certeza de que sua marca é indelével. Só resta gratidão, por cada ensinamento, e admiração de quem aprendeu com essa pessoa admirável que você é, Mada.

Sucesso nessa nova jornada!!!
"

A servidora Madalena Zeitum permanece no Instituto, contribuindo em outras funções.

 

Particle Therapy Masterclass 2026 reúne mais de 50 estudantes de ensino médio no IFUSP e na Faculdade de Medicina

Com informações do pesquisador Paulo Roberto Costa.

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Nos dias 26 e 27 de março de 2026, o Instituto de Física da USP (IFUSP) e a Faculdade de Medicina da USP (FMUSP) receberam mais de 50 estudantes do ensino médio para a segunda edição do Particle Therapy Masterclass (PTMC) — evento pioneiro no Brasil que promove o diálogo interdisciplinar entre Física e Medicina.

Coordenado pelos professores Paulo Roberto Costa (IFUSP) e Roger Chammas (FMUSP), o evento contou ainda com a participação da professora Edilaine H. da Silva (IFUSP), do físico Marcos Vinícius Rodrigues e dos bacharelandos em Física Médica Barbara Penitente, Wagner Marques e Victor Premero.

O PTMC tem como inspiração o tradicional programa de extensão Masterclass Hands on Particle Physics, já realizado pelo IFUSP há vários anos. Dedicado à área de Física Médica, seu foco está nas terapias por partículas aplicadas ao tratamento do câncer — e, nesta edição, a programação também incorporou tópicos de imagens médicas, com destaque para a Tomografia Computadorizada. A proposta é proporcionar aos jovens uma vivência científica rica e interativa, que combina teoria, prática e diálogo entre diferentes áreas do conhecimento.

A programação foi dividida em dois dias. No primeiro, realizado no Auditório Adma Jafet do IFUSP, os participantes foram introduzidos ao campo da Física Médica, às causas e prevenção do câncer e aos princípios da oncologia de precisão. À tarde, os estudantes vivenciaram atividades práticas de planejamento radioterápico com uso de simulações computacionais, conduzidas pelos monitores sob supervisão da equipe organizadora.

O segundo dia aconteceu na Sala do Futuro da Faculdade de Medicina, onde os alunos participaram de uma videoconferência com o renomado Centro de Pesquisa GSI, da Alemanha, e debateram os conhecimentos adquiridos com professores e colegas. O encerramento reuniu todos em uma roda de conversa para troca de impressões sobre a experiência.

Participaram do evento estudantes de seis instituições da capital: Escola Lumiar Vila Olímpia, Colégio Francisco Pio XII, Colégio Rio Branco (unidades Higienópolis e Granja Vianna), Colégio Visconde de Porto Seguro e Colégio N. Sra. das Graças.

A intensidade das trocas entre estudantes, professores e monitores foi uma das marcas desta edição. O prof. Roger Chammas resumiu bem esse clima: "A inquietação, as conversas que se seguiram às apresentações, e perceber que os alunos se projetam na nossa Universidade a partir do próximo ano resgatam nosso papel como educadores, e nos deixam com aquela vontade de logo repetir a experiência."

A profa. Edilaine Honório compartilhou percepção semelhante: "Participar do PTMC foi uma experiência muito rica. É sempre um desafio comunicar ciência a alunos e alunas do ensino médio, mas o entusiasmo deles em participar das atividades propostas foi um excelente lembrete de que é possível, necessário e recompensador fazê-lo."

Para o prof. Paulo Costa, o PTMC exemplifica o que a extensão universitária pode ser em sua melhor forma: "Esta foi uma atividade em que todos os envolvidos saem ganhando. Os estudantes, por terem acesso não somente a conhecimentos que levam a métodos de tratamento inovadores, mas também por conhecerem e terem a oportunidade de se identificar com o ambiente universitário. Os professores, que estabelecem conexões autênticas e enriquecedoras com alunos e alunas que estão decidindo seus futuros profissionais. Os monitores, que tiveram a oportunidade de apresentar seus conhecimentos em construção. E, por fim, a Universidade como um todo — pois o PTMC permite divulgar ainda mais seus cursos de graduação, seja o Bacharelado em Física Médica ou o curso de Medicina."

 

Fotos das atividades no IFUSP durante o evento Particle Therapy Masterclasses. Arquivo pessoal de Paulo Roberto Costa.

Doutorando IFUSP recebe prêmio de melhor apresentação na maior conferência internacional de física

O doutorando Gabriel Pereira Xavier foi premiado com o Excellent Talk Award (Newton – Cell Press) no APS Global Summit 2026, evento organizado pela American Physical Society.

A distinção reconhece a apresentação "How Stable are Perovskite Monolayers? A First-Principles Study of Mechanical and Electronic Properties of Perovskenes", preparada a partir de sua investigação de doutorado desenvolvido no Instituto, sob a orientação de Gustavo Dalpian. A pesquisa utiliza simulações computacionais baseadas na Teoria do Funcional de Densidade (DFT) para investigar instabilidades intrínsecas em monocamadas de Perovskitas de Haleto — materiais com propriedades promissoras para aplicações optoeletrônicas —, além de explorar suas propriedades mecânicas e eletrônicas em baixa dimensionalidade. 

O trabalho contou com a colaboração de Lucas Farigliano e Roberto Hiroki, a quem o doutorando direciona seus agradecimentos, além de seu orientador. Gabriel também destaca a importância de sua graduação na Ilum - CNPEM, bem como do financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) e do INCT – Materials Informatics e os recursos computacionais disponibilizados pelo Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC) e pelo Centro Nacional de Processamento de Alto Desempenho em São Paulo (CENAPAD-SP).

 

 

Fotos no evento da APS. Arquivo pessoal de Gabriel Xavier.

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