Texto por José Hirata, Mazé Bechara e Suzana Salem.
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Há pessoas que marcam a vida das pessoas e das instituições pela sua forma de ser, agir e interagir de maneira que as marcas permanecem, mesmo quando ninguém lembre ou saiba de como elas se fizeram. Olacio Dietzsch foi uma destas pessoas em sua vida de docente e físico nuclear no Instituto de Física da Universidade de São Paulo. Iniciou linhas de pesquisa que permanecem importantes e, sempre ativo e atento aos novos rumos da física nuclear e de partículas, nunca se acomodou. Nós tivemos a sorte e o privilégio de termos convivido com ele no mundo acadêmico. Ele não conquistava pela sedução instantânea, mas era com quem se aprende e apreende, nunca de forma rasa, em cada vivência e conversa, sobre ética, valores acadêmicos, postura diante do trabalho e na interação interpessoal.
Ele não se limitava a formar um pesquisador, mas um docente, estimulando que nos iniciássemos desde bolsistas na importante tarefa de dar aulas e ensinar estudantes mais jovens no grupo de pesquisa, com a consciência de estarmos em uma universidade pública brasileira. Olacio nos ensinou a diferença entre um centro de pesquisa e uma universidade de pesquisa, onde o ensino de excelência em todos os níveis e diálogos amplos sobre o conhecimento são aspectos relevantes de seus objetivos mais elevados.
Olacio participou por décadas, desde muito jovem, das decisões institucionais no âmbito do seu departamento e do Instituto de forma clara, objetiva, eficiente e pelo interesse coletivo, o que motivou a nós, seus estudantes, a sermos pessoas ativas na construção da universidade que acreditamos, mesmo em tempos bicudos para pessoas definidas.
Ele tinha muito respeito pela história dos que o antecederam, mas não se intimidava diante de poderosos e nem da eventual incompreensão ou discordância de amigos próximos. Era pessoa leal aos amigos, mas sobretudo a si mesmo. Essas características e os caminhos dos poderes na instituição o levaram a um isolamento na vida institucional a partir de um certo momento, o que foi uma grande perda à instituição e ao desenvolvimento da física nuclear no Brasil. No âmbito de seu grupo de pesquisa e em colaborações internacionais, permaneceu ativo e presente.
Para quem gosta de números, não faltam em sua vida acadêmica e em valores altos, as publicações de pesquisa em revistas de prestígio e com árbitro, a orientação de estudantes de graduação, de pós-graduação, de pós-doutores, o intercâmbio com pesquisadores brasileiros de diversos estados e de importantes instituições no exterior, muitas vezes na liderança dos projetos, e o legado de muitos docentes na instituição que seus ex-alunos ocuparam, por concurso.
Mas o mais importante foi sua figura singular, seu valor e postura, seu legado em ciência e em valores acadêmicos sobre os estudantes de todos os níveis com quem conviveu, e sua amizade que hoje homenageamos e agradecemos!
