Física para Todos 2005

No Ano Mundial da Física, o Instituto de Física da Universidade de São Paulo iniciou o seu ciclo de palestras voltado para o público em geral, com temas relevantes e contemporâneos das Ciências Físicas. As palestras, proferidas por professores do IFUSP, aconteceram na Estação Ciência, Museu Paulista e Centro Maria Antonia da USP.


Nanotubos, nanofios e a engenharia do futuro
Prof. Dr. Antonio José Roque da Silva (Departamento de Física dos Materiais e Mecânica)

Na última década, as pesquisas no campo da nanociência e nanotecnologia vêm recebendo uma atenção especial em várias áreas do conhecimento, como Física, Química, Biologia e Engenharia. Esse grande interesse pode ser atribuído ao fato de que sistemas físicos apresentam novos comportamentos quando manipulados em escalas nanométricas. Isso, com certeza, alterará de forma substancial a engenharia e a medicina do futuro, talvez em uma proporção até maior do que a ocorrida devido à física do silício e a microeletrônica no século XX. Essas idéias serão abordadas durante a palestra, exemplificando com materiais específicos, como nanotubos de carbono e nanofios metálicos.

 

Fabricando Estrelas
Prof. Dr. Alejandro Szanto de Toledo (Departamento de Física Nuclear)

Uma questão que a humanidade se coloca é a da origem e evolução do Universo. A Física Nuclear desempenha um papel importante no entendimento dessa questão, em particular no processo de evolução do Universo. Em pesquisas recentes têm-se conseguido, em laboratório, reproduzir situações semelhantes às que presumivelmente ocorreram bilhões de anos atrás. É nesse sentido que em laboratórios modernos se "fabricam estrelas". Apresentaremos as idéias básicas desses estudos e alguns dos resultados mais recentes. Esses estudos são também aplicados nas áreas da medicina, energia, agricultura, materiais e meio ambiente, entre outras, trazendo grandes benefícios à sociedade.

 

Admirável mundo quântico
Prof. Dr. Celso Luiz Lima (Departamento de Física Nuclear)

O século passado foi marcado pelo aparecimento da mecânica quântica. Seu desenvolvimento determinou profundas alterações na maneira como nos relacionamos com o mundo que nos cerca; a mecânica quântica teve impactos na química, na biologia e está na raiz de grande parte da tecnologia moderna. A interpretação oferecida pela mecânica quântica aos fenômenos do mundo do muito pequeno difere dramaticamente daquela sugerida pela nossa intuição, alterando, portanto, nossa visão de mundo. Esta palestra abordará conceitos básicos da mecânica quântica, focalizando, em especial, aspectos em que a interpretação quântica difere da nossa intuição clássica.



As radiações na medicina – aplicações da física à saúde
Profa. Dra. Elisabeth Mateus Yoshimura (Departamento de Física Nuclear)

As radiações foram descobertas no final do século XIX, e, desde então, as aplicações à área médica não param de crescer. No princípio, a simples visualização de partes internas do corpo humano, com o uso dos raios X, possibilitou o diagnóstico, e cura, de muitas doenças. Hoje as radiações ionizantes são empregadas em exames corriqueiros e também em ensaios bastante sofisticados (como tomografia e PET), e em tratamentos bem sucedidos de diversos tumores, cânceres e outras enfermidades. O que vamos abordar são os princípios físicos que tornam possíveis essas aplicações da Física à Medicina.

 

O absoluto, Einstein e a relatividade
Prof. Dr. Manoel Roberto Robilotta (Departamento de Física Nuclear)

Discutimos, inicialmente, o que são teorias de relatividade, porque tais teorias são importantes e de que modo elas incorporam idéias absolutas. Introduzimos, em seguida, numa linguagem simples, as bases da teoria da relatividade restrita proposta por Einstein, bem como algumas das suas conseqüências e evidências experimentais. Finalmente, mostramos de que modo essa teoria mudou a nossa visão do que é e como se comporta o mundo material.

 

Elementar, minha cara partícula
Profa. Dra. Marina Nielsen (Departamento de Física Experimental)

Os constituintes dos átomos: os prótons, nêutrons e elétrons, foram por muito tempo considerados como partículas elementares. Hoje em dia acreditamos que, dessas três partículas, apenas os elétrons sejam elementares. Os prótons e nêutrons são constituídos de outras partículas chamadas quarks. Sobre os quarks e as partículas formadas por quarks, os hádrons, estaremos falando nesta palestra. Os quarks, além de terem carga elétrica como os elétrons e prótons, possuem também uma outra propriedade, que chamamos cor, que os tornam muito diferentes: eles estão sempre confinados dentro dos hádrons, e não podem andar livremente por aí, como os elétrons.

 

O Homem agredindo o meio ambiente local e global
Prof. Dr. Paulo Eduardo Artaxo Netto (Departamento de Física Aplicada)

A Humanidade adquiriu a capacidade de alterar o meio ambiente local e global, com conseqüências que podem não ser muito positivas para nós. A poluição do ar em São Paulo afeta a saúde de milhões de paulistanos, enquanto o efeito estufa global pode alterar o clima da terra de modo bastante significativo. O impacto no meio ambiente físico dessas alterações, como o aumento da temperatura global, terá implicações sociais e econômicas importantes para o Brasil e nosso planeta. Esses impactos podem alterar desde a ocupação de nosso litoral, a produção agrícola, e todo o sistema econômico global, com perspectivas que vamos discutir nesta conferência.

 

O mundo (do) não-linear - No princípio era o caos.
Prof. Dr. Reynaldo Daniel Pinto (Departamento de Física Geral)

Faz cerca de três décadas que matemáticos e físicos apropriaram-se da palavra "caos", tornando-a um termo bastante popular em Ciência. O caráter vago do termo caos, por um lado, trouxe um grande conforto para a ciência reducionista, permitindo atribuir uma classificação matematicamente adequada e uma noção sucinta da complexidade, associada à imprevisibilidade encontrada nos fenômenos naturais que não se conseguia tratar, até então, de maneira convincentemente formal. Há até quem diga que o não-linear implicou em um renascimento da Mecânica Clássica. Entretanto, pode-se atribuir à "ciência do não linear" uma outra virtude: ao trazer a imprevisibilidade e a complexidade para o domínio das ciências "exatas", chocou-se com os limites do reducionismo, aproximando-as das ciências ditas "não-exatas". Nesta palestra vamos introduzir algumas noções de não-linearidade, caos e sistemas complexos e mostrar alguns exemplos multidisciplinares de sua utilidade: da engenharia de fornos de microondas, dinâmica populacional e controle de epidemias, comportamento do mercado financeiro e de animais, até uma melhor compreensão do funcionamento do sistema nervoso.

 

Cosmologia: de onde viemos e para onde vamos
Prof. Dr. Victor de Oliveira Rivelles (Departamento de Física Matemática)

A cosmologia busca responder a uma das mais antigas questões colocadas pela humanidade: a origem e o destino do Universo. Serão discutidos vários sistemas cosmológicos, desde a antiguidade até os dias de hoje, e será explicado porque estamos na idade de ouro da cosmologia.

 

 

Endereços:

Estação Ciência – Rua Guaicurus, 1394
Museu Paulista – Parque da Independência, s/n
Centro Universitário Maria Antonia – Rua Maria Antonia, 294