Biblioteca do IFUSP reabre após reforma estrutural

 

Neste mês de agosto, o acervo da Biblioteca do Instituto de Física da USP tem acesso reaberto ao público, encerrando um longo período de obras. A intervenção, iniciada formalmente em dezembro de 2022, com o objetivo específico de impermeabilização da cobertura, teve as etapas complementares concluídas em maio de 2025, e o novo sistema de climatização entrando em operação em junho de 2026.

Segundo relato do chefe da Assistência Técnica Operacional (ATO) do IF, Alexandre Vieira, responsável pelo acompanhamento da obra, a biblioteca teve de conviver por mais de uma década com infiltrações e pequenos vazamentos. Essa também é a lembrança do professor Manfredo Tabacniks, ex-diretor e alumnus do Instituto, desde quando a Biblioteca se instaurou no complexo Abrahão de Moraes em meados da década de 1970: o edifício não havia sido concebido para ser uma biblioteca, e havia uma fresta por onde entrava poeira e até insetos. Ao iniciar o serviço, o destelhamento do prédio revelou sérios problemas na instalação elétrica, que impediram a continuidade da obra planejada e gerou a necessidade da ampliação significativa do escopo do trabalho: adicionalmente ao escopo inicial que contemplava a impermeabilização da cobertura (com financiamento da USP) e instalação de um novo sistema de climatização (com financiamento da Reserva Técnica Institucional da FAPESP), foi necessário substituir o forro, modernizar a iluminação e implantar nova infraestrutura de rede de dados.

  

Biblioteca aberta.

Todas as etapas da reforma envolveram múltiplos funcionários da universidade, já que foram planejadas e fiscalizadas pela Superintendência de Espaço Físico (SEF - USP) e acompanhadas pela ATO em conjunto com os setores de manutenção, patrimônio, vigilância, de apoio a projetos, entre outros do Instituto. Uma série de docentes também esteve profundamente envolvida com o processo: Prof. Manfredo Tabacniks e Profa. Kaline Coutinho (como diretores do Instituto), professores Sérgio Morelhão e Carla Goldman (como presidentes da Comissão de Biblioteca) e tantos outros ligados à administração central, em especial o então Reitor, Prof. Carlos Carlotti, que sempre apoiou e atendeu aos inúmeros pedidos do IF. 

Refletindo a posteriori sobre os obstáculos enfrentados, Alexandre Vieira e o Prof. Manfredo Tabacniks expressam o desafio de realizar obras sob a modalidade de licitação: quando um imprevisto ocorre, é muito difícil realizar alterações nas atividades previstas. Para além das dificuldades corriqueiras, a empresa contratada para a impermeabilização entrou em recuperação judicial durante a execução do contrato, decaindo em suas entregas e adiando a aceitação definitiva dos serviços.

Apesar dos percalços com a obra, a continuidade no atendimento ao longo de todo o período permaneceu o mantra da equipe técnica da Biblioteca, liderada pela bibliotecária Fátima Sousa. O empenho e os esforços foram amplamente notados por funcionários, docentes e estudantes: mesmo com o acervo em grande parte inacessível, a equipe manteve em funcionamento os serviços de apoio a todas as atividades do IF que precisavam de acesso ao acervo.

Todos os funcionários participaram do atendimento. Para o usuário não importa se o funcionário é bibliotecário ou não. Ele quer a resposta, aí nós conseguíamos atendê-los. A gente ia na hora buscar o livro para eles. Professores precisavam de artigos e nem tudo está disponível na internet. Então, a gente ia lá, pegava, digitalizava e mandava.  [Agora] o acesso está limpo. Mas teve momentos que não tinha como… Começaram a mexer no teto, na iluminação e pintura, aí não tinha condições. Comprei duas lanternas e usava o celular para tentar pegar um livro. E tem livro que só tinha aqui, nem em São Carlos, nem em outro lugar, então, tinha que pegar lá [na biblioteca].” - recorda Fátima.

Além das incursões ao acervo interditado, a equipe recorreu a empréstimos entre bibliotecas da USP e de outras instituições e digitalizaram artigos durante a obra. Paralelamente, cerca de 230 mil itens do acervo passaram por higienização, e outra parte foi encaminhada para restauração, encadernação e ionização, em razão da presença de fungos e outros agentes deteriorantes agravada pela poeira gerada na reforma. A equipe também avançou na digitalização retrospectiva de teses antigas, tudo isso enquanto ocupava diferentes espaços provisórios ao longo do processo.

Esse trabalho, em específico, é destacado como de extrema importância por Arak, estudante do Bacharelado em Física no IFUSP e membro do centro acadêmico CEFISMA: “[...] uma coisa importante é que as teses de própria publicação do IFUSP estão na biblioteca. Qual é a perspectiva de trabalho continuado depois que os professores, os docentes saem daqui, ou mesmo que as pessoas saiam daqui? A gente não tem acesso. Não sabe o nome para procurar. E está tudo aí dentro.

Falando em nome do CEFISMA e representando localmente o movimento estudantil, Arak comenta que o fechamento prolongado teve impacto direto na formação dos estudantes de graduação, que dependem mais do acesso físico ao acervo do que os pesquisadores mais experientes. A entidade acompanhou o processo ao longo de diferentes gestões e promoveu debates e ações para chamar atenção para a reabertura, inclusive as famosas “festas de aniversário” da reforma, celebradas em frente à placa de sinalização da obra com as datas já defasadas. O intuito, de acordo com ele, nunca foi desgastar a relação com a direção do Instituto, mas sim deixar claro o quanto os estudantes queriam a volta do livre acesso ao acervo.

No espaço reformado, o atendimento ao público retorna com nova iluminação, ambientes climatizados, terminais de pesquisa e apoio continuado dos funcionários. No entanto, é importante mencionar que já é previsto um novo edifício, que se encontra em fase final de planejamento. O novo prédio, que ficará próximo à rotatória do IME e IO, terá um espaço de cerca de 1.600 m2 com climatização, conforto e segurança para acomodar o acervo das bibliotecas do IF e do IAG, que serão unificadas. Haverá também espaços administrativos para os funcionários e diversos ambientes voltados aos usuários, para consulta, leitura, estudo individual e em grupo, preparação de mídias digitais, etc.

Acervo/biblioteca pessoal do Mario Schenberg, incluindo livros raros, aberto à visitação.

 

Atual diretora do IF, a Profª Kaline Coutinho comenta sobre a reforma: “A reforma da biblioteca do IF iniciou na gestão anterior e durante a minha gestão um grande esforço foi feito para acomodar os funcionários e uma pequena parte do acervo no prédio do antigo laboratório de Ressonância Magnética do Departamento de Física Geral, para que os serviços de atendimento ao usuário continuassem. As dificuldades envolvidas nesta reforma foram incontáveis - devido às dificuldades das leis públicas que envolvem licitações e desarticulações internas entre órgãos da universidade e até mesmo setores internos do IF - mas com a colaboração de todos conseguimos minimizar as perdas. Agora, estamos entregando para a comunidade do IF um espaço melhorado da biblioteca sem vazamentos, bem iluminado, com uma nova rede elétrica e lógica, e climatizado. Ainda temos pequenos ajustes a fazer no piso, no forro e nos acabamentos, que serão realizados com a biblioteca em funcionamento, pois voltar a ter o acesso aberto ao acervo é o desejo de toda a comunidade.” 

  

Hall de entrada/saguão da biblioteca aberto e ocupado por atividades culturais durante a Semana do Livro e da Biblioteca.

É importante ressaltar que o espaço definitivo da biblioteca virá em cerca de 4 anos com o prédio novo do IF e do IAG, que vem sendo discutido e planejado desde 2023 pela direção e funcionários da ATO, com o apoio da reitoria (gestão anterior e gestão atual), da SEF e da prefeitura do Campus. O prédio novo trará uma maior integração dos institutos do Baixo Matão (IGc, FAU, IME, IO, IF e IAG), pois contempla em seu projeto, no térreo, uma ampla área coberta para socialização, com cafeteria, espaço para descanso e até um paredão que poderá ser usado para projeção. Nos dois primeiros andares teremos as bibliotecas, e nos andares seguintes, auditórios e salas para ensino ativo com mobiliário flexível para formatos e mídias variados. Na cobertura do edifício, haverá um terraço com mirante. Assim, esperamos ter um prédio bastante funcional para dar conta das nossas necessidades acadêmicas, mas também planejado para socialização da comunidade.” - complementa a diretora.

Aproveitando o contexto da reabertura, o prof. Manfredo chama atenção para a atuação do prof. Henrique Fleming, que coordenou a biblioteca por muitos anos, apontando-o como um dos principais responsáveis pela formação do impressionante acervo. Sua atuação e dedicação motivam a iniciativa - aprovada pela Congregação do IF em 2023 - de nomear a Biblioteca em sua homenagem.

Por ora, convidamos funcionários, docentes e estudantes a conhecer o espaço atual, ocupá-lo e se reapropriar do acervo da Biblioteca, um bem precioso que enfim retorna à comunidade.

 

 

 

 

 

Simulação do futuro edifício das Bibliotecas do IFUSP e do IAG.

Desenvolvido por IFUSP