Show de Física transforma experiências de palco em objeto de pesquisa

O Show de Física Professor Fuad, do Instituto de Física da Universidade de São Paulo, participou do XXI Encontro de Pesquisa em Ensino de Física (EPEF 2026), realizado em Brasília, com a apresentação do trabalho “Entre a Física e a formação teatral: o Show de Física como espaço de formação e divulgação científica”.

O estudo foi desenvolvido por Luiz Felipe Reis de Oliveira, José Luís Nami Adum Ortega e Cristiano Mattos, do IFUSP, e marca a consolidação de uma nova frente de atuação do projeto: a produção sistemática de pesquisas sobre os processos formativos, científicos e artísticos envolvidos na criação e na apresentação de um show de ciência.

Embora tenha sido apresentado no evento por três integrantes, o trabalho é resultado de uma construção coletiva, alimentada pelas experiências dos monitores que participam diariamente da pesquisa de temas científicos, da elaboração e reelaboração dos roteiros, dos ensaios, das apresentações e das interações com os diferentes públicos atendidos pelo projeto.

A pesquisa parte da constatação de que os shows de ciência, apesar de sua presença em universidades, museus e centros de divulgação científica, ainda são pouco estudados como um gênero específico de comunicação da ciência. O trabalho procura, assim, compreender as características e as potencialidades formativas do Show de Física do IFUSP, tomando como estudo inicial o ato “Einstein e a luz do futuro”.

Nesse ato, temas de Física Moderna, história da ciência e divulgação científica são articulados por meio da linguagem teatral e de demonstrações experimentais. A análise mostrou que o roteiro e a performance foram sucessivamente transformados a partir dos ensaios, das apresentações e das respostas do público. Nesse processo, a figura de Einstein, inicialmente secundária, passou a desempenhar um papel central na mediação dos conceitos científicos e na organização da narrativa.

O estudo também evidencia uma transformação na atuação dos monitores. Eles não se limitam a reproduzir experimentos ou textos previamente definidos: pesquisam os temas, participam da criação dramatúrgica, experimentam formas de interação com a plateia, avaliam as apresentações e propõem reformulações. Desse modo, desenvolvem-se como autores-pesquisadores-performers.

 

A investigação adota uma abordagem qualitativa e interventiva, fundamentada na Teoria da Atividade Cultural-Histórica, na perspectiva vigotskiana e nos estudos dos gêneros discursivos de Mikhail Bakhtin. Esses referenciais permitem compreender o espetáculo como uma atividade coletiva na qual ciência, linguagem, corpo, experimentação e interação social se constituem mutuamente.

A participação no EPEF representa um passo importante para o reconhecimento do Show de Física como espaço que articula extensão, ensino e pesquisa. Além de aproximar diferentes públicos da ciência, o projeto passa a produzir conhecimento sobre suas próprias práticas de mediação e formação. Entre os próximos desafios estão o desenvolvimento de protocolos de pesquisa e de instrumentos para avaliar o impacto das apresentações sobre os públicos e sobre a formação dos estudantes envolvidos.

A equipe agradece especialmente aos monitores do Show de Física, cujas experiências, ideias e aprendizados sustentam essa construção coletiva, e ao Grupo de Pesquisa em Educação em Ciência e Complexidade — ECCo, pelo apoio acadêmico e pela parceria no desenvolvimento do trabalho.

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