HEPIC na ICHEP 2026

Maior conferência mundial de Física de Partículas encerra edição inédita na América Latina

Pela primeira vez em seus mais de 70 anos de história, a Conferência Internacional sobre Física de Altas Energias (ICHEP) foi realizada na América Latina. A 43ª edição do principal encontro encerrou sua programação em Natal após reunir mais de 1.000 pesquisadores de universidades e centros de pesquisa de mais de 50 países, promovendo 863 palestras, 49 sessões plenárias e 173 apresentações de pôsteres ao longo de seis dias de intensa atividade científica.

A ICHEP é realizada a cada dois anos desde 1950 e constitui o principal fórum internacional para a apresentação dos avanços científicos mais recentes na área, além de promover colaborações internacionais e discutir os rumos futuros da pesquisa em física fundamental. No Brasil, a edição contou com a organização da União Internacional de Física Pura e Aplicada (IUPAP) e da Sociedade Brasileira de Física (SBF).

A Importância da Conferência no Brasil

Mais do que um congresso científico, a ICHEP é um dos principais espaços internacionais onde são iniciadas novas colaborações entre universidades e centros de pesquisa, formadas redes de cooperação, treinados estudantes e jovens pesquisadores e discutidos os grandes experimentos e infraestruturas científicas que orientarão a Física de Partículas nas próximas décadas. É nesse ambiente que muitos projetos internacionais ganham forma, parcerias são estabelecidas e decisões estratégicas sobre o futuro da pesquisa fundamental começam a ser construídas.
A ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, que participou da cerimônia de abertura, ressaltou o impacto da realização da conferência para a atração de talentos e estímulo ao conhecimento.
"Aqui na ICHEP nós estamos tratando de física de altas energias, que, associado a uma presença, por exemplo, de um diretor-presidente da maior infraestrutura de pesquisa do mundo, que é o CERN, que fica entre a Suíça e a França. Isso atrai talentos, atrai curiosidade,
estimula o conhecimento e, portanto, reverbera de maneira muito significativa daquilo que é o principal patrimônio de qualquer povo, de qualquer gente: o conhecimento”, declarou Santos.

ICHEP 2026 foi um marco para a Ciência brasileira

A edição de 2026 ocorreu em um momento particularmente importante para a ciência brasileira, marcado pelo avanço do acordo entre Brasil e CERN, resultado de um esforço da comunidade científica que se estendeu por mais de uma década.
Desde que o Brasil se tornou Estado-Membro Associado do CERN, em 2024, empresas brasileiras passaram a disputar contratos para fornecer equipamentos e serviços de alta tecnologia ao laboratório europeu, enquanto pesquisadores, engenheiros, estudantes e outros profissionais passaram a ter acesso ampliado a programas de formação, pesquisa e desenvolvimento tecnológico.

O evento aconteceu de 30 de julho a 5 de agosto na capital potiguar. A próxima edição da conferência acontecerá em 2028 na cidade de Bangcoc, Tailândia, na Universidade Chulalongkorn, a instituição de ensino superior mais antiga e prestigiada do país.

* Texto adaptado do original de Leonardo Pereira, assessor do evento.

 

O High Energy Physics and Instrumentation Center - HEPIC, teve participação ativa em diversas atividades durante o congresso.

Destacamos a participação do Prof. Marcelo Munhoz, como coordenador da Rede Brasileira de Física de Altas Energias (RENAFAE), na assinatura da Declaração de Intenções para ampliação da cooperação científica e tecnológica entre o Brasil e CERN, representados pela Ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação do Brasil, Luciana Santos e pelo diretor geral do Cern, Mark Thomson, respectivamente.

Também no âmbito do evento, foi lançado no dia 05/08 o livro “Cruzando Fronteiras: uma História do Brasil no CERN”. Com organização do pesquisador Ivã Gurgel (e participação de outros pesquisadores do IFUSP), a obra é fruto das atividades do Grupo de Trabalho de Divulgação Científica do INCT CERN-Brasil e está disponível gratuitamente para download, em português e em inglês.


 

Por último, destacamos a premiação do aluno de doutorado Lucas Ferrandi como um dos melhores pôsteres do evento.


 

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