Pesquisadores chineses da Southwestern Institute of Physics visitam o IFUSP

Em abril de 2026, foi assinado um Memorando de Entendimento (Memorandum of Understanding - MoU) entre o Southwestern Institute of Physics (SWIP), Chengdu, China, o China National Nuclear Corporation (CNNC) e a Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) para cooperação em fusão nuclear.
Pelo lado brasileiro, o Prof. Gustavo Canal foi um dos responsáveis pela redação da parte técnica do MoU que descreve as áreas de interesse mútuo entre o Brasil e a China em fusão nuclear, que são:
(i) o desenvolvimento de bobinas de alto campo utilizando supercondutores de alta temperatura;
(ii) o projeto do novo tokamak supercondutor brasileiro, o qual será construído e operado pelo futuro Laboratório Nacional de Fusão Nuclear que está sendo construído em Iperó - SP;
(iii) a participação de pesquisadores brasileiros em experimentos realizados em tokamaks chineses; e (iv) a modernização do tokamak TCABR do IFUSP.

Na semana passada, os representantes chineses Dr. Wei Wang e Guanqi Dong visitaram o IFUSP e foram recebidos na diretoria pelo Vice-Diretor, Prof. Cristiano Oliveira, pelo Prof. Canal e alguns alunos
. Após a recepção, os representantes chineses visitaram o Laboratório de Física de Plasmas para conhecer os estudantes, as instalações do TCABR.


Em seguida, os representantes chineses visitaram o Centro de Lasers e Aplicações do IPEN, onde será instalado um laser de 15 TW para estudos de fusão nuclear - o laser mais potente do Hemisfério Sul. Lá foram recebidos pela Dra. Isolda Costa, Superintendente do IPEN, e pelos pesquisadores Dr. Nilson Vieira e Dr. Ricardo Samad.

Integrantes da Southwestern Institute of Physics (SWIP) são recebidos por Isolda Costa, diretora do IPEN-CNEN.

No dia seguinte, pesquisadores chineses e brasileiros participaram de um workshop onde foram apresentados trabalhos em andamento que podem ser conduzidos em colaboração.


Ao final do evento, discutiu-se como de fato se dará essa cooperação.
Pelo lado brasileiro, inicialmente, essa cooperação se dará através do envio de estudantes brasileiros para desenvolverem parte de seus trabalhos de mestrado e doutorado no tokamak HL-3, além do envio de pós-doutorandos.
Antes mesmo da assinatura oficial do MoU, o aluno de doutorado do IFUSP Felipe Salvador, orientado pelo Prof. Canal, realizou um período de doutorado sanduíche no SWIP, onde analisou dados do tokamak chines HL-3. Durante a visita, discutiu-se também o envio de outro aluno de doutorado do IFUSP - o Sr. Victor Lassance, pesquisador do IEN-CNEN e também orientado pelo Prof. Canal.
Pelo lado chinês, está sendo discutida a possibilidade do fornecimento de equipamentos que contribuam para a modernização do TCABR, como fontes de potência para o controle de posição e de formato do plasma além de diagnósticos de plasma. A modernização do TCABR tem atraído a atenção de grandes laboratórios de plasma no mundo e essa cooperação Brasil-China é um exemplo disso. A modernização do TCABR o transformará em uma máquina ímpar no mundo que permitirá a realização de experimentos únicos em termos de controle de plasma, supressão e mitigação de violentas instabilidades que ocorrem na borda do plasma chamadas de Edge-Localized Modes (ELMs), estudos de transporte de partículas, momento e energia além de métodos de inicialização e sustentação da descarga por meio de tochas de plasma.

Texto: Gustavo Canal

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