"Por trás dos bastidores da Nature"

"Por trás dos bastidores da Nature"

O Prof. Julio Antonio Larrea, cofundador e chefe do Laboratory for Quantum Matter under Extreme Conditions (LQMEC), do departamento de Física Experimental, foi indicado pela Comissão de Pesquisa a representar ao Instituto de Física (IFUSP) no Workshop organizado pela Pró-Reitora de Pesquisa e Inovação da USP: "Por Dentro da Nature: Como Editores Avaliam Manuscritos e Tomam Decisões de Publicação".


O encontro, que aconteceu em 16 de setembro no Conselho Universitário da USP, contou com a participação de representantes do Corpo Editorial da Springer Nature e Nature Portfolio, professores e pesquisadores da USP, em sua maioria com histórico de publicações nas revistas da Nature Portfolio. Por meio da interação dinâmica entre os presentes, conseguiu-se esclarecer dúvidas e obter recomendações relevantes para a preparação de submissões à Nature Portfolio. O Prof. Larrea encontra oportuno compartilhar com a comunidade de nosso Instituto recomendações relevantes, apontadas no encontro, com o fim de ajudar à submissão de nossos trabalhos de pesquisa e a escolha da revista apropriada na Nature Portfolio.

Um importante desafio a superar é a alta taxa de rejeição pelos Editores da Nature Portfolio após a submissão, isto é, antes do manuscrito ser recomendando pelos editores para etapa de revisão de pares (per review-referees). Esta taxa de rejeição varia de acordo com o jornal da Nature Portfolio escolhido. Para nossa comunidade da física, as revistas “in-house” da Nature Portfolio de interesse são classificadas com os flagships: Nature, Nature Physics, Nature Communications e Scientific Reports. Dentro destes flagships, a revista que atinge a maior taxa de rejeição dos Editores é a Nature, uma revista que cobre a multidisciplinaridade na ciência e é altamente almejada pelos pesquisadores do mundo inteiro. Atualmente, entorno de 8 a 10 % das submissões para a Nature são encaminhadas pelos Editores para a revisão de pares. Isto significa que, o manuscrito antes da etapa de avaliação rigorosa pelos pares especialistas do tema de pesquisa, a primeira triagem pelos Editores é uma etapa muito crítica de superar. Algumas recomendações podem ser consideradas na submissão do manuscrito.

Considerar que os Editores não necessariamente são de nossa mesma área ou especialistas em temas de nossa pesquisa. Isto implica que a comunicação com o Editor através da chamada Cover Letter deve expressar concretamente a rigorosidade das metodologias empregadas que vão além do estado da arte, apontando que as conclusões de nossos resultados devem produzir um impacto na interdisciplinaridade. Lembre-se que os editores da Nature Portfolio procuram publicar manuscritos que sejam lidos e citados por muitas áreas da ciência durante décadas. A pergunta que poderia servir como referência na submissão é: Como nosso trabalho vai mudar a forma de pensar dos cientistas?

Um outro aspecto a considerar é que o uso da Inteligência Artificial (IA) deve ser regulado em qualquer submissão. Neste período, onde a IA se apresenta como uma ferramenta útil, devemos evitar usar a IA para a redação de nossa abordagem no manuscrito (excluindo correção do idioma ou typos), geração de imagens ou gráficos que formam parte de nossos resultados. O uso inapropriado da IA pode desqualificar nosso trabalho, em particular, na etapa de revisão de pares.

Ainda relevante, os Editores também reportaram que ainda existe uma pequena porcentagem de participação de pesquisadores do Brasil nas submissões para Nature Portfolio. Espera-se que os novos acordos entre CAPES e Springer Nature, que cobrem os custos de nossa comunidade nas publicações de algumas revistas híbridas, aumentem a nossa participação. Em breve, cobrir estes custos poderia se estender para revistas Open Access da Nature Portfolio.

Contudo, é importante também perceber que as vantagens de publicar na Nature flagships vai além de atingir publicações em revistas de alto parâmetro de impacto. Entre outras vantagens, podemos mencionar que publicar nossas pesquisas em estas revistas pode aumentar o impacto nas políticas públicas, no desenvolvimento econômico e na comunicação entre ciência e sociedade, esta última através do jornalismo científico. Acredito que o caminho para fomentar um aumento da participação de nossa comunidade nestas revistas aponta em construir uma sinergia entre pesquisadores e as agências de fomento à pesquisa, com o fim de estabelecer um período adequado para que os pesquisadores possam entregar de resultados com alto impacto.



Texto: Prof. Julio Larrea

 

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