Câmara dos Deputados debaterá futuro da Física de Altas Energias no Brasil

Audiência pública em 11 de novembro reunirá representantes da RENAFAE e do MCTI para apresentar os resultados da pesquisa brasileira e discutir os desafios para sua continuidade e fortalecimento

A participação brasileira em grandes experimentos científicos internacionais e os desafios para assegurar sua continuidade serão debatidos em audiência pública no dia 11 de novembro de 2026, às 9h30, no Plenário 13 do Anexo II da Câmara dos Deputados, em Brasília. Convocado pela Comissão de Ciência, Tecnologia e Inovação (CCTI), por iniciativa do deputado Inácio Arruda (PCdoB-CE), o encontro apresentará as atividades e os resultados da Rede Nacional de Física de Altas Energias (RENAFAE), além de discutir perspectivas para o fortalecimento da pesquisa brasileira nessa área.

Criada em 2008 pelo Ministério da Ciência e Tecnologia, a RENAFAE articula grupos de pesquisa de diferentes regiões do país que investigam as partículas elementares, suas interações fundamentais e outros fenômenos do Universo. Segundo dados apresentados pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), a Rede reúne aproximadamente 370 colaboradores, entre pesquisadores, técnicos e estudantes, vinculados a 33 instituições de ensino e pesquisa, com atuação em nove colaborações científicas internacionais.

Entre essas iniciativas estão os experimentos do Grande Colisor de Hádrons (LHC), na Organização Europeia para a Pesquisa Nuclear (CERN), na fronteira entre Suíça e França, o experimento de neutrinos DUNE, nos Estados Unidos, e o Observatório Pierre Auger, na Argentina, dedicado ao estudo dos raios cósmicos de altíssimas energias. A participação brasileira vai além da análise de dados científicos e inclui o desenvolvimento de tecnologias avançadas, como o chip SAMPA, criado por pesquisadores brasileiros para os detectores do experimento ALICE, no CERN, e o sistema de detecção de luz ARAPUCA, desenvolvido para o DUNE.

A participação em projetos científicos dessa magnitude exige planejamento de longo prazo e condições que assegurem a continuidade das atividades de pesquisa, desenvolvimento tecnológico e formação de profissionais especializados. Nesse contexto, um dos principais objetivos da audiência será discutir os desafios de financiamento e as possibilidades de atuação conjunta do poder público, das agências de fomento, das instituições de pesquisa e da comunidade científica na construção de soluções estáveis e duradouras.

“A Física de Altas Energias é um exemplo incrível de ciência fundamental, que estuda questões estruturais do nosso Universo, mas ao mesmo tempo cria tecnologias que estão presentes no dia-a-dia das pessoas. A participação do Brasil nessa área da ciência é fundamental para o avanço não apenas científico mas também tecnológico do país. Porém, pelo seu caráter altamente internacionalizado, ela demanda um financiamento bastante previsível e estável.” (Prof. Marcelo Munhoz - Coordenador-Geral da RENAFAE).

A audiência, que terá transmissão ao vivo pela internet, contará com a participação de Marcelo Munhoz, coordenador-geral da RENAFAE, Luiz Mundim, vice-coordenador da Rede, e Joana Nunes e André Alencar Júnior, representantes da Secretaria de Políticas e Programas Estratégicos do MCTI (SEPPE/MCTI). O encontro buscará ampliar o diálogo entre a comunidade científica, o Poder Legislativo e o Executivo sobre os caminhos necessários para fortalecer a Física de Altas Energias brasileira e ampliar as contribuições do país à ciência mundial.

Texto: Gustavo Macedo Diniz

Serviço
Audiência Pública — Rede Nacional de Física de Altas Energias (RENAFAE)
Data: 11 de novembro de 2026 (quarta-feira)
Horário: 9h30
Local: Plenário 13, Anexo II, Câmara dos Deputados — Brasília/DF
Página oficial: https://www.camara.leg.br/evento-legislativo/83101
Transmissão ao vivo: https://www.youtube.com/@camaradosdeputadosoficial

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