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Nickel–Zinc Catalysts Favor CO Production via Carbide Formation in CO2 Hydrogenation

Pesquisa com participação do grupo SAMPA é publicada no JACS

Um estudo com participação do grupo SAMPA, liderado pelo Prof. Caetano Miranda, do IFUSP, foi publicado no Journal of the American Chemical Society (JACS), uma das revistas científicas de maior prestígio internacional na área de Química. A publicação destaca a relevância de uma pesquisa em colaboração com o Instituto de Química da USP e colaboradores internacionais combinando experimentos e simulações para compreender como catalisadores de níquel e zinco podem favorecer a conversão de CO₂ em monóxido de carbono (CO).
O trabalho mostrou que uma fase de carbeto de níquel e zinco (Ni₃ZnC) se forma durante a reação. Por meio de cálculos de primeiros princípios, o grupo SAMPA contribuiu para explicar o mecanismo responsável pela seletividade do catalisador: a presença de zinco e carbono altera a superfície e dificulta a hidrogenação adicional do CO, reduzindo a formação de metano. Os resultados oferecem caminhos para desenvolver catalisadores mais seletivos para o aproveitamento de CO₂ como matéria-prima e sua conversão em insumos químicos e combustíveis.

Artigo: Maluf, N. E. C. et al. “Nickel–Zinc Catalysts Favor CO Production via Carbide Formation in CO₂ Hydrogenation”. Journal of the American Chemical Society 148 (2026), 39923–39935.
Acesse a publicação: https://pubs.acs.org/jacsat/article/148/37/39923/5426421/Nickel-Zinc-Cat...

"Por trás dos bastidores da Nature"

"Por trás dos bastidores da Nature"

O Prof. Julio Antonio Larrea, cofundador e chefe do Laboratory for Quantum Matter under Extreme Conditions (LQMEC), do departamento de Física Experimental, foi indicado pela Comissão de Pesquisa a representar ao Instituto de Física (IFUSP) no Workshop organizado pela Pró-Reitora de Pesquisa e Inovação da USP: "Por Dentro da Nature: Como Editores Avaliam Manuscritos e Tomam Decisões de Publicação".


O encontro, que aconteceu em 16 de setembro no Conselho Universitário da USP, contou com a participação de representantes do Corpo Editorial da Springer Nature e Nature Portfolio, professores e pesquisadores da USP, em sua maioria com histórico de publicações nas revistas da Nature Portfolio. Por meio da interação dinâmica entre os presentes, conseguiu-se esclarecer dúvidas e obter recomendações relevantes para a preparação de submissões à Nature Portfolio. O Prof. Larrea encontra oportuno compartilhar com a comunidade de nosso Instituto recomendações relevantes, apontadas no encontro, com o fim de ajudar à submissão de nossos trabalhos de pesquisa e a escolha da revista apropriada na Nature Portfolio.

Um importante desafio a superar é a alta taxa de rejeição pelos Editores da Nature Portfolio após a submissão, isto é, antes do manuscrito ser recomendando pelos editores para etapa de revisão de pares (per review-referees). Esta taxa de rejeição varia de acordo com o jornal da Nature Portfolio escolhido. Para nossa comunidade da física, as revistas “in-house” da Nature Portfolio de interesse são classificadas com os flagships: Nature, Nature Physics, Nature Communications e Scientific Reports. Dentro destes flagships, a revista que atinge a maior taxa de rejeição dos Editores é a Nature, uma revista que cobre a multidisciplinaridade na ciência e é altamente almejada pelos pesquisadores do mundo inteiro. Atualmente, entorno de 8 a 10 % das submissões para a Nature são encaminhadas pelos Editores para a revisão de pares. Isto significa que, o manuscrito antes da etapa de avaliação rigorosa pelos pares especialistas do tema de pesquisa, a primeira triagem pelos Editores é uma etapa muito crítica de superar. Algumas recomendações podem ser consideradas na submissão do manuscrito.

Considerar que os Editores não necessariamente são de nossa mesma área ou especialistas em temas de nossa pesquisa. Isto implica que a comunicação com o Editor através da chamada Cover Letter deve expressar concretamente a rigorosidade das metodologias empregadas que vão além do estado da arte, apontando que as conclusões de nossos resultados devem produzir um impacto na interdisciplinaridade. Lembre-se que os editores da Nature Portfolio procuram publicar manuscritos que sejam lidos e citados por muitas áreas da ciência durante décadas. A pergunta que poderia servir como referência na submissão é: Como nosso trabalho vai mudar a forma de pensar dos cientistas?

Um outro aspecto a considerar é que o uso da Inteligência Artificial (IA) deve ser regulado em qualquer submissão. Neste período, onde a IA se apresenta como uma ferramenta útil, devemos evitar usar a IA para a redação de nossa abordagem no manuscrito (excluindo correção do idioma ou typos), geração de imagens ou gráficos que formam parte de nossos resultados. O uso inapropriado da IA pode desqualificar nosso trabalho, em particular, na etapa de revisão de pares.

Ainda relevante, os Editores também reportaram que ainda existe uma pequena porcentagem de participação de pesquisadores do Brasil nas submissões para Nature Portfolio. Espera-se que os novos acordos entre CAPES e Springer Nature, que cobrem os custos de nossa comunidade nas publicações de algumas revistas híbridas, aumentem a nossa participação. Em breve, cobrir estes custos poderia se estender para revistas Open Access da Nature Portfolio.

Contudo, é importante também perceber que as vantagens de publicar na Nature flagships vai além de atingir publicações em revistas de alto parâmetro de impacto. Entre outras vantagens, podemos mencionar que publicar nossas pesquisas em estas revistas pode aumentar o impacto nas políticas públicas, no desenvolvimento econômico e na comunicação entre ciência e sociedade, esta última através do jornalismo científico. Acredito que o caminho para fomentar um aumento da participação de nossa comunidade nestas revistas aponta em construir uma sinergia entre pesquisadores e as agências de fomento à pesquisa, com o fim de estabelecer um período adequado para que os pesquisadores possam entregar de resultados com alto impacto.



Texto: Prof. Julio Larrea

 

Docente do IFUSP recebe prêmio de melhor apresentação em conferência internacional

O professor Caetano Rodrigues Miranda, do Instituto de Física da USP, recebeu o prêmio de melhor apresentação pelo trabalho “Toward Lithium Recovery from Produced Water: Permeation and Stability Assessment of PAN/PVC–NiO Nanocomposite Membranes”, na International Conference on Regenerative Futures (ICRF 2026), realizada durante o World Engineering, Science and Technology Congress (ESTCON 2026), em Penang, na Malásia. O congresso reuniu mais de 1.000 participantes de mais de 20 países e apresentou mais de 330 trabalhos técnicos.
Desenvolvido em coautoria com os Dr.Jeann Araújo e Dra. Sonia Menezes, o estudo avalia a permeação e a estabilidade de membranas nanocompósitas de PAN/PVC–NiO para a recuperação de lítio de água produzida, no contexto da economia circular e da regeneração de recursos. O projeto é desenvolvido em parceria entre o Centro de Inovação em Gases de Efeito Estufa da USP e a PETRONAS Brasil.

Eleição dos representantes de pós-doutorado junto ao Conselho de Pesquisa e Inovação

Divulgamos a Circular Circ.SG/61, que trata da divulgação da Portaria GR 9222/2026, referente à eleição da representação dos pós-doutorandos junto ao Conselho de Pesquisa e Inovação.

A inscrição individual dos candidatos à representação está aberta até as 17h do dia 5/10.

A eleição acontecerá em uma única fase, no dia 19/10, das 9h às 17h, por meio de sistema eletrônico de votação e totalização de votos.

Confira na Portaria GR nº 9222/2026 todas as normas referentes ao pleito, inclusive os requisitos para candidatura e os procedimentos para votação.

 

Anexos: 

Docente do IFUSP é premiado na 16ª edição do Prêmio Professor Rubens Murillo Marques

O professor Cristiano Mattos, do curso de Licenciatura em Física da Universidade de São Paulo (USP), teve sua experiência formativa reconhecida na 16ª edição do Prêmio Professor Rubens Murillo Marques. A iniciativa busca valorizar e divulgar práticas inovadoras do ensino superior que impactam diretamente a preparação dos futuros professores da educação básica.

Mattos foi premiado pelo projeto "Ciência, Educação e Linguagem", desenvolvido no ensino de Física. Ao lado dele, também foram reconhecidas iniciativas docentes da Universidade Federal do Oeste do Pará (UFOPA) e da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE):

. Ciência, Educação e Linguagem — Prof. Cristiano Mattos (Licenciatura em Física / USP);

. Educação especial inclusiva na formação inicial de licenciandos em pedagogia: práticas colaborativas no estágio e a articulação estruturante entre ensino, pesquisa e extensão — Profa. Daiane Pinheiro (Licenciatura em Pedagogia / UFOPA);

. Aprender a deliberar: tutoria socrática com inteligência artificial na formação inicial docente em Biologia — Prof. Jose Antônio Bezerra de Oliveira (Licenciatura em Ciências Biológicas / UFRPE). 



Premiação e Reconhecimento

Cada um dos três vencedores receberá um prêmio de R$ 30 mil, acompanhado de diploma e troféu — uma réplica de escultura criada pela artista plástica Vera Lucia Richter. As experiências também terão seu detalhamento publicado na série Textos FCC.

A cerimônia oficial de premiação ocorrerá de forma remota no dia 27 de novembro de 2026.


 

Show de Física transforma experiências de palco em objeto de pesquisa

O Show de Física Professor Fuad, do Instituto de Física da Universidade de São Paulo, participou do XXI Encontro de Pesquisa em Ensino de Física (EPEF 2026), realizado em Brasília, com a apresentação do trabalho “Entre a Física e a formação teatral: o Show de Física como espaço de formação e divulgação científica”.

O estudo foi desenvolvido por Luiz Felipe Reis de Oliveira, José Luís Nami Adum Ortega e Cristiano Mattos, do IFUSP, e marca a consolidação de uma nova frente de atuação do projeto: a produção sistemática de pesquisas sobre os processos formativos, científicos e artísticos envolvidos na criação e na apresentação de um show de ciência.














 

 

 

 

 

 

 

Embora tenha sido apresentado no evento por três integrantes, o trabalho é resultado de uma construção coletiva, alimentada pelas experiências dos monitores que participam diariamente da pesquisa de temas científicos, da elaboração e reelaboração dos roteiros, dos ensaios, das apresentações e das interações com os diferentes públicos atendidos pelo projeto.

A pesquisa parte da constatação de que os shows de ciência, apesar de sua presença em universidades, museus e centros de divulgação científica, ainda são pouco estudados como um gênero específico de comunicação da ciência. O trabalho procura, assim, compreender as características e as potencialidades formativas do Show de Física do IFUSP, tomando como estudo inicial o ato “Einstein e a luz do futuro”.

Nesse ato, temas de Física Moderna, história da ciência e divulgação científica são articulados por meio da linguagem teatral e de demonstrações experimentais. A análise mostrou que o roteiro e a performance foram sucessivamente transformados a partir dos ensaios, das apresentações e das respostas do público. Nesse processo, a figura de Einstein, inicialmente secundária, passou a desempenhar um papel central na mediação dos conceitos científicos e na organização da narrativa.

O estudo também evidencia uma transformação na atuação dos monitores. Eles não se limitam a reproduzir experimentos ou textos previamente definidos: pesquisam os temas, participam da criação dramatúrgica, experimentam formas de interação com a plateia, avaliam as apresentações e propõem reformulações. Desse modo, desenvolvem-se como autores-pesquisadores-performers.













 

 

 

 

A investigação adota uma abordagem qualitativa e interventiva, fundamentada na Teoria da Atividade Cultural-Histórica, na perspectiva vigotskiana e nos estudos dos gêneros discursivos de Mikhail Bakhtin. Esses referenciais permitem compreender o espetáculo como uma atividade coletiva na qual ciência, linguagem, corpo, experimentação e interação social se constituem mutuamente.

A participação no EPEF representa um passo importante para o reconhecimento do Show de Física como espaço que articula extensão, ensino e pesquisa. Além de aproximar diferentes públicos da ciência, o projeto passa a produzir conhecimento sobre suas próprias práticas de mediação e formação. Entre os próximos desafios estão o desenvolvimento de protocolos de pesquisa e de instrumentos para avaliar o impacto das apresentações sobre os públicos e sobre a formação dos estudantes envolvidos.

A equipe agradece especialmente aos monitores do Show de Física, cujas experiências, ideias e aprendizados sustentam essa construção coletiva, e ao Grupo de Pesquisa em Educação em Ciência e Complexidade — ECCo, pelo apoio acadêmico e pela parceria no desenvolvimento do trabalho.

 

Ciclo de seminários de física aplicada: da teoria à inovação


Título: Otimização do processo de design um acelerador linear
Palestrante: Tarik Ventorini de Oliveira

Resumo:
Tarik Ventorini de Oliveira é mestrando em Física pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e atua na Divisão Adjunta de Tecnologia (DAT) do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM). Seu projeto está inserido no esforço do CNPEM para o desenvolvimento, no Brasil, de um acelerador de íons voltado a aplicações como produção de radioisótopos e protonterapia. Uma das etapas centrais desse programa é o desenvolvimento de um Quadrupolo de Radiofrequência (RFQ), cuja implementação no CNPEM representa a nacionalização de um conceito tecnológico previamente desenvolvido e executado no CERN.

Em seu mestrado, Tarik investiga o uso de otimização Bayesiana no projeto das vanes do RFQ, buscando traduzir requisitos de física de feixes e restrições de engenharia em uma metodologia sistemática de otimização do projeto do acelerador.

O trabalho é orientado pela Profa. Fanny Béron, na Unicamp, e coorientado pelo Prof. Tiago Fiorini da Silva, do IFUSP. O seminário apresentará o contexto do programa de aceleradores do CNPEM, os princípios de funcionamento de um RFQ e os resultados obtidos com a aplicação de técnicas de otimização ao seu projeto.

​Data e horário: 02 de outubro (sexta-feira), às 14h

​Local: Sala de Seminários do DFN

 

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Seminários de Física Aplicada: Da Teoria à Inovação

​O Prof. Tiago Fiorini da Silva convida toda a comunidade interessada a participar da série de seminários Física Aplicada: Da Teoria à Inovação.
Os encontros serão realizados quinzenalmente, às sextas-feiras, às 14h, na Sala de Seminários do Departamento de Física Nuclear (DFN), com o objetivo de promover discussões sobre pesquisa, desenvolvimento e inovação em física aplicada.

​O ciclo terá início no dia 18 de setembro:
​Título: Radiações e materiais: desenvolvimentos para uma nova geração de detectores de radiação em física de altas energias

​Palestrante: Prof. Tiago Fiorini da Silva (DFN)

​Data e horário: 18 de setembro (sexta-feira), às 14h

​Local: Sala de Seminários do DFN

​Entrada: Gratuita e aberta a todos, sem necessidade de inscrição prévia

​Resumo: O seminário apresentará os principais resultados de projeto de pesquisa apoiado pela FAPESP (modalidade Projeto Inicial - Pi), dedicado ao estudo de detectores gasosos microestruturados voltados para instrumentação mais eficiente e robusta. Serão abordados resultados inéditos sobre mecanismos de degradação em escala nanométrica que explicam variações de desempenho, além dos impactos do acúmulo de carga nos dados do experimento ALICE e as estratégias em desenvolvimento para aprimorar a próxima geração de detectores. O trabalho conta com contribuições de pesquisadores e estudantes do grupo (Thiago Saramela, Raphael Sallatti, Eduardo Palermo, Natalia Santos, William Silva, Caio Ribeiro, Bruna Francisco, Daniel Estevão, Daniel Fachieri, Juliano Santos e Gabriela Santos).

Gil da Costa Marques - Carreira científica


Nesta entrevista especial do canal Ciência com o Grupo Mário Schenberg, conversamos com Gil da Costa Marques, físico teórico, professor titular da Universidade de São Paulo, pesquisador, gestor universitário, autor de livros didáticos e divulgador científico. Ao longo da conversa, percorremos sua trajetória pessoal, acadêmica e científica, desde a infância em Minas Gerais e sua formação na USP até a pesquisa em teoria quântica de campos, a liderança de importantes instituições científicas, a direção do Instituto de Física da USP e sua dedicação à formação de professores e ao ensino de Física.
 
Gil da Costa Marques nasceu em 19 de fevereiro de 1946, em Piraúba, então distrito pertencente ao município de Rio Pomba, em Minas Gerais. Cursou o antigo ginásio no Instituto Petropolitano de Ensino, em Petrópolis, entre 1958 e 1961, e o curso científico no Instituto Adventista de Ensino, em São Paulo, entre 1962 e 1964. Em 1965, ingressou no curso de Física da então Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade de São Paulo, concluindo o bacharelado em 1969.
Sua formação coincidiu com um período decisivo para a consolidação da física teórica, nuclear e de partículas no Brasil. Em 1970, apenas um ano após a graduação, foi contratado como auxiliar de ensino do recém-organizado Instituto de Física da USP, iniciando uma trajetória de mais de cinco décadas ligada à instituição. No IFUSP, concluiu o mestrado em 1972 e o doutorado em 1975, sob a influência e orientação científica de Jorge André Swieca, um dos mais importantes físicos teóricos que trabalharam no Brasil no século XX.
 
A formação recebida na escola científica de Swieca conduziu Gil ao estudo da teoria quântica de campos, da física das partículas elementares, das simetrias e das leis de conservação. Sua pesquisa concentrou-se em grupo de renormalização, comportamento assintótico das teorias de campos, equações de Callan–Symanzik, quebra e restauração de simetria e transições de fase. Esses temas são fundamentais para compreender como as interações se modificam em diferentes escalas de energia, como surgem massas e estados físicos a partir da quebra espontânea de simetria e como determinadas simetrias podem ser restauradas em condições extremas de temperatura ou densidade.
 
Durante sua formação e nos primeiros anos da carreira, Gil realizou atividades de pesquisa em importantes instituições internacionais. Entre 1972 e 1973, esteve na University of Maryland e, entre 1973 e 1974, na New York University. Em 1980, realizou estágio científico no CERN, em Genebra, um dos maiores centros mundiais de física de partículas. Entre 1981 e 1982, desenvolveu atividades nas universidades de Berlim e Bonn, na Alemanha. Mais tarde, entre 1993 e 1994, realizou pesquisas na Texas A&M University, nos Estados Unidos. Essas experiências ampliaram sua inserção internacional e o aproximaram de diferentes grupos dedicados à teoria quântica de campos, à física nuclear e às partículas elementares.
 
Sua progressão acadêmica no Instituto de Física da USP foi marcada pela obtenção da livre-docência em 1983, pela ascensão ao cargo de professor adjunto em 1986 e pela chegada ao posto de professor titular em 1987. Como docente, ministrou disciplinas básicas e avançadas, formou estudantes, participou de bancas e contribuiu para a organização acadêmica do instituto. Com o passar do tempo, sua atuação ultrapassou a pesquisa especializada e passou a abranger a gestão universitária, a política científica, a inovação tecnológica, a produção de materiais didáticos e a educação a distância.
 
Entre 1987 e 1991, Gil da Costa Marques presidiu a Sociedade Brasileira de Física durante dois mandatos consecutivos. Sua gestão ocorreu em um período de redemocratização do país, reorganização das políticas públicas e intensos debates sobre financiamento da ciência, autonomia universitária, liberdade acadêmica, formação de pesquisadores e valorização dos professores de Física. À frente da SBF, participou da articulação nacional da comunidade científica e da promoção de encontros, publicações e iniciativas voltadas ao fortalecimento da Física brasileira.
 
Sua liderança estendeu-se ao contexto internacional. Entre 1989 e 1992, presidiu a Federación Latinoamericana de Sociedades de Física, contribuindo para a cooperação entre pesquisadores, universidades e sociedades científicas da América Latina. Também participou de organizações científicas pan-americanas e manteve vínculos com a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, a American Physical Society e outras entidades dedicadas ao desenvolvimento e à divulgação da ciência.
 
Gil da Costa Marques foi eleito membro associado da Academia Brasileira de Ciências em meados da década de 1990, reconhecimento relacionado à sua produção em física teórica e à sua contribuição para a organização da comunidade científica. Algumas fontes registram sua eleição em 1994 e outras sua posse em 1995.
Outro capítulo fundamental de sua trajetória foi a direção do Instituto de Física da USP. Gil dirigiu o IFUSP em dois períodos: de fevereiro de 1994 a fevereiro de 1998 e de fevereiro de 2002 a fevereiro de 2006. Foram aproximadamente oito anos à frente de uma das maiores instituições de ensino e pesquisa em Física da América Latina.
 
Como diretor, participou da administração de departamentos, laboratórios, cursos, infraestrutura, recursos humanos e projetos acadêmicos. Também esteve envolvido em debates sobre planejamento, financiamento, modernização administrativa, tecnologia e inserção internacional. Essa experiência resultou no livro IFUSP: passado, presente e futuro, publicado em 2005, no qual refletiu sobre a história, a estrutura, as realizações e os desafios do Instituto de Física.
Gil também se envolveu em iniciativas de planejamento e modernização da tecnologia da informação nas universidades públicas. Essa atuação deu origem a publicações como Planejamento Estratégico para TI na USP, de 2007, Gestão de TI nas Universidades Públicas de São Paulo, de 2008, e Crimes Digitais, organizado em 2011 com Marcelo Crespo. Esse conjunto mostra a amplitude de seus interesses, que se estendem dos fundamentos da matéria e das interações elementares às questões de infraestrutura digital, governança tecnológica, segurança e gestão universitária.
 
Nas últimas décadas, o ensino de Física passou a ocupar posição central em sua atividade. Gil dedicou-se à produção de materiais para estudantes universitários, professores e cursos das áreas de ciências e engenharias. Sua abordagem didática procura ir além da aplicação mecânica de fórmulas, enfatizando a origem histórica, o significado físico e a estrutura matemática dos conceitos.
 
Seus livros discutem de maneira aprofundada temas como espaço, tempo, referenciais, massa, força, energia, campo, gravitação, coordenadas generalizadas, oscilações, ondas, termodinâmica, fluidos, eletricidade e magnetismo. Uma característica de sua produção didática é recuperar conceitos frequentemente apresentados de maneira muito rápida nos cursos universitários, mostrando as conexões entre matemática, experimentação e interpretação física.
Em 2014, publicou pela Edusp Mecânica Clássica para Professores, obra voltada à formação conceitual e matemática de docentes. No mesmo período, publicou Mecânica para Ciências, Eletromagnetismo para Ciências e Fundamentos de Matemática I. Com Vanderlei Salvador Bagnato e Sérgio Ricardo Muniz, escreveu Fundamentos de Matemática II.
 
Em 2018, publicou Física Universitária 1: Mecânica Básica, no qual aborda movimento, espaço, tempo, massa, leis de Newton, gravitação, trabalho, energia e forças conservativas. Em 2019, publicou, com Luiz Nunes de Oliveira e Valdir Bindilatti, Física Universitária 2: Oscilações e Ondas, Termodinâmica, Mecânica dos Fluidos. Essas obras foram concebidas como apoio a estudantes dos ciclos básicos de cursos científicos e tecnológicos.
 
Gil da Costa Marques também se tornou um dos professores da USP mais envolvidos com a educação superior a distância. Coordenou a Licenciatura em Ciências Naturais da USP e participou da coordenação da Licenciatura em Física da Universidade Virtual do Estado de São Paulo, a Univesp. Nessas iniciativas, colaborou na elaboração de programas, preparação de textos, produção de videoaulas, planejamento de atividades e formação inicial e continuada de professores.
A Licenciatura em Ciências da USP procurou desenvolver uma visão integrada das ciências naturais, aproximando Física, Química, Biologia e Ciências da Terra. Na Univesp, sua atuação contribuiu para levar a formação universitária em Física a estudantes de diferentes regiões do estado de São Paulo. Muitas de suas aulas sobre mecânica, gravitação, óptica, termodinâmica e eletromagnetismo permanecem disponíveis em plataformas digitais da USP, ampliando o alcance de seu trabalho para além da sala de aula presencial.
 
A divulgação científica constitui outra dimensão importante de sua carreira. Em Do que tudo é feito, publicado pela Edusp em 2010, Gil apresenta ao público a busca histórica pelos constituintes fundamentais da matéria. A obra percorre a passagem das antigas concepções de átomo para a física moderna, discutindo elétrons, prótons, nêutrons, núcleos, quarks, partículas elementares e campos quânticos.
Sua maneira de divulgar a ciência evita apresentá-la como uma coleção de verdades prontas. Em seus livros, palestras e aulas, a ciência aparece como um processo de construção, questionamento, experimentação, elaboração matemática e revisão de ideias. Gil também participou de entrevistas e projetos de preservação da memória científica, incluindo o programa Memórias IFUSP, que registrou sua trajetória de mais de cinquenta anos ligada ao Instituto de Física.
 
Além das obras didáticas, publicou e organizou livros sobre ciência, instituições e política científica, entre os quais Física: tendências e perspectivas, IFUSP: passado, presente e futuro, Planejamento Estratégico para TI na USP, Gestão de TI nas Universidades Públicas de São Paulo, Do que tudo é feito e Crimes Digitais. O conjunto revela um pesquisador interessado não apenas na produção do conhecimento, mas também nas condições institucionais, tecnológicas e educacionais necessárias para que a ciência se desenvolva.
 
A carreira de Gil da Costa Marques reúne quatro grandes dimensões. A primeira é a pesquisa em física teórica, especialmente teoria quântica de campos, grupo de renormalização, comportamento assintótico, quebra espontânea de simetria e transições de fase. A segunda é a liderança científica, expressa em suas presidências da Sociedade Brasileira de Física e da Federação Latino-Americana de Sociedades de Física. A terceira é a gestão universitária, marcada por seus dois mandatos como diretor do IFUSP e por sua atuação em planejamento tecnológico. A quarta é a educação científica, materializada em livros, cursos, videoaulas, formação de professores e projetos de ensino a distância.
Gil pertence a uma geração que participou da consolidação da pesquisa brasileira em física de partículas, do fortalecimento das sociedades científicas, da expansão da pós-graduação e da incorporação das tecnologias digitais ao ensino superior. Sua passagem da pesquisa especializada para a produção didática representa uma continuidade: a mesma preocupação com os fundamentos e a clareza conceitual presente em seus estudos de teoria de campos orienta sua maneira de ensinar mecânica, matemática, eletromagnetismo, gravitação e física moderna.
 
Nesta entrevista, discutimos sua infância e formação, a influência de Jorge André Swieca, as pesquisas em teoria quântica de campos, suas experiências nos Estados Unidos, na Alemanha e no CERN, sua carreira no Instituto de Física da USP, as presidências da Sociedade Brasileira de Física e da Federação Latino-Americana de Sociedades de Física, os dois mandatos como diretor do IFUSP, sua atuação em tecnologia da informação, sua dedicação ao ensino presencial e a distância, seus livros e os grandes desafios da formação científica no Brasil.
 
Texto: Manuel Eleuterio Rodrigues

 

MAPA-GR e MAPA-PG: sistemas interativos para análise da educação superior brasileira a partir dos indicadores oficiais do INEP/SINAES e da avaliação da CAPES

Convidamos a comunidade acadêmica para a palestra do Prof. David Lima Azevedo (Universidade de Brasília - UnB), que apresentará os sistemas abertos e gratuitos desenvolvidos para o acompanhamento e análise da qualidade do ensino superior no Brasil.
As ferramentas integradas permitem visualizar e comparar indicadores de cursos de graduação e programas de pós-graduação de instituições brasileiras a partir de dados oficiais do INEP/SINAES e da avaliação da CAPES.

Informações do Evento
Data: 18 de setembro de 2026 (sexta-feira)
Horário: 15h
Local: Auditório Adma Jafet – Instituto de Física da USP
Modalidade: Híbrida (Palestra on-line com transmissão presencial no auditório ou acompanhamento remoto)
Acesso on-line: O link de transmissão será enviado por e-mail aos inscritos.

Inscrições
A participação é gratuita, mas requer inscrição prévia para o envio do link de acesso. Clique aqui para se inscrever via Formulário Google

https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLSd0lS08ub97P5R3lVcelKUuqB_2EpQCkRk2IfUyRLSzBWndzQ/viewform?usp=header


 

 

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