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Projeto de doutorando da UNESP e desenvolvido no IFUSP é aprovado em programa internacional da AAPM

Pesquisa de Matheus C. S. Nunes, doutorando do POSMAT/Unesp, é desenvolvida em conjunto com o professor Neilo Marcos Trindade, do IFUSP, e estabelecerá colaboração com a University of Wisconsin–Madison.

Um projeto de pesquisa desenvolvido no Instituto de Física da Universidade de São Paulo (IFUSP) pelo Prof. Dr. Neilo Trindade e pelo doutorando Matheus C. S. Nunes (POSMAT/Unesp) foi aprovado pelo Global Research Mentorship Program (GREMP), iniciativa da American Association of Physicists in Medicine (AAPM). A proposta receberá US$ 10 mil para o desenvolvimento das atividades previstas, incluindo a realização de experimentos e a visita do doutorando à University of Wisconsin–Madison, nos Estados Unidos.

Intitulado “Dosimetric characterization of synthetic Al2O3-based luminescent materials using international calibration protocols”, o projeto dará continuidade à pesquisa de doutorado de Matheus, dedicada ao desenvolvimento e à caracterização de materiais luminescentes à base de óxido de alumínio (Al2O3) para aplicações em dosimetria das radiações.

A pesquisa será desenvolvida em colaboração com o Prof. Wesley Culberson e sua equipe na University of Wisconsin–Madison, que dispõe de infraestrutura especializada em calibração de instrumentos e dosímetros. O estudo avaliará parâmetros fundamentais para a aplicação dos materiais em dosimetria, como resposta à dose, repetibilidade, reprodutibilidade, estabilidade e dependência energética. O desempenho das amostras também será comparado ao de dosímetros comerciais, como o Al2O3 e o TLD-100.
Para Matheus, a aprovação representa uma importante oportunidade de internacionalização de sua formação e de aprofundamento do trabalho desenvolvido no doutorado.
“Com essa parceria, teremos a oportunidade de avançar na caracterização dos materiais e de conhecer os métodos e protocolos empregados por um laboratório de referência em dosimetria. Posteriormente, poderemos aplicar parte desse conhecimento em nosso laboratório no Brasil”, destaca o doutorando.

A colaboração também deverá contribuir para o intercâmbio de experiências e para o estabelecimento de uma parceria científica duradoura entre as instituições. Segundo Matheus, esse é um dos principais diferenciais do GREMP: “O programa não envolve apenas a realização de experimentos, mas também a formação científica e a criação de uma colaboração que poderá continuar após a conclusão do projeto”.
O projeto prevê ainda a participação no 2027 AAPM Annual Meeting, no qual deverão ser apresentados os resultados obtidos na colaboração. “Essa experiência representa uma etapa muito importante para o doutorado do Matheus, tanto pelo avanço científico da pesquisa quanto pela oportunidade de estabelecer uma colaboração internacional na área de dosimetria e Física Médica”, afirma Neilo Trindade.

A pesquisa de doutorado desenvolvida no Brasil conta com financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo — FAPESP (processo nº 2023/18315-0).


 

Mestranda Isabela Alves Ferreira recebe prêmio em conferência internacional no Japão

Trabalho sobre as propriedades luminescentes de um simulante de regolito lunar foi reconhecido com o Student Poster Award no ICOOPMA 2026.

A aluna de mobilidade do IFUSP, Isabela Alves Ferreira foi uma das vencedoras do Student Poster Award durante a 11ª edição da International Conference on Optical, Optoelectronic and Photonic Materials and Applications (ICOOPMA), realizada entre os dias 16 e 21 de setembro de 2026, em Hamamatsu, Japão.

O prêmio foi concedido pelo trabalho intitulado Optically Stimulated Luminescence Properties of the GreenSpar Lunar Regolith Simulant Under Beta, X-ray and Alpha Irradiation, que investiga as propriedades de luminescência opticamente estimulada do GreenSpar, um simulante de regolito lunar, após sua exposição às radiações beta, X e alfa.
Realizada a cada dois anos, a ICOOPMA reúne pesquisadores de diferentes países e áreas da Física, com trabalhos relacionados a materiais ópticos, optoeletrônica, fotônica, luminescência, espectroscopia e suas aplicações científicas e tecnológicas.
Isabela é mestranda pela Universidade Estadual Paulista (UNESP) e desenvolve parte de suas atividades acadêmicas na Universidade de São Paulo (USP), sob orientação do Prof. Dr. Neilo Marcos Trindade. A pesquisa foi desenvolvida em colaboração com o Grupo de Dosimetria das Radiações e Física Médica do Instituto de Física da USP e contou com a parceria internacional da Profa. Dra. Regina DeWitt, da East Carolina University, nos Estados Unidos.

Para a estudante, a participação no evento e o reconhecimento recebido representam marcos importantes em sua formação acadêmica:
“Participar do ICOOPMA 2026 foi uma experiência muito marcante para minha trajetória acadêmica. Apresentar minha pesquisa em um evento internacional e conhecer pesquisadores de diferentes países foi uma oportunidade muito enriquecedora. Receber o Student Poster Award foi uma grande alegria e um importante reconhecimento de todo o trabalho e dedicação ao longo do mestrado. Agradeço ao meu orientador, Prof. Dr. Neilo Marcos Trindade, à Profa. Dra. Elisabeth Yoshimura e à Profa. Dra. Regina DeWitt pelas contribuições para o desenvolvimento deste trabalho e para minha formação como pesquisadora.”

O projeto recebeu financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), por meio da Bolsa Estágio de Pesquisa no Exterior — BEPE (processo nº 2025/26115-6), da bolsa de mestrado (processo nº 2025/00094-2) e do Auxílio à Pesquisa Regular (processo nº 2024/03006-4), além do apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico — CNPq (processo nº 444110/2024-0).


 

Signatures from Pion Condensation and Lepton Flavor Asymmetries in the Cosmological Gravitational Wave Background

Em artigo publicado na Physical Review Letters, o pós-doutorando do DFMA Osvaldo Ferreira, com colaboração do Prof. Eduardo S. Fraga (IF-UFRJ), e Prof. Jürgen Schaffner-Bielich (Institut für Theoretische Physik), demonstram que a fenomenologia da cromodinâmica quântica (QCD) pode dar uma pista da presença de um excesso (ou não) de léptons no início do universo.
"Em essência, a ideia é se esses léptons estavam presentes no plasma de quarks e glúons do qual o universo era formado nos seus primeiros microssegundos, as perturbações desse plasma se propagam com velocidades maiores do que o esperado.
Esse efeito pode ter deixado uma assinatura no espectro de ondas gravitacionais cosmológicas, e pode ser medido por observações de Pulsar Timing Arrays.
Observar esse efeito ou excluí-lo das possibilidades nos ajudaria a entender um pouco mais sobre a origem da assimetria entre matéria e antimatéria no universo além de aprendermos mais sobre a evolução do universo primordial, em particular sobre época em que a física da QCD foi predominante." 
Acesse aqui o artigo completo.

Estudo teórico-experimental realizado por pesquisadores do IFUSP revela como temperatura e defeitos modulam as propriedades eletrônicas do BaBiO3

 

O artigo "Temperature and oxygen-vacancy modulation of the electronic structure of BaBiO3: An X-ray absorption spectroscopy and first-principles study" acaba de ser publicado na revista Physical Review B em Outubro de 2026. O trabalho é assinado por Alexandre Henriques, Christian D. Hinostroza, David M. N. Oliveira, Mariana S. L. Lima, Valentina Martelli e Walber H. Brito, todos do Instituto de Física da Universidade de São Paulo.

Figura 1.  (a) Amostra de BaBiO3 (b) Espectros de absorção de raios X (XAS) na borda K do oxigênio calculados no trabalho.  (c)  Foto da linha Ipê no SIRIUS onde foram feitas as medidas (https://pnipe.mcti.gov.br/laboratory/8193 ) .

O BaBiO3 é um óxido complexo cujas propriedades físicas intrigam a comunidade científica há décadas. Do ponto de vista da teoria de bandas, seria de esperar que o material fosse um metal. Na prática, ele se comporta como isolante, e o mecanismo por trás desse estado ainda não está completamente compreendido. Quando dopado, seja pela substituição parcial do bário por potássio, seja do bismuto por chumbo, o material torna-se supercondutor. No caso do Ba1-xKxBiO3, a temperatura crítica chega a cerca de 30 K, o que o coloca entre os óxidos supercondutores de Tc mais elevada fora da família dos cupratos e niquelatos.

Um trabalho anterior da colaboração, publicado na Advanced Science sob o título "Anomalous Glassy Thermal Conductivity in a Perovskite Bismuthate Induced by Structural Dynamic Instability", apresentou o primeiro estudo de transporte térmico do composto. Neste trabalho, os autores identificaram um comportamento anômalo, do tipo vítreo, em cristais de BaBiO3, o que sugere que a anarmonicidade da rede cristalina possa estar associada às propriedades incomuns do material. A dinâmica de rede atípica e seu acoplamento com os elétrons são particularmente relevantes para a compreensão dos fenômenos emergentes, como a supercondutividade, nesse material.

Esse resultado levantou uma nova questão: como os estados eletrônicos do BaBiO3 são modulados por vacâncias de oxigênio e por distorções estruturais induzidas pela temperatura?

Para responder essas perguntas, o grupo de pesquisadores utilizou espectroscopia de absorção de raios X (XAS) na borda K do oxigênio, combinada com cálculos de primeiros princípios. Os resultados mostram uma dependência considerável dos espectros com a temperatura, com uma modificação importante na forma do pico pré-borda. Vale destacar que a existência desse pico está associada aos chamados buracos nos estados do ligante, estados eletrônicos associados aos orbitais do oxigênio que hibridizam com os estados do bismuto. Segundo os autores, essa modificação pode estar associada ao acoplamento entre o elétron excitado e a dinâmica anarmônica da rede cristalina, o que estabelece uma ponte entre os resultados de transporte térmico anteriores e a estrutura eletrônica do material. Além disso, o tratamento térmico altera significativamente o perfil espectral embora a estrutura cristalina se mantenha inalterada, suprimindo em particular o pico pré-borda, o que revela a alta sensibilidade da estrutura eletrônica a esse tipo de perturbação. No entanto, os cálculos indicam que as vacâncias de oxigênio, por si sós, não são suficientes para explicar as modificações observadas.

As medidas de XAS foram realizadas na linha Ipê do Sirius, a fonte de luz síncrotron do Laboratório Nacional de Luz Síncrotron (LNLS), infraestrutura do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM). A equipe do IFUSP conduziu os experimentos por meio do acesso regular de usuários externos à infraestrutura. Mesmo sendo a primeira experiência do grupo com técnicas de luz síncrotron, foi possível coletar dados de alta qualidade, que resultaram na publicação do trabalho. Trata-se de um exemplo concreto de uso bem sucedido de uma grande instalação nacional por pesquisadores não especialistas na técnica. A parte computacional foi realizada através do acesso ao supercomputador Santos Dumont (LNCC), https://sdumont.lncc.br.

Artigo completo: "Temperature and oxygen-vacancy modulation of the electronic structure of BaBiO3: An X-ray absorption spectroscopy and first-principles study"

Alexandre Henriques,  Mariana S. L. Lima,  Christian D. Hinostroza, David M. N. Oliveira,Valentina Martelli e Walber H. Brito

Physical Review B — Aceito em 11 de setembro de 2026

DOI: https://doi.org/10.1103/czmg-f16d

A pesquisa é resultado de uma colaboração entre o grupo experimental Thermophysical Properties and Functional Materials Group e o grupo Teoria e Modelagem Computacional de Materiais Correlacionados do Departamento de Física de Materiais e Mecânica, ambos do IFUSP. O trabalho é resultado do projeto de Doutorado do Dr. Alexandre Henriques (um dos primeiros autores do artigo), que foi orientado pela Profa. Valentina Martelli e co-orientado pelo Prof. Walber Brito.

A equipe experimental inclui David M. N. Oliveira (doutorando), Mariana S. L. Lima (pós-doutoranda) e Christian D. Hinostroza (ex-mestrando). David, Mariana e Christian conduziram as medidas no Sirius trabalhando em paralelo com seus projetos principais, uma contribuição que foi determinante para a realização e conclusão deste estudo.

Agradecemos o apoio financeiro da FAPESP, CNPEM, AFOSR, LNCC (Supercomputador Santos Dumont.)

 

 

Inventário de Bens Móveis de 2026 - 1 a 31 de outubro de 2026

Prezados colegas,
 
A Seção de Almoxarifado e Patrimônio e a Divisão Financeira do Instituto de Física comunica que o Inventário de Bens Móveis deverá ser realizado obrigatoriamente por todos os servidores docentes e técnico-administrativos no período de 1º a 31 de outubro de 2026.
 
O êxito do Inventário de Bens Móveis depende da participação e da colaboração de todos os servidores envolvidos. Nos termos do Estatuto dos Servidores da USP, todo servidor é responsável pela guarda e conservação dos bens patrimoniais que lhe forem confiados, devendo zelar pela regularidade das informações patrimoniais e colaborar com as ações necessárias à realização do inventário.
 
Durante o período de realização do inventário, estarão bloqueadas as operações de incorporação, transferência e baixa de bens patrimoniais no Sistema Mercúrio. Qualquer solicitação neste sentido enviada no mês de outubro apenas será atendida em novembro.
 
Ressaltamos que a indicação da situação "Bem não localizado" no Inventário acarretará na apuração do paradeiro do bem em processo administrativo. Dessa forma, caso algum bem tenha sido descartado sem a solicitação de baixa, não esteja mais sob sua responsabilidade ou desconheça o item, e tal situação não foi resolvida antes do período de inventário, a regularização posterior deste bem é mais indicada do que a informação de que o bem não foi localizado. 
 
Assim, orientamos que seja indicado que o bem existe e está regularizado para posteriormente esta situação ser apurada junto à Seção de Almoxarifado e Patrimônio, por fora do inventário.
 
Segue anexo o Manual do sistema do inventário realizado pela Reitoria. Indicamos que seja consultado o item Ações para todos os Usuários Locais – Bens Móveis, a partir da pág. 4 do documento.
 
A Seção de Almoxarifado e Patrimônio e a Divisão Financeira colocam-se à disposição para o esclarecimento de dúvidas pelo e-mail almox@if.usp.br,
 
Atenciosamente,
 
Seção de Almoxarifado e Patrimônio - Divisão Financeira IFUSP

 

Homenagem à estudante Larissa Almeida

No dia 24 de setembro de 2026, foi realizada a cerimônia de entrega do diploma simbólico post-mortem, conferido pelo Conselho de Pós-Graduação da USP, à ex-aluna de mestrado Larissa Ferreira de Almeida.
Os pais da estudante, Sr. Antônio Almeida e Sra. Maria Almeida, que residem em Pernambuco, acompanharam a solenidade por teleconferência.

 

 

 

 

 

 

 

 

O diploma foi entregue pela orientadora, Profa. Marcia Fantini, à tia da estudante, Sra. Maria de Fátima Nascimento.

 

 

 

 

 

 

 

 

Os estudantes do IFUSP, representados pelos membros do CEFISMA Gregory do Rosario e Nadson da Silva, também prestaram homenagem à colega Larissa, oferecendo-lhe um buquê de flores, recebido por sua prima, Sra. Luana Nascimento.
Também estiveram presentes a Diretora do IFUSP, Profa. Kaline Coutinho; o Presidente da Comissão de Pós-Graduação, Prof. Marcio Varella; além de membros discentes e docentes do Instituto de Física.

Nickel–Zinc Catalysts Favor CO Production via Carbide Formation in CO2 Hydrogenation

Pesquisa com participação do grupo SAMPA é publicada no JACS

Um estudo com participação do grupo SAMPA, liderado pelo Prof. Caetano Miranda, do IFUSP, foi publicado no Journal of the American Chemical Society (JACS), uma das revistas científicas de maior prestígio internacional na área de Química. A publicação destaca a relevância de uma pesquisa em colaboração com o Instituto de Química da USP e colaboradores internacionais combinando experimentos e simulações para compreender como catalisadores de níquel e zinco podem favorecer a conversão de CO₂ em monóxido de carbono (CO).
O trabalho mostrou que uma fase de carbeto de níquel e zinco (Ni₃ZnC) se forma durante a reação. Por meio de cálculos de primeiros princípios, o grupo SAMPA contribuiu para explicar o mecanismo responsável pela seletividade do catalisador: a presença de zinco e carbono altera a superfície e dificulta a hidrogenação adicional do CO, reduzindo a formação de metano. Os resultados oferecem caminhos para desenvolver catalisadores mais seletivos para o aproveitamento de CO₂ como matéria-prima e sua conversão em insumos químicos e combustíveis.

Artigo: Maluf, N. E. C. et al. “Nickel–Zinc Catalysts Favor CO Production via Carbide Formation in CO₂ Hydrogenation”. Journal of the American Chemical Society 148 (2026), 39923–39935.
Acesse a publicação: https://pubs.acs.org/jacsat/article/148/37/39923/5426421/Nickel-Zinc-Cat...

"Por trás dos bastidores da Nature"

"Por trás dos bastidores da Nature"

O Prof. Julio Antonio Larrea, cofundador e chefe do Laboratory for Quantum Matter under Extreme Conditions (LQMEC), do departamento de Física Experimental, foi indicado pela Comissão de Pesquisa a representar ao Instituto de Física (IFUSP) no Workshop organizado pela Pró-Reitora de Pesquisa e Inovação da USP: "Por Dentro da Nature: Como Editores Avaliam Manuscritos e Tomam Decisões de Publicação".


O encontro, que aconteceu em 16 de setembro no Conselho Universitário da USP, contou com a participação de representantes do Corpo Editorial da Springer Nature e Nature Portfolio, professores e pesquisadores da USP, em sua maioria com histórico de publicações nas revistas da Nature Portfolio. Por meio da interação dinâmica entre os presentes, conseguiu-se esclarecer dúvidas e obter recomendações relevantes para a preparação de submissões à Nature Portfolio. O Prof. Larrea encontra oportuno compartilhar com a comunidade de nosso Instituto recomendações relevantes, apontadas no encontro, com o fim de ajudar à submissão de nossos trabalhos de pesquisa e a escolha da revista apropriada na Nature Portfolio.

Um importante desafio a superar é a alta taxa de rejeição pelos Editores da Nature Portfolio após a submissão, isto é, antes do manuscrito ser recomendando pelos editores para etapa de revisão de pares (per review-referees). Esta taxa de rejeição varia de acordo com o jornal da Nature Portfolio escolhido. Para nossa comunidade da física, as revistas “in-house” da Nature Portfolio de interesse são classificadas com os flagships: Nature, Nature Physics, Nature Communications e Scientific Reports. Dentro destes flagships, a revista que atinge a maior taxa de rejeição dos Editores é a Nature, uma revista que cobre a multidisciplinaridade na ciência e é altamente almejada pelos pesquisadores do mundo inteiro. Atualmente, entorno de 8 a 10 % das submissões para a Nature são encaminhadas pelos Editores para a revisão de pares. Isto significa que, o manuscrito antes da etapa de avaliação rigorosa pelos pares especialistas do tema de pesquisa, a primeira triagem pelos Editores é uma etapa muito crítica de superar. Algumas recomendações podem ser consideradas na submissão do manuscrito.

Considerar que os Editores não necessariamente são de nossa mesma área ou especialistas em temas de nossa pesquisa. Isto implica que a comunicação com o Editor através da chamada Cover Letter deve expressar concretamente a rigorosidade das metodologias empregadas que vão além do estado da arte, apontando que as conclusões de nossos resultados devem produzir um impacto na interdisciplinaridade. Lembre-se que os editores da Nature Portfolio procuram publicar manuscritos que sejam lidos e citados por muitas áreas da ciência durante décadas. A pergunta que poderia servir como referência na submissão é: Como nosso trabalho vai mudar a forma de pensar dos cientistas?

Um outro aspecto a considerar é que o uso da Inteligência Artificial (IA) deve ser regulado em qualquer submissão. Neste período, onde a IA se apresenta como uma ferramenta útil, devemos evitar usar a IA para a redação de nossa abordagem no manuscrito (excluindo correção do idioma ou typos), geração de imagens ou gráficos que formam parte de nossos resultados. O uso inapropriado da IA pode desqualificar nosso trabalho, em particular, na etapa de revisão de pares.

Ainda relevante, os Editores também reportaram que ainda existe uma pequena porcentagem de participação de pesquisadores do Brasil nas submissões para Nature Portfolio. Espera-se que os novos acordos entre CAPES e Springer Nature, que cobrem os custos de nossa comunidade nas publicações de algumas revistas híbridas, aumentem a nossa participação. Em breve, cobrir estes custos poderia se estender para revistas Open Access da Nature Portfolio.

Contudo, é importante também perceber que as vantagens de publicar na Nature flagships vai além de atingir publicações em revistas de alto parâmetro de impacto. Entre outras vantagens, podemos mencionar que publicar nossas pesquisas em estas revistas pode aumentar o impacto nas políticas públicas, no desenvolvimento econômico e na comunicação entre ciência e sociedade, esta última através do jornalismo científico. Acredito que o caminho para fomentar um aumento da participação de nossa comunidade nestas revistas aponta em construir uma sinergia entre pesquisadores e as agências de fomento à pesquisa, com o fim de estabelecer um período adequado para que os pesquisadores possam entregar de resultados com alto impacto.



Texto: Prof. Julio Larrea

 

Docente do IFUSP recebe prêmio de melhor apresentação em conferência internacional

O professor Caetano Rodrigues Miranda, do Instituto de Física da USP, recebeu o prêmio de melhor apresentação pelo trabalho “Toward Lithium Recovery from Produced Water: Permeation and Stability Assessment of PAN/PVC–NiO Nanocomposite Membranes”, na International Conference on Regenerative Futures (ICRF 2026), realizada durante o World Engineering, Science and Technology Congress (ESTCON 2026), em Penang, na Malásia. O congresso reuniu mais de 1.000 participantes de mais de 20 países e apresentou mais de 330 trabalhos técnicos.
Desenvolvido em coautoria com os Dr.Jeann Araújo e Dra. Sonia Menezes, o estudo avalia a permeação e a estabilidade de membranas nanocompósitas de PAN/PVC–NiO para a recuperação de lítio de água produzida, no contexto da economia circular e da regeneração de recursos. O projeto é desenvolvido em parceria entre o Centro de Inovação em Gases de Efeito Estufa da USP e a PETRONAS Brasil.

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