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Brasil e CERN assinam Declaração de Intenções para ampliação da cooperação científica e tecnológica

Brasil e CERN assinam Declaração de Intenções para ampliação da cooperação científica e tecnológica

Reunião durante o ICHEP 2026 consolida novos projetos industriais, bolsas de estudo e contribuições do CNPEM para o futuro da física de partículas.

Durante a conferência internacional ICHEP 2026, lideranças do CERN reuniram-se com a Ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação do Brasil, Luciana Santos, o Diretor-Geral do Centro Brasileiro de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), Antonio José Roque da Silva, e o Coordenador da Rede Brasileira de Física de Altas Energias (RENAFAE), Marcelo Munhoz, para alinhar os próximos passos da cooperação bilateral.

Desde que se tornou Estado Membro Associado do CERN em 2024, o Brasil vem colhendo frutos diretos dessa integração. Empresas brasileiras já participam ativamente de processos licitatórios e fornecimento de tecnologia para a instituição, enquanto profissionais e pesquisadores nacionais conquistam vagas e bolsas de pesquisa no laboratório sediado na Suíça.

Próximos passos e projetos tecnológicos

Dentre os destaques do encontro, foram apresentados os planos para que o CNPEM construa o grande solenóide supercondutor voltado à atualização do experimento ALICE-3 no LHC. Além disso, prevê-se a contribuição de longo prazo do CNPEM e de empresas parceiras na construção da tecnologia do Future Circular Collider (FCC), reaproveitando a expertise industrial adquirida no desenvolvimento da fonte de luz síncrotron brasileira SIRIUS.

A reunião culminou na assinatura de uma Declaração de Intenções, formalizando o compromisso contínuo do Brasil e do CERN em fortalecer o avanço científico, tecnológico e econômico de ambos os parceiros.















 


Diretor geral do Cern, Mark Thomson e Ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação do Brasil, Luciana Santos.
 


 

Visita de um ex-aluno

Texto da Prof. Elisabeth Yoshimura (27/07/26)
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No final do mês de junho, recebi a visita de Mario Sergio Cordovan Marques, que eu não via há quase 30 anos. Ele fez sob minha orientação, em 1997, o TCC do curso de Licenciatura em Física (sobre o PSSC de Mecânica). O motivo da visita recente de Mario Sergio foi agradecer! Agradecer pelo acolhimento que teve no curso de Licenciatura, e pela formação que recebeu desta casa – o IFUSP. Para Mario Sergio, a sua passagem pelo IFUSP não tem comparação, sob o ponto de vista do tratamento humano, com o que vivenciou anteriormente, em sua primeira graduação, em Engenharia. Nas palavras de Mario Sergio: mesmo sem merecer, tive um ótimo tratamento de todos os docentes que ministraram aulas nas minhas turmas.

Mario Sergio chegou a mim, este ano, através de busca no site do IF, em que não encontrava na ativa os professores que lhe deram aulas. Quando me achou, veio trazer esse agradecimento, que me pediu para ampliar e divulgar ao IFUSP. Por isso esta mensagem, aos docentes que conhecem Mario Sergio, e aos demais também. Anda tão raro recebermos agradecimentos pelo acolhimento dado a nossos estudantes, que achei que merecia o registro!

 

Estudantes da Licenciatura reproduzem o logotipo do IFUSP por meio de equações matemáticas

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Um trabalho desenvolvido pelos estudantes Claudio Eduardo Santos Rodrigues e Felipe Gomes dos Santos, da Licenciatura em Física, transformou o logotipo do IFUSP em uma construção matemática. A atividade foi realizada no primeiro semestre, na disciplina Cálculo de Várias Variáveis, ministrada pela professora Daniela Vieira, do Instituto de Matemática e Estatística (IME-USP).

A proposta da disciplina era que os estudantes aplicassem os conceitos de curvas parametrizadas para reproduzir o contorno de uma imagem de sua escolha. O exercício servia como etapa introdutória para conteúdos que seriam desenvolvidos posteriormente ao longo da disciplina, como o estudo de curvas de nível.

Segundo Daniela Vieira, a atividade foi inspirada em experiências de outros docentes do IME.

"Eu propus um trabalho em grupo, inspirada por experiências anteriores de docentes do IME, no qual os estudantes deveriam escolher alguma imagem de sua preferência e encontrar uma parametrização — ou, na verdade, várias parametrizações — que mais se aproximassem do contorno da figura escolhida."

Os grupos selecionaram imagens bastante variadas, entre elas símbolos, personagens de filmes e séries, desenhos e escudos de times de futebol. Claudio e Felipe decidiram representar o logotipo do Instituto de Física.

Como resultado, produziram um pôster que reúne as equações utilizadas para gerar cada elemento da imagem. Além do símbolo do IFUSP, as letras do logotipo também foram obtidas por meio de parametrizações matemáticas.

"Ao redor do logo do IF estão todas as equações que eles utilizaram para gerar a imagem. Inclusive as letras foram geradas por equações ou parametrizações."

Para a professora, a atividade permitiu que os estudantes explorassem, de forma prática, os conceitos discutidos em sala de aula. Ela destaca ainda o empenho das equipes durante o desenvolvimento do projeto.

"Os grupos se dedicaram com afinco. O resultado do grupo que escolheu a imagem do IF ficou muito bom."

O Instituto de Física parabeniza os estudantes pelo belo trabalho (e carinho) com a nossa marca!

 

IFUSP marca presença no Jabuti Acadêmico 2026 com dois finalistas e homenageado

 

Os professores Nestor Caticha e Mário José de Oliveira, do Instituto de Física da USP (IFUSP), são finalistas da categoria Astronomia e Física da 3ª edição do Prêmio Jabuti Acadêmico. Caticha concorre com a obra "Informação, probabilidade e mecânica estatística" e Oliveira com "Estrutura das teorias físicas: geométricas, analíticas e probabilísticas", ambas publicadas pela Editora da Universidade de São Paulo (Edusp). A categoria reúne cinco finalistas selecionados entre as obras inscritas.

O Prêmio Jabuti Acadêmico é uma iniciativa da Câmara Brasileira do Livro (CBL), criada em 2024 com o objetivo de reconhecer obras acadêmicas, científicas, técnicas e didáticas publicadas no Brasil. Nesta edição, a premiação recebeu 2.085 inscrições, distribuídas em 27 categorias organizadas nos eixos Ciência e Cultura e Prêmios Especiais. Os finalistas foram anunciados em 27 de julho, durante a 78ª Reunião Anual da SBPC, em Niterói (RJ). 

A premiação também anunciou o físico José Goldemberg como Personalidade Acadêmica de 2026. Goldemberg graduou-se em Física pela USP em 1950 e iniciou a carreira de pesquisa em Física Nuclear no IFUSP, antes de atuar em universidades no exterior. Ao longo da trajetória, teve papel destacado na projeção internacional do programa brasileiro de biocombustíveis e ocupou cargos públicos como ministro da Educação e secretário de Ciência e Tecnologia. Em 2017, recebeu o título de Professor Emérito da USP.

A cerimônia de entrega dos prêmios está marcada para 11 de agosto, no Teatro Sérgio Cardoso, em São Paulo, com transmissão pelo canal da CBL no YouTube.

 

Mudanças na Equipe Administrativa

Com informações da Divisão Administrativa.
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Para informação de toda a comunidade, comunicamos as mais recentes mudanças na equipe administrativa do Instituto de Física, já em vigor:

  • Beatriz Borges Casaro
    SETOR ATUAL: Comunicação Institucional
    Antigo: Diretoria
     
  • Bianca Genta Mazzetti
    SETOR ATUAL: Diretoria
    Antigo: Secretaria DFGE

     
  • Eber de Patto Lima
    SETOR ATUAL: Seção de Alunos
    Antigo: Comissão de Pós-Graduação (CPG)
     
  • Iran Mamedes de Amorim
    SETOR ATUAL: Divisão Acadêmica
    Antigo: Diretoria
     
  • Marcelo de Alcantara Costa
    SETOR ATUAL: Comissão de Pós-Graduação (CPG)
    Antigo: Comissão de Cultura & Extensão / Comissão de Pesquisa e Inovação (CCEx / CPqI)
     
  • Maria Luísa Pestilla Tippi
    SETOR ATUAL: Diretoria
    Antigo: Comunicação Institucional
     
  • Sueli Maria de Lima
    SETOR ATUAL: Divisão Acadêmica
    Antigo: Diretoria

Aproveitamos para agradecer o empenho e as providências da Divisão Administrativa, bem como de todas as chefias mobilizadas, para viabilizar as mudanças em questão, priorizando o bem-estar da equipe e o bom andamento das atividades do Instituto. Que o novo ciclo seja próspero e auspicioso para todos os envolvidos.

 

Artigo | Probing nuclear interactions à la Rutherford: insights on 4He from α scattering

Artigo com participação do Prof. Luiz Carlos Chamon tem publicação prevista na Nature Communications.
Trabalho já está disponível na forma "in press".
ACESSE AQUI.
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Abstract

Nuclear interactions play a key role for the stability of atomic nuclei and stellar environments. Successful parametrization and models of these interactions, developed in the last decades, accurately reproduce all the proton and neutron scattering data, besides the properties of few-body nuclear systems. However, recent electron scattering results focusing on the first excited resonant state of 4He nucleus, reveal a puzzling situation suggesting potential gaps in our understanding of the nuclear phenomenology. Here, we report a study of such 4He resonance by 4He + 4He scattering featuring data of unprecedented sensitivity and state-of-art analyses of the spectral line shape together with a phenomenological reaction modeling that incorporates the same nuclear densities employed in electron-scattering studies. Our analysis of the full set of experimental observables yields a reasonable description within the framework of current nuclear-interaction physics, thereby highlighting the need for further advancing the modeling of few-body open quantum systems.

-> O artigo completo pode ser acessado AQUI.

 

O hélio na pesquisa científica no Brasil

Por André B. Henriques.
Também disponível no Jornal da USP.
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Na reunião da SBPC em Poços de Caldas em 1961, Mario Schenberg (1914-1990) anunciou a instalação no Instituto de Física da USP da primeira planta de liquefação de hélio do hemisfério sul. Schenberg acreditava que a pesquisa criogênica, na qual o hélio é o refrigerante, seria fundamental para o avanço da ciência e da tecnologia. Mario Schenberg estava absolutamente certo: superfluidez, efeito Hall quântico, computação quântica, medicina de imagens, lasers de estado sólido, display de cristal líquido, supercondutores, fibras ópticas, estes são apenas alguns fenômenos ou aplicações que se tornaram possíveis devido à pesquisa criogênica.

As reservas conhecidas de hélio da Terra são de 50 bilhões de m3, geralmente aprisionado em pequenas concentrações junto com gás natural em rochas subterrâneas impermeáveis. Os principais mineradores de hélio são os Estados Unidos e o Qatar, que detêm 94% da produção mundial. Na última década, o preço do hélio aumentou vertiginosamente devido a guerras que paralisaram a mineração no Qatar, mas atualmente o preço regrediu. No Brasil, foram relatadas reservas significativas de hélio na Bacia do rio São Francisco, onde a concentração de hélio é de 1,5%, quinze vezes maior do que o mínimo necessário para que sua mineração seja viável economicamente. Porém, ainda não há mineração de hélio no Brasil, aqui o hélio é importado dos Estados Unidos a um preço 5-10 vezes maior do que lá.
 
O hélio não é um mineral renovável; quando liberado para a atmosfera, ele sobe para as alturas e escapa para o espaço cósmico, sem volta. A atividade humana gera perdas estimadas em 200 milhões de m3 por ano. Uma boa parte dessa perda ocorre na mineração do gás natural nos poços onde não há tecnologia para separar o hélio, que é lançado na atmosfera. Nesse ritmo, o hélio será esgotado em 250 anos.
 
Apenas em torno de 5% da perda anual de hélio desperdiçado é atribuído a atividades de pesquisa científica e tecnológica. Se o hélio fosse usado somente em pesquisa, as reservas durariam cinco mil anos. Mesmo assim, cabe aos cientistas minimizar o desperdício de hélio. Isso significa capturar e liquefazer o hélio que evapora no processo de refrigeração (reciclar o hélio). Há duas alternativas para a reciclagem: sistemas abertos, onde o equipamento do pesquisador é abastecido com hélio líquido e o vapor é canalizado de volta para a planta de liquefação, ou sistemas fechados, que possuem um mini-liquefator interno que captura e condensa a evaporação. Nos sistemas abertos, as perdas giram em torno de 5-10% por ciclo. Nos sistemas fechados, as principais perdas são associadas à purga do espaço experimental com hélio de alta pureza, que é muito caro. Um sistema fechado apresenta algumas características negativas:
 
(1) o preço é tipicamente uma ordem de grandeza maior do que o preço de um sistema aberto;
(2) o sistema fechado é uma caixa preta à qual só o fabricante pode dar manutenção, o que eleva ainda mais o custo;
(3) Os sistemas fechados são limitados às aplicações idealizadas pelo fabricante, enquanto um sistema aberto é flexível para a construção de experimentos personalizados;
(4) As figuras de mérito de um sistema fechado são em geral inferiores às de um sistema aberto (campo magnético, abertura numérica, etc).
 
Vale ressaltar que um sistema aberto pode ser convertido em sistema fechado utilizando a tecnologia de “reliquefier”, um instrumento que recupera a evaporação de hélio de um criostato aberto e devolve ao interior do criostato na forma líquida. Esta solução híbrida oferece a perspectiva de combinar o melhor dos dois mundos (aberto e fechado).
 
Os sistemas abertos dependem de uma planta de liquefação (Criogenia) como a fundada por Schenberg. O custo de uma Criogenia, que atende a vários grupos de pesquisa, é comparável ao de um sistema fechado que serve a apenas uma estação experimental. A manutenção de uma Criogenia é realizada por especialistas brasileiros, o que estimula a atividade tecnológica especializada e forma recursos humanos aqui. Consequentemente, o investimento em um sistema aberto traz retorno para além dos resultados científicos.
 
Ainda que a fração perdida em atividade científica global seja pequena, existe um discurso que recomenda aos laboratórios adquirir sistemas fechados em nome da salvação do hélio, que está acabando. Essa narrativa acaba sendo uma forma de scarcity marketing, ou fear-based selling, vantajosa para o fabricante, pois o torna detentor absoluto dos investimentos e de manutenção de equipamentos. Em contrapartida, sistemas abertos semeiam atividade tecnológica e formação de recursos humanos localmente.
 
Do exposto, fica claro que sistemas fechados são uma excelente solução para sistemas aplicados do tipo dedo-frio, como MRI (magnetic resonance imaging) na medicina. Podem ser também uma boa solução para a pesquisa científica exploratória, que não requer temperaturas muito baixas nem campos magnéticos elevados, que não seja sensível a vibrações, nem exija troca frequente de amostras. Nos outros casos, os sistemas abertos são uma opção melhor, principalmente se combinados com plantas de liquefação eficientes e com a tecnologia de reliquefier, com o bônus de trazer benefícios sociais.
 
Cabe refletir sobre qual caminho trilhar. Cabe decidir se as reservas brasileiras de hélio, como a da baía do rio São Francisco, deveriam ser exploradas para suprir as necessidades nacionais, ou não. Além de garantir o acesso a algo importante, sem depender inteiramente do fornecimento externo, a produção de hélio brasileiro semearia atividade técnica avançada.
 
Respostas bem fundamentadas a essas perguntas serão valiosas para determinar a melhor política de utilização do hélio no Brasil.

-> O artigo completo pode ser acessado AQUI.

 

Biblioteca do IFUSP reabre após reforma estrutural

 

Neste mês de agosto, o acervo da Biblioteca do Instituto de Física da USP tem acesso reaberto ao público, encerrando um longo período de obras. A intervenção, iniciada formalmente em dezembro de 2022, com o objetivo específico de impermeabilização da cobertura, teve as etapas complementares concluídas em maio de 2025, e o novo sistema de climatização entrando em operação em junho de 2026.

Segundo relato do chefe da Assistência Técnica Operacional (ATO) do IF, Alexandre Vieira, responsável pelo acompanhamento da obra, a biblioteca teve de conviver por mais de uma década com infiltrações e pequenos vazamentos. Essa também é a lembrança do professor Manfredo Tabacniks, ex-diretor e alumnus do Instituto, desde quando a Biblioteca se instaurou no complexo Abrahão de Moraes em meados da década de 1970: o edifício não havia sido concebido para ser uma biblioteca, e havia uma fresta por onde entrava poeira e até insetos. Ao iniciar o serviço, o destelhamento do prédio revelou sérios problemas na instalação elétrica, que impediram a continuidade da obra planejada e gerou a necessidade da ampliação significativa do escopo do trabalho: adicionalmente ao escopo inicial que contemplava a impermeabilização da cobertura (com financiamento da USP) e instalação de um novo sistema de climatização (com financiamento da Reserva Técnica Institucional da FAPESP), foi necessário substituir o forro, modernizar a iluminação e implantar nova infraestrutura de rede de dados.

  

Biblioteca aberta.

Todas as etapas da reforma envolveram múltiplos funcionários da universidade, já que foram planejadas e fiscalizadas pela Superintendência de Espaço Físico (SEF - USP) e acompanhadas pela ATO em conjunto com os setores de manutenção, patrimônio, vigilância, de apoio a projetos, entre outros do Instituto. Uma série de docentes também esteve profundamente envolvida com o processo: Prof. Manfredo Tabacniks e Profa. Kaline Coutinho (como diretores do Instituto), professores Sérgio Morelhão e Carla Goldman (como presidentes da Comissão de Biblioteca) e tantos outros ligados à administração central, em especial o então Reitor, Prof. Carlos Carlotti, que sempre apoiou e atendeu aos inúmeros pedidos do IF. 

Refletindo a posteriori sobre os obstáculos enfrentados, Alexandre Vieira e o Prof. Manfredo Tabacniks expressam o desafio de realizar obras sob a modalidade de licitação: quando um imprevisto ocorre, é muito difícil realizar alterações nas atividades previstas. Para além das dificuldades corriqueiras, a empresa contratada para a impermeabilização entrou em recuperação judicial durante a execução do contrato, decaindo em suas entregas e adiando a aceitação definitiva dos serviços.

Apesar dos percalços com a obra, a continuidade no atendimento ao longo de todo o período permaneceu o mantra da equipe técnica da Biblioteca, liderada pela bibliotecária Fátima Sousa. O empenho e os esforços foram amplamente notados por funcionários, docentes e estudantes: mesmo com o acervo em grande parte inacessível, a equipe manteve em funcionamento os serviços de apoio a todas as atividades do IF que precisavam de acesso ao acervo.

Todos os funcionários participaram do atendimento. Para o usuário não importa se o funcionário é bibliotecário ou não. Ele quer a resposta, aí nós conseguíamos atendê-los. A gente ia na hora buscar o livro para eles. Professores precisavam de artigos e nem tudo está disponível na internet. Então, a gente ia lá, pegava, digitalizava e mandava.  [Agora] o acesso está limpo. Mas teve momentos que não tinha como… Começaram a mexer no teto, na iluminação e pintura, aí não tinha condições. Comprei duas lanternas e usava o celular para tentar pegar um livro. E tem livro que só tinha aqui, nem em São Carlos, nem em outro lugar, então, tinha que pegar lá [na biblioteca].” - recorda Fátima.

Além das incursões ao acervo interditado, a equipe recorreu a empréstimos entre bibliotecas da USP e de outras instituições e digitalizaram artigos durante a obra. Paralelamente, cerca de 230 mil itens do acervo passaram por higienização, e outra parte foi encaminhada para restauração, encadernação e ionização, em razão da presença de fungos e outros agentes deteriorantes agravada pela poeira gerada na reforma. A equipe também avançou na digitalização retrospectiva de teses antigas, tudo isso enquanto ocupava diferentes espaços provisórios ao longo do processo.

Esse trabalho, em específico, é destacado como de extrema importância por Arak, estudante do Bacharelado em Física no IFUSP e membro do centro acadêmico CEFISMA: “[...] uma coisa importante é que as teses de própria publicação do IFUSP estão na biblioteca. Qual é a perspectiva de trabalho continuado depois que os professores, os docentes saem daqui, ou mesmo que as pessoas saiam daqui? A gente não tem acesso. Não sabe o nome para procurar. E está tudo aí dentro.

Falando em nome do CEFISMA e representando localmente o movimento estudantil, Arak comenta que o fechamento prolongado teve impacto direto na formação dos estudantes de graduação, que dependem mais do acesso físico ao acervo do que os pesquisadores mais experientes. A entidade acompanhou o processo ao longo de diferentes gestões e promoveu debates e ações para chamar atenção para a reabertura, inclusive as famosas “festas de aniversário” da reforma, celebradas em frente à placa de sinalização da obra com as datas já defasadas. O intuito, de acordo com ele, nunca foi desgastar a relação com a direção do Instituto, mas sim deixar claro o quanto os estudantes queriam a volta do livre acesso ao acervo.

No espaço reformado, o atendimento ao público retorna com nova iluminação, ambientes climatizados, terminais de pesquisa e apoio continuado dos funcionários. No entanto, é importante mencionar que já é previsto um novo edifício, que se encontra em fase final de planejamento. O novo prédio, que ficará próximo à rotatória do IME e IO, terá um espaço de cerca de 1.600 m2 com climatização, conforto e segurança para acomodar o acervo das bibliotecas do IF e do IAG, que serão unificadas. Haverá também espaços administrativos para os funcionários e diversos ambientes voltados aos usuários, para consulta, leitura, estudo individual e em grupo, preparação de mídias digitais, etc.

Acervo/biblioteca pessoal do Mario Schenberg, incluindo livros raros, aberto à visitação.

 

Atual diretora do IF, a Profª Kaline Coutinho comenta sobre a reforma: “A reforma da biblioteca do IF iniciou na gestão anterior e durante a minha gestão um grande esforço foi feito para acomodar os funcionários e uma pequena parte do acervo no prédio do antigo laboratório de Ressonância Magnética do Departamento de Física Geral, para que os serviços de atendimento ao usuário continuassem. As dificuldades envolvidas nesta reforma foram incontáveis - devido às dificuldades das leis públicas que envolvem licitações e desarticulações internas entre órgãos da universidade e até mesmo setores internos do IF - mas com a colaboração de todos conseguimos minimizar as perdas. Agora, estamos entregando para a comunidade do IF um espaço melhorado da biblioteca sem vazamentos, bem iluminado, com uma nova rede elétrica e lógica, e climatizado. Ainda temos pequenos ajustes a fazer no piso, no forro e nos acabamentos, que serão realizados com a biblioteca em funcionamento, pois voltar a ter o acesso aberto ao acervo é o desejo de toda a comunidade.” 

  

Hall de entrada/saguão da biblioteca aberto e ocupado por atividades culturais durante a Semana do Livro e da Biblioteca.

É importante ressaltar que o espaço definitivo da biblioteca virá em cerca de 4 anos com o prédio novo do IF e do IAG, que vem sendo discutido e planejado desde 2023 pela direção e funcionários da ATO, com o apoio da reitoria (gestão anterior e gestão atual), da SEF e da prefeitura do Campus. O prédio novo trará uma maior integração dos institutos do Baixo Matão (IGc, FAU, IME, IO, IF e IAG), pois contempla em seu projeto, no térreo, uma ampla área coberta para socialização, com cafeteria, espaço para descanso e até um paredão que poderá ser usado para projeção. Nos dois primeiros andares teremos as bibliotecas, e nos andares seguintes, auditórios e salas para ensino ativo com mobiliário flexível para formatos e mídias variados. Na cobertura do edifício, haverá um terraço com mirante. Assim, esperamos ter um prédio bastante funcional para dar conta das nossas necessidades acadêmicas, mas também planejado para socialização da comunidade.” - complementa a diretora.

Aproveitando o contexto da reabertura, o prof. Manfredo chama atenção para a atuação do prof. Henrique Fleming, que coordenou a biblioteca por muitos anos, apontando-o como um dos principais responsáveis pela formação do impressionante acervo. Sua atuação e dedicação motivam a iniciativa - aprovada pela Congregação do IF em 2023 - de nomear a Biblioteca em sua homenagem.

Por ora, convidamos funcionários, docentes e estudantes a conhecer o espaço atual, ocupá-lo e se reapropriar do acervo da Biblioteca, um bem precioso que enfim retorna à comunidade.

 

 

 

 

 

Simulação do futuro edifício das Bibliotecas do IFUSP e do IAG.

Pesquisador do IFUSP é eleito Vice-Chairman do International Steering Committee on Magnetic Fluids

 

O professor titular do IFUSP Antonio Martins Figueiredo Neto, chefe do Grupo de Fluidos Complexos, foi eleito Vice-Chairman do International Steering Committee on Magnetic Fluids, para um mandato de três anos. A eleição ocorreu durante a International Conference on Magnetic Fluids, realizada em Viena, entre os dias 5 e 10 de julho de 2026.

Segundo o pesquisador, "trata-se de um reconhecimento internacional da qualidade da pesquisa realizada no Brasil, em especial no IFUSP, na temática dos fluidos magnéticos."

O Steering Committee é responsável pela escolha das sedes das International Conferences on Magnetic Fluids, realizadas a cada três anos. Cabe ao vice-chairman, em conjunto com o chairman, indicar as comissões responsáveis pela atribuição do prêmio de Melhor Tese na área de fluidos magnéticos e da Rosensweig Medal, ambos concedidos durante as conferências internacionais. O comitê também promove reuniões virtuais anuais, convocadas pelo chairman, para discussão dos avanços da área; em caso de impedimento deste, essa atribuição passa ao vice-chairman.

 

 

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