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60 anos da Sociedade Brasileira de Física | Convite do Presidente

Prezada(o)s Professor(a)s do Instituto de Física da USP:

Em nome da Sociedade Brasileira de Física (SBF), tenho o prazer de convidá-lo(a)s para participar da comemoração dos 60 anos da Sociedade Brasileira de Física.

O evento será realizado no dia 20 de agosto de 2026, das 9h às 18h, no Auditório Abrahão de Moraes, no Instituto de Física da Universidade de São Paulo (USP).

Como as vagas são limitadas, solicitamos aos interessados que preencham o formulário de confirmação de presença até 17 de agosto. Pedimos, por gentileza, que o formulário seja preenchido apenas por quem realmente pretende participar, contribuindo para que as vagas sejam disponibilizadas ao maior número possível de interessados.

Caso você já tenha confirmado sua presença, não é necessário preencher o formulário novamente.

>> Formulário de inscrição 

Será uma grande honra contar com sua presença nesta celebração. Permanecemos à disposição para quaisquer esclarecimentos.

>> Acesse aqui o site especial dos 60 anos

Atenciosamente,

Sylvio Canuto
Presidente
Sociedade Brasileira de Física
 

 

Dispositivo científico "Phantom" híbrido tem depósito do Pedido de Patente

Foi protocolado, no dia 07/08, junto ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial ( INPI/SP),  o depósito do pedido de patente intitulado “DISPOSITIVO SIMULADOR HÍBRIDO PARA TOMOGRAFIA COMPUTADORIZADA DE PULMÃO", do dispositivo científico "Phantom" híbrido.

O Dispositivo "Phantom" híbrido é resultado de um projeto liderado pelo físico Paulo Roberto Costa, do Departamento de Física Nuclear do Instituto de Física (IF-USP), com a colaboração de radiologistas especializados em imagens de pulmão, entre eles o diretor do corpo clínico do Instituto de Radiologia do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (FM-USP), Marcio Sawamura.

Saiba mais sobre o projeto, no artigo do Jornal da USP, na Revista Pesquisa Fapesp e reportagem na TV Record.





Phantom é um dispositivo usado para simular partes do corpo humano a fim de testar e calibrar equipamentos de imagem, neste caso, a tomografia computadorizada (TC) – Foto: Marcos Santos/USP Imagens

Brasil e CERN assinam Declaração de Intenções para ampliação da cooperação científica e tecnológica

Brasil e CERN assinam Declaração de Intenções para ampliação da cooperação científica e tecnológica

Reunião durante o ICHEP 2026 consolida novos projetos industriais, bolsas de estudo e contribuições do CNPEM para o futuro da física de partículas.

Durante a conferência internacional ICHEP 2026, lideranças do CERN reuniram-se com a Ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação do Brasil, Luciana Santos, o Diretor-Geral do Centro Brasileiro de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), Antonio José Roque da Silva, e o Coordenador da Rede Brasileira de Física de Altas Energias (RENAFAE), Marcelo Munhoz, para alinhar os próximos passos da cooperação bilateral.

Desde que se tornou Estado Membro Associado do CERN em 2024, o Brasil vem colhendo frutos diretos dessa integração. Empresas brasileiras já participam ativamente de processos licitatórios e fornecimento de tecnologia para a instituição, enquanto profissionais e pesquisadores nacionais conquistam vagas e bolsas de pesquisa no laboratório sediado na Suíça.

Próximos passos e projetos tecnológicos

Dentre os destaques do encontro, foram apresentados os planos para que o CNPEM construa o grande solenóide supercondutor voltado à atualização do experimento ALICE-3 no LHC. Além disso, prevê-se a contribuição de longo prazo do CNPEM e de empresas parceiras na construção da tecnologia do Future Circular Collider (FCC), reaproveitando a expertise industrial adquirida no desenvolvimento da fonte de luz síncrotron brasileira SIRIUS.

A reunião culminou na assinatura de uma Declaração de Intenções, formalizando o compromisso contínuo do Brasil e do CERN em fortalecer o avanço científico, tecnológico e econômico de ambos os parceiros.















 


Diretor geral do Cern, Mark Thomson e Ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação do Brasil, Luciana Santos.
 


 

HEPIC na ICHEP 2026

Maior conferência mundial de Física de Partículas encerra edição inédita na América Latina

Pela primeira vez em seus mais de 70 anos de história, a Conferência Internacional sobre Física de Altas Energias (ICHEP) foi realizada na América Latina. A 43ª edição do principal encontro encerrou sua programação em Natal após reunir mais de 1.000 pesquisadores de universidades e centros de pesquisa de mais de 50 países, promovendo 863 palestras, 49 sessões plenárias e 173 apresentações de pôsteres ao longo de seis dias de intensa atividade científica.

A ICHEP é realizada a cada dois anos desde 1950 e constitui o principal fórum internacional para a apresentação dos avanços científicos mais recentes na área, além de promover colaborações internacionais e discutir os rumos futuros da pesquisa em física fundamental. No Brasil, a edição contou com a organização da União Internacional de Física Pura e Aplicada (IUPAP) e da Sociedade Brasileira de Física (SBF).

A Importância da Conferência no Brasil

Mais do que um congresso científico, a ICHEP é um dos principais espaços internacionais onde são iniciadas novas colaborações entre universidades e centros de pesquisa, formadas redes de cooperação, treinados estudantes e jovens pesquisadores e discutidos os grandes experimentos e infraestruturas científicas que orientarão a Física de Partículas nas próximas décadas. É nesse ambiente que muitos projetos internacionais ganham forma, parcerias são estabelecidas e decisões estratégicas sobre o futuro da pesquisa fundamental começam a ser construídas.
A ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, que participou da cerimônia de abertura, ressaltou o impacto da realização da conferência para a atração de talentos e estímulo ao conhecimento.
"Aqui na ICHEP nós estamos tratando de física de altas energias, que, associado a uma presença, por exemplo, de um diretor-presidente da maior infraestrutura de pesquisa do mundo, que é o CERN, que fica entre a Suíça e a França. Isso atrai talentos, atrai curiosidade,
estimula o conhecimento e, portanto, reverbera de maneira muito significativa daquilo que é o principal patrimônio de qualquer povo, de qualquer gente: o conhecimento”, declarou Santos.

ICHEP 2026 foi um marco para a Ciência brasileira

A edição de 2026 ocorreu em um momento particularmente importante para a ciência brasileira, marcado pelo avanço do acordo entre Brasil e CERN, resultado de um esforço da comunidade científica que se estendeu por mais de uma década.
Desde que o Brasil se tornou Estado-Membro Associado do CERN, em 2024, empresas brasileiras passaram a disputar contratos para fornecer equipamentos e serviços de alta tecnologia ao laboratório europeu, enquanto pesquisadores, engenheiros, estudantes e outros profissionais passaram a ter acesso ampliado a programas de formação, pesquisa e desenvolvimento tecnológico.

O evento aconteceu de 30 de julho a 5 de agosto na capital potiguar. A próxima edição da conferência acontecerá em 2028 na cidade de Bangcoc, Tailândia, na Universidade Chulalongkorn, a instituição de ensino superior mais antiga e prestigiada do país.

* Texto adaptado do original de Leonardo Pereira, assessor do evento.

 

O High Energy Physics and Instrumentation Center - HEPIC, teve participação ativa em diversas atividades durante o congresso.

Destacamos a participação do Prof. Marcelo Munhoz, como coordenador da Rede Brasileira de Física de Altas Energias (RENAFAE), na assinatura da Declaração de Intenções para ampliação da cooperação científica e tecnológica entre o Brasil e CERN, representados pela Ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação do Brasil, Luciana Santos e pelo diretor geral do Cern, Mark Thomson, respectivamente.

Também no âmbito do evento, foi lançado no dia 05/08 o livro “Cruzando Fronteiras: uma História do Brasil no CERN”. Com organização do pesquisador Ivã Gurgel (e participação de outros pesquisadores do IFUSP), a obra é fruto das atividades do Grupo de Trabalho de Divulgação Científica do INCT CERN-Brasil e está disponível gratuitamente para download, em português e em inglês.


 

Por último, destacamos a premiação do aluno de doutorado Lucas Ferrandi como um dos melhores pôsteres do evento.


 

Visita de um ex-aluno

Texto da Prof. Elisabeth Yoshimura (27/07/26)
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No final do mês de junho, recebi a visita de Mario Sergio Cordovan Marques, que eu não via há quase 30 anos. Ele fez sob minha orientação, em 1997, o TCC do curso de Licenciatura em Física (sobre o PSSC de Mecânica). O motivo da visita recente de Mario Sergio foi agradecer! Agradecer pelo acolhimento que teve no curso de Licenciatura, e pela formação que recebeu desta casa – o IFUSP. Para Mario Sergio, a sua passagem pelo IFUSP não tem comparação, sob o ponto de vista do tratamento humano, com o que vivenciou anteriormente, em sua primeira graduação, em Engenharia. Nas palavras de Mario Sergio: mesmo sem merecer, tive um ótimo tratamento de todos os docentes que ministraram aulas nas minhas turmas.

Mario Sergio chegou a mim, este ano, através de busca no site do IF, em que não encontrava na ativa os professores que lhe deram aulas. Quando me achou, veio trazer esse agradecimento, que me pediu para ampliar e divulgar ao IFUSP. Por isso esta mensagem, aos docentes que conhecem Mario Sergio, e aos demais também. Anda tão raro recebermos agradecimentos pelo acolhimento dado a nossos estudantes, que achei que merecia o registro!

 

Estudantes da Licenciatura reproduzem o logotipo do IFUSP por meio de equações matemáticas

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Um trabalho desenvolvido pelos estudantes Claudio Eduardo Santos Rodrigues e Felipe Gomes dos Santos, da Licenciatura em Física, transformou o logotipo do IFUSP em uma construção matemática. A atividade foi realizada no primeiro semestre, na disciplina Cálculo de Várias Variáveis, ministrada pela professora Daniela Vieira, do Instituto de Matemática e Estatística (IME-USP).

A proposta da disciplina era que os estudantes aplicassem os conceitos de curvas parametrizadas para reproduzir o contorno de uma imagem de sua escolha. O exercício servia como etapa introdutória para conteúdos que seriam desenvolvidos posteriormente ao longo da disciplina, como o estudo de curvas de nível.

Segundo Daniela Vieira, a atividade foi inspirada em experiências de outros docentes do IME.

"Eu propus um trabalho em grupo, inspirada por experiências anteriores de docentes do IME, no qual os estudantes deveriam escolher alguma imagem de sua preferência e encontrar uma parametrização — ou, na verdade, várias parametrizações — que mais se aproximassem do contorno da figura escolhida."

Os grupos selecionaram imagens bastante variadas, entre elas símbolos, personagens de filmes e séries, desenhos e escudos de times de futebol. Claudio e Felipe decidiram representar o logotipo do Instituto de Física.

Como resultado, produziram um pôster que reúne as equações utilizadas para gerar cada elemento da imagem. Além do símbolo do IFUSP, as letras do logotipo também foram obtidas por meio de parametrizações matemáticas.

"Ao redor do logo do IF estão todas as equações que eles utilizaram para gerar a imagem. Inclusive as letras foram geradas por equações ou parametrizações."

Para a professora, a atividade permitiu que os estudantes explorassem, de forma prática, os conceitos discutidos em sala de aula. Ela destaca ainda o empenho das equipes durante o desenvolvimento do projeto.

"Os grupos se dedicaram com afinco. O resultado do grupo que escolheu a imagem do IF ficou muito bom."

O Instituto de Física parabeniza os estudantes pelo belo trabalho (e carinho) com a nossa marca!

 

IFUSP marca presença no Jabuti Acadêmico 2026 com dois finalistas e homenageado

 

Os professores Nestor Caticha e Mário José de Oliveira, do Instituto de Física da USP (IFUSP), são finalistas da categoria Astronomia e Física da 3ª edição do Prêmio Jabuti Acadêmico. Caticha concorre com a obra "Informação, probabilidade e mecânica estatística" e Oliveira com "Estrutura das teorias físicas: geométricas, analíticas e probabilísticas", ambas publicadas pela Editora da Universidade de São Paulo (Edusp). A categoria reúne cinco finalistas selecionados entre as obras inscritas.

O Prêmio Jabuti Acadêmico é uma iniciativa da Câmara Brasileira do Livro (CBL), criada em 2024 com o objetivo de reconhecer obras acadêmicas, científicas, técnicas e didáticas publicadas no Brasil. Nesta edição, a premiação recebeu 2.085 inscrições, distribuídas em 27 categorias organizadas nos eixos Ciência e Cultura e Prêmios Especiais. Os finalistas foram anunciados em 27 de julho, durante a 78ª Reunião Anual da SBPC, em Niterói (RJ). 

A premiação também anunciou o físico José Goldemberg como Personalidade Acadêmica de 2026. Goldemberg graduou-se em Física pela USP em 1950 e iniciou a carreira de pesquisa em Física Nuclear no IFUSP, antes de atuar em universidades no exterior. Ao longo da trajetória, teve papel destacado na projeção internacional do programa brasileiro de biocombustíveis e ocupou cargos públicos como ministro da Educação e secretário de Ciência e Tecnologia. Em 2017, recebeu o título de Professor Emérito da USP.

A cerimônia de entrega dos prêmios está marcada para 11 de agosto, no Teatro Sérgio Cardoso, em São Paulo, com transmissão pelo canal da CBL no YouTube.

 

Mudanças na Equipe Administrativa

Com informações da Divisão Administrativa.
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Para informação de toda a comunidade, comunicamos as mais recentes mudanças na equipe administrativa do Instituto de Física, já em vigor:

  • Beatriz Borges Casaro
    SETOR ATUAL: Comunicação Institucional
    Antigo: Diretoria
     
  • Bianca Genta Mazzetti
    SETOR ATUAL: Diretoria
    Antigo: Secretaria DFGE

     
  • Eber de Patto Lima
    SETOR ATUAL: Seção de Alunos
    Antigo: Comissão de Pós-Graduação (CPG)
     
  • Iran Mamedes de Amorim
    SETOR ATUAL: Divisão Acadêmica
    Antigo: Diretoria
     
  • Marcelo de Alcantara Costa
    SETOR ATUAL: Comissão de Pós-Graduação (CPG)
    Antigo: Comissão de Cultura & Extensão / Comissão de Pesquisa e Inovação (CCEx / CPqI)
     
  • Maria Luísa Pestilla Tippi
    SETOR ATUAL: Diretoria
    Antigo: Comunicação Institucional
     
  • Sueli Maria de Lima
    SETOR ATUAL: Divisão Acadêmica
    Antigo: Diretoria

Aproveitamos para agradecer o empenho e as providências da Divisão Administrativa, bem como de todas as chefias mobilizadas, para viabilizar as mudanças em questão, priorizando o bem-estar da equipe e o bom andamento das atividades do Instituto. Que o novo ciclo seja próspero e auspicioso para todos os envolvidos.

 

Artigo | Probing nuclear interactions à la Rutherford: insights on 4He from α scattering

Artigo com participação do Prof. Luiz Carlos Chamon tem publicação prevista na Nature Communications.
Trabalho já está disponível na forma "in press".
ACESSE AQUI.
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Abstract

Nuclear interactions play a key role for the stability of atomic nuclei and stellar environments. Successful parametrization and models of these interactions, developed in the last decades, accurately reproduce all the proton and neutron scattering data, besides the properties of few-body nuclear systems. However, recent electron scattering results focusing on the first excited resonant state of 4He nucleus, reveal a puzzling situation suggesting potential gaps in our understanding of the nuclear phenomenology. Here, we report a study of such 4He resonance by 4He + 4He scattering featuring data of unprecedented sensitivity and state-of-art analyses of the spectral line shape together with a phenomenological reaction modeling that incorporates the same nuclear densities employed in electron-scattering studies. Our analysis of the full set of experimental observables yields a reasonable description within the framework of current nuclear-interaction physics, thereby highlighting the need for further advancing the modeling of few-body open quantum systems.

-> O artigo completo pode ser acessado AQUI.

 

O hélio na pesquisa científica no Brasil

Por André B. Henriques.
Também disponível no Jornal da USP.
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Na reunião da SBPC em Poços de Caldas em 1961, Mario Schenberg (1914-1990) anunciou a instalação no Instituto de Física da USP da primeira planta de liquefação de hélio do hemisfério sul. Schenberg acreditava que a pesquisa criogênica, na qual o hélio é o refrigerante, seria fundamental para o avanço da ciência e da tecnologia. Mario Schenberg estava absolutamente certo: superfluidez, efeito Hall quântico, computação quântica, medicina de imagens, lasers de estado sólido, display de cristal líquido, supercondutores, fibras ópticas, estes são apenas alguns fenômenos ou aplicações que se tornaram possíveis devido à pesquisa criogênica.

As reservas conhecidas de hélio da Terra são de 50 bilhões de m3, geralmente aprisionado em pequenas concentrações junto com gás natural em rochas subterrâneas impermeáveis. Os principais mineradores de hélio são os Estados Unidos e o Qatar, que detêm 94% da produção mundial. Na última década, o preço do hélio aumentou vertiginosamente devido a guerras que paralisaram a mineração no Qatar, mas atualmente o preço regrediu. No Brasil, foram relatadas reservas significativas de hélio na Bacia do rio São Francisco, onde a concentração de hélio é de 1,5%, quinze vezes maior do que o mínimo necessário para que sua mineração seja viável economicamente. Porém, ainda não há mineração de hélio no Brasil, aqui o hélio é importado dos Estados Unidos a um preço 5-10 vezes maior do que lá.
 
O hélio não é um mineral renovável; quando liberado para a atmosfera, ele sobe para as alturas e escapa para o espaço cósmico, sem volta. A atividade humana gera perdas estimadas em 200 milhões de m3 por ano. Uma boa parte dessa perda ocorre na mineração do gás natural nos poços onde não há tecnologia para separar o hélio, que é lançado na atmosfera. Nesse ritmo, o hélio será esgotado em 250 anos.
 
Apenas em torno de 5% da perda anual de hélio desperdiçado é atribuído a atividades de pesquisa científica e tecnológica. Se o hélio fosse usado somente em pesquisa, as reservas durariam cinco mil anos. Mesmo assim, cabe aos cientistas minimizar o desperdício de hélio. Isso significa capturar e liquefazer o hélio que evapora no processo de refrigeração (reciclar o hélio). Há duas alternativas para a reciclagem: sistemas abertos, onde o equipamento do pesquisador é abastecido com hélio líquido e o vapor é canalizado de volta para a planta de liquefação, ou sistemas fechados, que possuem um mini-liquefator interno que captura e condensa a evaporação. Nos sistemas abertos, as perdas giram em torno de 5-10% por ciclo. Nos sistemas fechados, as principais perdas são associadas à purga do espaço experimental com hélio de alta pureza, que é muito caro. Um sistema fechado apresenta algumas características negativas:
 
(1) o preço é tipicamente uma ordem de grandeza maior do que o preço de um sistema aberto;
(2) o sistema fechado é uma caixa preta à qual só o fabricante pode dar manutenção, o que eleva ainda mais o custo;
(3) Os sistemas fechados são limitados às aplicações idealizadas pelo fabricante, enquanto um sistema aberto é flexível para a construção de experimentos personalizados;
(4) As figuras de mérito de um sistema fechado são em geral inferiores às de um sistema aberto (campo magnético, abertura numérica, etc).
 
Vale ressaltar que um sistema aberto pode ser convertido em sistema fechado utilizando a tecnologia de “reliquefier”, um instrumento que recupera a evaporação de hélio de um criostato aberto e devolve ao interior do criostato na forma líquida. Esta solução híbrida oferece a perspectiva de combinar o melhor dos dois mundos (aberto e fechado).
 
Os sistemas abertos dependem de uma planta de liquefação (Criogenia) como a fundada por Schenberg. O custo de uma Criogenia, que atende a vários grupos de pesquisa, é comparável ao de um sistema fechado que serve a apenas uma estação experimental. A manutenção de uma Criogenia é realizada por especialistas brasileiros, o que estimula a atividade tecnológica especializada e forma recursos humanos aqui. Consequentemente, o investimento em um sistema aberto traz retorno para além dos resultados científicos.
 
Ainda que a fração perdida em atividade científica global seja pequena, existe um discurso que recomenda aos laboratórios adquirir sistemas fechados em nome da salvação do hélio, que está acabando. Essa narrativa acaba sendo uma forma de scarcity marketing, ou fear-based selling, vantajosa para o fabricante, pois o torna detentor absoluto dos investimentos e de manutenção de equipamentos. Em contrapartida, sistemas abertos semeiam atividade tecnológica e formação de recursos humanos localmente.
 
Do exposto, fica claro que sistemas fechados são uma excelente solução para sistemas aplicados do tipo dedo-frio, como MRI (magnetic resonance imaging) na medicina. Podem ser também uma boa solução para a pesquisa científica exploratória, que não requer temperaturas muito baixas nem campos magnéticos elevados, que não seja sensível a vibrações, nem exija troca frequente de amostras. Nos outros casos, os sistemas abertos são uma opção melhor, principalmente se combinados com plantas de liquefação eficientes e com a tecnologia de reliquefier, com o bônus de trazer benefícios sociais.
 
Cabe refletir sobre qual caminho trilhar. Cabe decidir se as reservas brasileiras de hélio, como a da baía do rio São Francisco, deveriam ser exploradas para suprir as necessidades nacionais, ou não. Além de garantir o acesso a algo importante, sem depender inteiramente do fornecimento externo, a produção de hélio brasileiro semearia atividade técnica avançada.
 
Respostas bem fundamentadas a essas perguntas serão valiosas para determinar a melhor política de utilização do hélio no Brasil.

-> O artigo completo pode ser acessado AQUI.

 

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